“Sampleando Homem Só” ‘remixa’ peça de dança emblemática da Cia Perversos Polimorfos

Sampleando Homem Só é um convite das artistas Daniela Moraes e Rafaela Sahyoun à Cia Perversos Polimorfos, de São Paulo, para pesquisarem juntos o deslocamento do conceito de “sampleamento”, da música eletrônica para a dança. A estreia acontece em temporada online de duas semanas, transmitidas pelo canal do YouTube da companhia.

O trabalho toma como base o espetáculo Movimento para um Homem Só, de 2014, inspirado nas intervenções do artista plástico inglês Banksy em parceria com os grafiteiros brasileiros Os Gêmeos, na ocupação Better out than in, em Nova York, um ano antes.

Movimento para um homem só, interpretado originalmente pelos bailarinos Jerônimo Bittencourt e Lucas Delfino, realizou mais de 50 apresentações presenciais e foi convidado para encerrar o Moving Cells Festival, em Liepizg, e se apresentar no Acker Stadt Palast, em Berlin, ambos na Alemanha, em 2015.

Depois do primeiro experimento de Sampleando Homem Só, transmitido pelo programa Sesc em Casa em 2020, diretamente do palco da unidade 24 de Maio, os ensaios seguiram intensificados e a companhia ocupou a Fazenda Santa Esther, no interior de São Paulo, que serviu como locação para a cinematografia da nova peça de dança, realizada por Osmar Zampieri, com apoio de Daniel Carvalho na operação de câmera, e imagens aéreas captadas por Ricardo Yamamoto.

Na música, samplear significa cortar e reutilizar parte de uma gravação para composição de uma nova, que pode compreender elementos como ritmo, melodia, fala, sons ou compassos inteiros, redefinidos ou manipulados. Assim, a partir desse estudo de desconstrução e reconstrução de pequenos trechos coreográficos, Sampleando Homem Só não se configura como remontagem do espetáculo original, mas um novo trabalho que “sampleou” o antigo.

Num jogo de composição cênica, caminhadas se transformam em pequenas ações, que geram células coreográficas retroalimentadas por discussões pertinentes ao momento pandêmico pelo qual estamos atravessando. “Buscamos tornar possível a atualização desse tempo presente, quando vivemos uma constante discussão sobre formas e transposição das fronteiras psíquicas e afetivas do entrecorpos”, comenta Ricardo Gali, diretor da companhia e do trabalho.

Inspirada em bandas de rock e jazz, a trilha sonora original é composta por Lourenço Rebetez. Aline Santini assina a iluminação.

Sampleando Homem Só foi contemplado pela Lei Aldir Blanc através do Edital Proac Lab da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo.

Foto: Divulgação

Sobre Ricardo Gali e a Cia Perversos Polimorfos

Formado pela EAD – Escola de Arte Dramática-ECA-USP, Ricardo Gali estudou no Centro de Pesquisa Teatral, coordenado por Antunes Filho, cursou audiovisual na FMU/SP, fotografia no Compounding M2 com Carlos Moreira e Regina Martins e, atualmente, cursa Artes do Corpo na PUC-SP. Vem trabalhando como artista em projetos pedagógicos vinculados a instituições, como a Secretaria de Cultura do Estado e a Universidade de São Paulo, e colaborando como dramaturgo, preparador corporal e diretor de movimento de companhias de teatro e dança. Em 2020, além da criação de Sampleando Homem Só, estreou a videodança O homem sem um nome. Dirige a Companhia Perversos Polimorfos que, em seus 12 anos de atividades continuadas, reúne artistas e colaboradores no fazer em artes com foco em dança e sua transdisciplinaridade com outros saberes, e tem em seu repertório trabalhos como Banksy Bang, Movimento para um Homem Só, Imagem-nua e outros contos, Ânsia, Shine, Cansei de ser sereia, Atreve-te e Bolero.

Ficha técnica – Direção: Ricardo Gali. Roteiro: Ricardo Gali e Osmar Zampieri. Interpretação: Daniela Moraes e Rafaela Sahyoun. Criação original: Jerônimo Bittencourt e Lucas Delfino. Iluminação: Aline Santini. Trilha sonora: Lourenço Rebetez. Cinematografia, edição e finalização em vídeo: Osmar Zampieri. Segunda câmera: Daniel Carvalho. Imagens aéreas: Ricardo Yamamoto. Direção de produção: José Renato Fonseca de Almeida. Assistência de produção: Layla Bucaretchi e Carolina Splendore. Colaboração em set: Felipe Dias. Fotografia: Fábio Furtado e Paulo Chicarelli. Design gráfico: Fernando Bizarri. Assessoria de imprensa: Elaine Calux. Produção executiva: Cais Produção Cultural. Apoio: Fazenda Santa Esther.

 

Onde:
YouTube
Quando:
28 a 30 de maio e 4 a 6 de junho/2021
Sextas, sábados e domingos às 20h
Quanto:
Grátis
Info:

Link de acesso: www.youtube.com/CompanhiaPerversos

(*sessão aberta sem necessidade de inscrição)

Duração: 25 minutos.

Classificação indicativa: 16 anos.