Zona Agbara, coletivo feminino formado por mulheres negras e gordas, estreia ‘Reclusa’

Reclusa discute o encarceramento feminino, sob viés institucional e sociológico. “Duro acreditar que as mulheres negras e as mulheres negras e gordas sofram com uma série de estereótipos raciais e sexuais. E que estes mesmos estereótipos possam criar uma variedade cruel de encarceramentos  – psicológicos e físicos – lentos genocídios silenciosos que atacam a saúde mental dessas mulheres, fazendo-as adoecer emocionalmente. Reclusa vai além desse adoecimento”, afirmam as artistas.

“O espetáculo evidencia a conexão entre a imagem construída dessas mulheres negras e explica que o mito da maternidade voluntária (desde as senzalas elas ‘amamentaram de leite e de ternura’) tem como tentativa camuflar uma realidade escravista, sexista e racista. Uma imagem que se atualiza em nossas realidades, de forma facilmente perceptível, com as ‘mães pretas’, típicas representações dadas às empregadas domésticas exploradas por décadas nas mais variadas casas de classe média e rica. Não muito se difere do sistema escravagista”.

Foto: Sheila Signario

Reclusa abrange desde o aprisionamento institucional, às mulheres que são presas a casamentos, ou a casamentos com homens que estão na cadeia. O texto também discute o próprio casamento como destinação: o velho estereótipo de que se a mulher passou dos 40 anos sem casar transforma-se em problema para a família e um alvo para a sociedade.

“Queremos fazer um alerta e dizer que estamos aqui vivendo situações como esta. Mas queremos ter nossa voz, queremos ter nossa libertação desses processos”, diz Gal Martins, responsável pela concepção e direção artística do espetáculo. Gal observa que o texto do espetáculo enaltece a presença do Orixá Xangô, símbolo máximo da justiça.

Agbara significa “potência e força” em yorubá. O significado apontado declara a emergência deste projeto, que é colocar na cena da dança paulistana uma potência poética de um corpo que é marginalizado e excluído dos processos de criação coreográfica, por possuírem características físicas diferentes do padrão eurocêntrico estabelecido no cenário da dança no mundo. E quando a discussão se volta para a questão racial, esse cenário só se concretiza.

Ficha técnica – Concepção e direção artística: Gal Martins.  Direção coreográfica e Preparação corporal: Rosângela Alves. Intérpretes criadoras: Fabiana Pimenta, Dandara Kuntê, Luciane Barros, Dina Alves, Rosângela Alves e Gal Martins. Musicista: Analu Barbosa. Trilha sonora: Danilova. Cenário: Rodrigo Selva. Figurino e visagismo: Gil Oliveira. Texto: Dina Maia. Composição musical: Fabiana Pimenta. Projeto de luz: Camila Andrade. Fotografia: Sheila Signário. Direção de produção: Danilova. Assistente de produção: Lua Santana. Agradecimento: Tiago Boogaloo Begins e Flip Couto.

Onde:
Teatro de Contêiner Mugunzá e outros (ver programação)
Quando:
17 de junho a 12 de julho/2019
Quanto:
Contribuição voluntária
Info:

Programação:

17 a 19 de junho/2019 – Segunda a quarta, 20h

Teatro de Contêiner Mugunzá

Rua dos Gusmões, 43, Santa Ifigênia, São Paulo (SP). Informações: (11) 97632-7852.

 

21 e 22 de junho/2019 – Sexta e sábado, 20h

Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo

Galeria Formosa, Baixos do Viaduto do Chá, s/nº, Galeria Formosa, Centro, São Paulo (SP), tel. (11) 3214-3249. Estações de metrô: Anhangabaú, República, São Bento.

 

28 de junho/2019 – Sexta-feira, 20h

Fábrica de Cultura Capão Redondo

Rua Bacia de São Francisco, Conjunto Habitacional Jardim São Bento, São Paulo (SP), tel. (11) 5822-5240.

 

29 de junho/2019 – Sábado, 17h30

Fábrica de Cultura Brasilândia

Av. General Penha Brasil, 2508, São Paulo (SP), tel. (11) 3859-2300.

 

12 de julho/2019 – Sexta-feira, 20h

Fábrica de Cultura Jardim São Luis

Rua Antônio Ramos Rosa, 651, São Paulo (SP), tel. (11) 5510-5530.

Classificação etária: 16 anos.

Duração: 60 minutos.