Quasar apresenta ‘O que ainda guardo’ na temporada de dança do Teatro Alfa

O que ainda guardo se inspira na bossa nova, um dos mais importantes movimentos da música brasileira, buscando construir diálogos entre o ontem e o hoje, entre canções e o corpo em movimento.

Segundo o criador do espetáculo, Henrique Rodovalho, há um tipo de respiro, um frescor, uma coloquialidade e, por vezes, uma leveza necessária, características da bossa nova, inseridas tanto nos personagens que o espetáculo sugere quanto nas coreografias. “A sequência de gestos alinha-se a certa cronologia desse gênero musical desde seu surgimento, com João Gilberto, Vinicius de Moraes e Tom Jobim, até chegar ao Rio de Janeiro de hoje”.

Foto: Marcus Camargo

O figurino de O que ainda guardo promove uma concepção orgânica de imagens, mesclando o fim dos anos 1950 e a década de 1960 com o agora. Formatos de ondas delineiam roupas, cenário, um contexto de dia de luz e festa de sol.

Os bailarinos fazem movimentos que aparentam ser simples, mas possuem uma técnica complexa, para transmitir ao público a origem da Bossa, derivada do samba e com elementos do jazz, e resgatar a história da Quasar. “O espetáculo retoma vários espetáculos meus ao longo desses 30 anos. Até por isso, a escolha do nome O Que Ainda Guardo. Trata-se do que guardo da Bossa Nova e dos meus trabalhos”, afirma o coreógrafo.

O início do espetáculo é cronológico, passando pelo período que dá origem à Bossa Nova, com canções de Angela Maria, Nelson Gonçalves, Maísa e Cauby Peixoto, mas logo se torna “uma viagem por vários ambientes e climas”, comenta Rodovalho. “É um espetáculo eclético, de leveza, mas com uma técnica muito bem desenvolvida”, diz. A coreografia não é uma história ou uma ideia que se desenrolano tempo da encenação.

Foto: Marcus Camargo

As letras das canções de Bossa Nova foram pontos-chave para que um tipo de movimento se arquitetasse entre coreógrafo e intérpretes. Os temas abordados pelos compositores, muitos deles ligados ao cotidiano da época, nesta trilha sonora são cantados como se fossem conversas entre amigos. A partir daí, o espetáculo se revela como um diálogo provocativo e nada previsível, entre as canções e seus temas, e as coreografias que foram criadas e seus movimentos. Este é um trabalho que antes de ter sido iniciado suscitou diversos questionamentos, principalmente sobre como a música move a dança da Quasar, e sobre como é possível traduzir uma obra musical tão própria em um espetáculo cênico instigante e moderno.

Foto: Marcus Camargo

O que ainda guardo não é um relato linear. A coreografia não é uma história ou uma ideia que se desenrola no tempo da encenação. As relações criativas entre músicas e movimentos se dão em vários níveis de harmonia ou confronto. As letras das canções de Bossa Nova foram pontos-chave para que um tipo de movimento se arquitetasse entre coreógrafo e intérpretes. Os temas abordados pelos compositores, muitos deles singelos e ligados a um cotidiano ingênuo e pueril, nesta trilha sonora são cantados como se fossem conversas entre amigos, e esta maneira coloquial de fazer poesia inspirou um tipo de movimentação que permeia toda obra.

A partir daí o espetáculo foi se revelando como um diálogo provocativo e nada previsível, entre as canções e seus temas, e as coreografias que foram criadas e seus movimentos. O corpo se tornou, então, linguagem em si e expressão de algo maior. O espetáculo, que estreou em 2018, ainda faz uma homenagem aos 30 anos da Quasar, resgatando imagens que retomam a essência da companhia. Instantes de espetáculos que se tornaram preciosos e únicos em nossa trajetória, e que cintilam nesta nova criação, provocando uma espécie de reminiscência em nossos espectadores.

Foto: Marcus Camargo
Onde:
Teatro Alfa
Quando:
14 e 15 de setembro/2019
Sábado às 20h
Domingo às 18h
Quanto:
R$ 90; R$ 75
Info:

Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, São Paulo (SP), tel. (11) 5693-4000 | 0300 789-3377. Site: www.teatroalfa.com.br. Ingresso rápido ou pelos telefones: 11 5693-4000 | 0300 789-3377. Acessibilidade – motora e visual. Estacionamento: Sala A. Vallet R$ 45,00 Self Park R$ 31,00.

Capacidade: 1.110 lugares.