Sandra Meyer e Diana Gilardenghi
Projeto Corpo, Tempo e Movimento
Ação 4 – S/Título ; Ação 5 – Greta

 

Foto: Pedro Alípio
Sandra Meyer em Sem Título

  Criação e concepção coletiva de Diana Gilardenghi, Milene Duenha, Paloma Bianchi e Sandra Meyer, o projeto Corpo, Tempo e Movimento, que tem a chancela do Edital Elisabete Anderle/2014, realiza mais duas das seis ações previstas. Dia 27 de junho/2016, no Memorial Meyer Filho, o público poderá apreciar a interpretação solo de Diana Gilardenghi e Sandra Meyer, que aproximam poéticas vasculhando seus corpos e lembranças.

A ação quatro, S/Título, tem Sandra Meyer revisitando a memória e os procedimentos do pai, o consagrado artista Meyer Filho (1919-1991), muitas vezes lembrado como o Pintor dos Galos. Apaixonado pela própria produção, ele fazia questão de fotografar a família ao lado de suas telas, uma das recordações da infância e juventude que permeia a coreografia que resulta no desenho de linhas, volumes e formas. O corpo não é uma tela em branco, o espaço não é um vazio, asseguram as pesquisadoras do projeto, certas de que o gesto temporário da dança é o traço que desaparece em ato. “O que é familiar, que afetos nos compõem”, indagam elas.

O foco é outro em Greta, a ação cinco e o solo de Diana Gilardenghi. O que se quer agora é a ativação dos órgãos, a materialização de um pequeno universo em que o corpo é memória de um sem tempo. Investigam o labirinto, o esconderijo de marcas que se revelam como segredo. Depois da ação quatro, o público é convidado a fazer um breve percurso até o fim da rua Tiradentes, onde a intérprete ocupa um prédio abandonado para discutir o inumano, as relações possíveis entre o tempo e o espaço, o ambiente interno e externo, o corpo e a cidade.

O projeto se desdobra em percursos e evocações da vida pessoal íntima de duas bailarinas nascidas em 1957, das experiências coletivas, das contradições da urbe cercada pelo mar. No fluxo urbano, quais as memórias e quais afetos vividos nesse lugar, indagam as pesquisadoras. A dança, informam as articuladoras Milene e Paloma, se apresenta como impulso que presentifica um espaço-tempo. “O processo criativo busca uma articulação de temas, de sensações e de movimentos, em relação aos ambientes, faz com que as ações sejam entrecortadas e afetadas pelo meio em que estão inseridas em espaços inscritos em si, marcados em sua própria estrutura, com vestígios de tempo e de memória. Trabalhar sobre a própria materialidade espacial, sem ficcionalizá-la ou manipulá-la, promove uma ação que se inclui como uma infiltração sobre o ambiente, transformando e sendo transformado por ele”, esclarecem.

Sobre as autoras:

Diana Gilardenghi

Professora, bailarina e coreógrafa. Atua profissionalmente desde 1978. Integrou os grupos Duggandanza, Plastercaster, Potlach e Ronda. Em 2000 foi contemplada pelo programa Rumos do Itaú Cultural com o trabalho Crosta. Recebeu o Prêmio Klauss Vianna 2008 para a realização de Um Duplo e Klauss Vianna 2011 para o espetáculo Em Constante. Tem extensa atuação como docente, ministra cursos em escolas, centros de cultura, academias e eventos. Atualmente leciona dança contemporânea em Florianópolis e integra o coletivo de pesquisa e criação Mapas e Hipertextos. 

Sandra Meyer

Professora e pesquisadora. Leciona dança e técnicas corporais no curso de licenciatura em teatro e atua no Programa de Pós- Graduação em Teatro – Mestrado e Doutorado – do Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). É doutora pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Arte, Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É autora do livro A Dança Cênica em Florianópolis (1994) e As Metáforas do Corpo em Cena (São Paulo, Annablume, 2009 1ed. e 2011, 2 ed.). Desenvolveu trabalhos como atriz/bailarina junto a Persona Cia. de Teatro (2002 a 2008). 

Paloma Bianchi

Professora, pesquisadora e bailarina profissional desde 1998. Graduada na faculdade de Comunicação das Artes do Corpo pela PUC-SP, com especialização em performance, atualmente é doutoranda em teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Formada como educadora do movimento pelo método Reeducação do Movimento de Ivaldo Bertazzo e em Bharathanatyam pela filial brasileira da Natyalaya School of Classical Dances. Como artista-pesquisadora participa, desde 2013, do coletivo de pesquisa e criação em artes presenciais Mapas e Hipertextos. 

Milene Duenha

É bailarina, atriz, performer, graduada em artes cênicas pela Universidade Estadual de Londrina/PR e pós-graduação em artes visuais/arte educação pela mesma universidade. É mestre em teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina, onde atualmente realiza uma pesquisa de doutorado no programa de pós-graduação em teatro. Pesquisa noções de presença em relação na experiência artística, e tem como objeto de investigação possibilidades compositivas em arte com foco na presença do artista e suas implicações ético/estéticas. Interessa-se por questões ligadas ao corpo e seus modos de estar/fazer como potência de afeto. Atua na intersecção entre as linguagens da dança, da performance e do teatro, desenvolvendo desde 2012 uma pesquisa artística no Coletivo Mapas e Hipertextos de Florianópolis-SC. 

Foto: Pedro Alípio
Da esquerda para a direita: Paloma Bianchi e Milena Duenha.

 

 

Onde:
Memorial Meyer Filho
Quando:
27 de junho/2016
19h30
Quanto:
Grátis
Info:

Praça 15, nº 180, centro, Florianópolis (SC).

https://www.facebook.com/corpotempoemovimento/