Programação de dança começando em 2022: Eliana de Santana apresenta Tudo que é imaginário, existe e é e tem no Sesc 24 de Maio

Tudo que é imaginário, existe e é e tem, de Eliana de Santana, que estreou em dezembro de 2021, volta à cena neste início de 2022, no Sesc 24 de Maio.

Foto: Isabelle India

Este solo de Eliana de Santana, da E² Cia de Teatro e Dança, de São Paulo,  foi construído a partir da fala assertiva e desconcertante de Estamira Gomes de Sousa (1941-2011), mulher que trabalhava no aterro sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, e que teve a vida apresentada no filme-documentário Estamira, de Marcos Prado.

A obra cinematográfica é carregada de falas e ensinamentos filosóficos profundos sobre o descaso público, a constante violência social e outros assuntos caros a Estamira, tida como uma mulher com distúrbios mentais, mas também como uma grande profetisa dos nossos tempos. O título do solo de Eliana de Santana – Tudo que é imaginário existe e é e tem – é uma das frases ditas por Estamira no documentário.

“Cada palavra de Estamira é um estupor. Fico muito comovida em fazer esse trabalho porque os ensinamentos dela são muito potentes, sobretudo neste momento que estamos vivendo no Brasil”, comenta a artista.

Foto: Isabelle India

Segundo Hernandes de Oliveira, diretor de arte, cenógrafo e iluminador, o espetáculo dá prosseguimento à pesquisa de Eliana de Santana e seu grupo, que traz a palavra e a visualidade como referências para diversas possibilidades de construção no corpo e na cena. “Existe uma trilha sonora, mas também muito silêncio, pois eles são importantes para a confecção deste trabalho, assim como uma luz discreta e poucos elementos cênicos, como um carrinho de mão carregado de flores”, comenta Hernandes.

A obra busca trazer para o palco a força das palavras de Estamira em consonância com seu corpo e gestos. Como reforça a equipe de criação da E² Cia de Teatro e Dança, esses elementos foram captados com maestria no filme de Marcos Prado e funcionaram como uma espécie de guia para a criação da obra.

O documentário dirigido por Marcos Prado, base para a criação deste solo em dança, toca em várias feridas sociais, como a sedução pelo capital, o prestígio sem obra, a indiferença com o outro e o silêncio diante do horror nesses tempos de apagamento de toda singularidade. Nas palavras do próprio diretor, o documentário sobre Estamira acompanha sua trajetória trágica e traz um nível maior de compreensão para a força de sua fala.

Foto: Isabelle India

A pesquisa artística realizada por Eliana de Santana está alicerçada em dois modos de operação: o anônimo como tema, ou seja, aquele que tende a ser invisibilizado e a ocupar papéis restritos e pré-determinados na sociedade contemporânea e acasos na criação, pois o acaso propicia arranjos, composições e formas distintas do habitual, o que permite, dentre outras interpretações, camadas maiores de consciência do movimento e da corporeidade.

O sujeito anônimo, inclusive, é uma das bases estruturais da pesquisa da E² Cia de Teatro e Dança e se personifica com Estamira, profetisa dos nossos tempos que foi barbaramente abandonada pelo sistema vigente, deixando um legado por meio de palavras filmadas ou transcritas que revelam um testemunho maior de sua visão de mundo.

Foto: Isabelle India

Ficha técnicaDireção e interpretação: Eliana de Santana. Direção de arte, cenografia e iluminação: Hernandes de Oliveira. Pesquisa sonora: E2 Cia de Teatro e Dança. Produção: E2 Cia de Teatro e Dança / Corpo Rastreado. Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques (assistentes: Daniele Valério e Diogo Locci).

Foto: Hernandes de Oliveira

Sobre a E² Cia de Teatro e Dança

Dirigida por Eliana de Santana, a E² Cia de Teatro e Dança atua na cidade de São Paulo desde 1996. Realiza uma pesquisa em dança contemporânea que tem como ponto de partida a referência/inspiração na literatura brasileira e na obra de diversos artistas visuais, investigando poéticas ligadas à temática do sujeito anônimo. Artista da cena, intérprete e coreógrafa, Eliana de Santana iniciou-se no teatro em 1984, estudando e trabalhando com diretores como Antunes Filho (CPT), Antônio Abujamra (no espetáculo A Serpente) e Gerald Thomaz (no espetáculo UnGlauber). Em 1996 estreia Tragédia Brasileira, seu primeiro trabalho autoral de dança, inspirado em texto homônimo de Manuel Bandeira. Criou o solo Das Faces do Corpo, inspirado na obra fotográfica de Arthur Omar. Em novembro de 2006, estreia Francisca da Silva de Oliveira – Chica da Silva – Um Esboço, pesquisa contemplada com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna. Em 2008/2009, Eliana de Santana cria … e das outras doçuras de deus, inspirado em crônicas de Clarice Lispector, recebendo o Prêmio APCA na categoria Intérprete Criador em Dança em 2011.

Foto: Hernandes de Oliveira
Onde:
Sesc 24 de Maio (Teatro – 1º subsolo)
Quando:
14 e 15 de janeiro/2022
Sexta e sábado às 20h
Quanto:
R$ 40 (inteira) e R$ 20 (demais categorias)
Info:

Sesc 24 de Maio: rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo (SP).

Venda de ingressos on-line: https://www.sescsp.org.br/programacao/tudo-que-e-imaginavel-existe-e-e-tem/

Duração do espetáculo: 60 minutos.

Capacidade do teatro: 216 lugares.

Classificação etária: 16 anos.