Ocupação Artística CRD 2021 destaca o tema “Corpos Dissidentes”

De 30 de novembro a 4 de dezembro, a Cooperativa Paulista de Dança (CPD) se une a parceiros para promover a Ocupação Artística CRD 2021, desta vez, com o tema Corpos Dissidentes. A Ocupação acontece de modo presencial, trazendo apresentações artísticas (de acordo com os protocolos sanitários vigentes), além de wokshops, mesas de discussão e debates sobre políticas públicas de acessibilidade para o setor da dança. Uso de máscaras é obrigatório.

Com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, a Ocupação Artística CRD 2021 – Corpos Dissidentes é produzida, colaborativamente, pela Cooperativa Paulista de Dança (CPD) em parceria com os movimentos Fórum de Danças da Zona Sul e Sudoeste, Colegiado da Dança do Estado de São Paulo, Espaço Cultural Adebankê, Movimento Circular Danças Leste e artistas independentes. Com o intuito de retomar as artes da presença para todas as danças, após quase dois anos de isolamento, a Ocupação Artística leva ao Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo (CRDSP) o trabalho criativo de corpos que pensam a cidade em suas singularidades, procurando ampliar o acesso à cultura de modo amplo e sustentável.

Ocupação Artística CRD 2021 – Corpos Dissidentes: um manifesto

“Propõe como projeto de vida outros modos de pensar e produzir dança a partir de suas especificidades, diferenças e pluralidades. Corpos que se movimentam e dizem sobre suas existências, territórios e pertencimentos. Por uma corporalidade dissidente que provoca novos estados de atenção pelos caminhos pulsantes da tríade raça, classe e gênero. Que valoriza a ancestralidade, a acessibilidade e suas singularidades, as potências periféricas e os saberes afrodiaspóricos. Que produzam danças para todes, todas e todos, contra o fascismo e que busque o bem viver dos artistas. A Ocupação Artística CRD 2021 convida a nos reinventarmos nas frestas das perspectivas dançadas. Prosseguir em novos passos como subversão das estéticas hegemônicas e opressoras impostas. Oferecemos as nossas subjetividades desobedientes: CORPAS DISSIDENTES.”

 

Ocupação Artística CRD 2021 – Corpos Dissidentes

Programação completa

 

Abertura Oficial: 30/11 (terça-feira), 18h

Convidado: Salloma Salomão

Salloma Salomão é compositor, educador, ator, dramaturgo autoformado e socialmente construído. Dialogando de forma tensa com as produções artística e cultura hegemônica, criou uma obra que se estende dos dias atuais ao início dos anos 1980. Sete CDs Gravados, três DVDs, textos publicados em revistas e livros impressos e meios digitais. Doutorado em História pela PUC-SP, com estágio na Universidade de Lisboa. Se projeta como intelectual/artista público e educador no ensino superior. Desenvolve projetos continuados de formação de educadores/as e artistas. Cria e difunde pesquisa e música para teatro, dança e cinema por Cidade Murada (2018) e atuação Projeto Teatral Fuzarka dos Descalços (Prêmio Cultura Inglesa 2019) do Coletivo dos Anjos. Participou dos documentários Dentro da minha pele, de Venturi Gomes, Negro em Mim, de Macca Ramos e Deixe que digam, sobre o cantor e compositor Jair Rodrigues, do cineasta Rubens Rewald, ECA -USP. A realização da trilha sonora autoral do filme Todos Mortos, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, selecionado para o Festival de Cinema de Berlim e Premiado no Festival de Cinema de Gramado em 2020.

Foto: Divulgação
"Avoapé", de Pretas Bàs

 

30/11 (terça-feira), 19h na Sala Cênica

Espetáculo Avoapé – Pretas Bàs

O espetáculo Avoapé conta os desafios da pandemia e a aridez da vida do trabalhador brasileiro. Através da dança híbrida e da poesia, Rodrigo Alcântara traz a história de tantas e tantas pessoas, que lutam nesse momento contra ainda mais adversidades e desamparo social. O espetáculo é a continuidade da pesquisa cênica do Projeto Diário de Um Certo Artista, iniciada em 2019. Para a criação da obra de 2021, o Coletivo Diário se aprofundou na cena Currículo, refletindo sobre os caminhos que se abrem e se fecham o tempo todo para quem não tem o exigido pelo sistema.  Avoapé nasce e se potencializa a partir das colaborações artísticas periféricas, contando com trilha sonora de Clarianas e atuação dos bailarinos Terená Kanouté, Nayara Romana, Sofia Serafim e Rafael Oliveira.

 

Dia 1º/12 (quarta-feira), 10h30 às 12h Obrigatório o uso de máscaras

Workshop: Encontro pelos corpos diversos – Clayton Brasil

Público alvo: professores(as), bailarinos(as), coreógrafos(as) a partir de 18 anos.

 

Dia 1º/12 (quarta-feira), 16h Dança na Fonte com música ao vivo

Espetáculo Só se for agora Núcleo Improvisação em Contato e Macaco Fantasma. Direção e concepção: Ricardo Neves. Integrantes do Núcleo: Dresler Aguilera, Mariana Taques, Ricardo Aparecido Silva e Ricardo Neves.

Música ao vivo: Macaco Fantasma – Chris Cruz e Flávio Fernandes.

Sinopse: A relação entre o conhecido e o imprevisível. Corpos que se encontram e buscam a improvisação e o contato físico como meio de comunicação na impermanência do instante. Com ou sem acordos prévios, sabemos que nunca dançamos sozinhos. Revelar o invisível através da dança, expressa-se na relação entre corpo, espaço e a música. Como criar conexões entre passado, presente e futuro? Como utilizar o frescor da memória para criar em tempo real? É possível preencher as lacunas da consciência enquanto nos movemos?

 

Dia 1º (quarta-feira), 18h

Mesa de debate: Sesi, Sesc e Itaú

 

Dia 2/12 (quinta-feira), 10h30 às 12h30 Obrigatório o uso de máscara

Workshop: Dança para todos os corpos – Marcos Abranches

Público alvo: pessoas interessadas, com ou sem conhecimento de dança, acima de 16 anos

 

Dia 2/12 (quinta-feira), 15h às 16h30 – Obrigatório o uso de máscara

Workshop:  Danceability – Estela Lapponi

Público alvo: pessoas com e sem deficiência, LGBTQI+ com ou sem experiência em artes cênicas.

Dia 2/12 (quinta-feira), 17h às 18h

Programação de vídeos

Curadoria Marcos Moraes e Estela Lapponi

  1. Coração Transforma Bomba (4:30)

Poesia e Vídeo de Edinho Santos

Tradução: Erika Mota

Edinho Santos é surdo e atua como pedagogo, ativista, bartender, produtor, ator e poeta. Como produtor, organizou os eventos: Vibração, O Bloco Vibramão, Sencity – Museu Arte Moderna (MAM-SP) e Setembro Azul, no Itaú Cultural. Como educador, compôs a equipe do MAM/SP, do Museu do Futebol e do Museu Afro Brasil. Faz parte da organização Slam de Surdes.

  1. O Grito (11:24)

Direção: Gal Oppido – Com Marcos Abranches e Alessandra Grimaldi. Baseado no espetáculo O Grito, de Marcos Abranches.

III. SELFISHcâmera (5:15)

Videodança realizada por Estela Lapponi (videomaker e performance), trilha e guitarra: Lirinha Morini. Realização: Casa de Zuleika

Sinopse: uma dançarina que é ao mesmo tempo a videomaker em noites de sábado de quarentena. Pélvis, pés, cabeça, perspectivas desconcertantes e movimentos mareantes acompanhados de uma guitarra intermitente. Quais são as nossas perspectivas agora?

  1. Seliberation #2 (5:51)

Videoperformance, concepção e performance: Estela Lapponi

Direção do projeto e direção de arte: Liara Pinheiro

Produção: Estúdio Dracena – Projeto Manas da Ai¥è Parceiro Casa de Zuleika

Sinopse: (se libertar + celeberation = versão indiana do inglês, celebration). Encaro o cânone das proporções. Me canso do cânone das proporções. Insisto no cânone das proporções. Me canso do cânone das proporções. Risco o cânone das proporções. Antropofagio o cânone das proporções. I seliberate you. You seliberate me. We seliberate us!

  1. Só se fechar os olhos (31:00)

Vídeo espetáculo, criação conjunta: Edgar Jacques, Enrique Menezes, Maria Fernanda Carmo e Mariana Farsetta. Criação e direção: Edgar Jacques. Composição e Viola Caipira: Enrique Menezes. Violoncelo: Rafael Ramalhoso. Produção: Coletivo Desvio Padrão.

Sinopse: num tabuleiro, duas rainhas – opostas mas complementares – descobrem movimentos possíveis para além da norma. Se o espectador fechar os olhos e abrir os ouvidos, ele as vê. E elas dançam. Com concepção e performance de Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta, Só se fechar os olhos é uma experiência sinestésica que resulta da colaboração entre a mente do espectador e o fluxo incontrolável de uma coreografia. O texto que descreve essa dança inusitada, escrito por Edgar Jacques – ator e dramaturgo cego desde a infância – é narrado sobre trilha sonora original executada por Enrique Menezes (composição e viola caipira) e Rafael Ramalhoso (violoncelo).

Edgar Jacques é ator formado pelo Teatro Escola Macunaíma, também realizou cursos na Escola de Atores Wolf Maya (interpretação para televisão), canto popular com a Professora Tuca Fernandes, dança e dramaturgia em cursos livres. Escreveu as peças Colibri o Ator Cego (Prêmio da Secretaria dos Direitos da Pessoa Com Deficiência do Estado de São Paulo). Um Homem Comum, transformada em livro em 2019 e o espetáculo de dança sonora Só Se Fechar os Olhos. Integra o elenco do projeto Teatro Cego, e participou da montagem de O Rouxinol e a Rosa, espetáculo infantil que trata a acessibilidade como conceito estético. Em 2020, realizou o espetáculo virtual De Que Cor É a Chuva, que também preconiza o acesso de pessoas cegas e surdas na raiz criativa da montagem. Desde 2016, é consultor em audiodescrição e já realizou trabalhos em cerca de 650 projetos. Entre eles: exposições, óperas, musicais, peças de teatro, fotografias, programas de televisão, animações, séries e filmes.

 

Dia 2/12 (quinta-feira), 18h às 20h

  1. Roda de Políticas Públicas e Acessibilidade Ampla na Dança

Para pensarmos em políticas transversais, focando acessibilidade em diversos sentidos: a questão dos artistas PcD, a questão das zonas periféricas da cidade, a acessibilidade aos processos de inscrição e seleção nos editais públicos, as verbas destinadas aos programas, a busca por novas linhas, políticas e programas de acesso ao recurso público, entre outros temas.

Participantes:

Artistas DEF: Marcos Abranches, Edinho Santos, Edgar Jacques e Estela Lapponi; Presidenta da CPD – Cléia Plácido (ou representante); Secretária de Cultura Aline Torres (ou representante); Secretária da Pessoa com Deficiência Silvia Grecco (ou representante). Em formato de roda, com participação de todes interessades. Mediação: Estela Lapponi.

 

Dia 3 (sexta-feira), 10h30 às 12h – Obrigatório o uso de máscara

Workshop: A eutonia como arte e presença – a dança e o autocuidado pela prática corporal da eutonia – Claudia Palma

Público alvo: acima de 16 anos e todes que se interessam pelo movimento.

Foto: Felipe Lwe
"Folayan", do Coletivo de Sonhos

Dia 3 (sexta-feira), 15h – Telão na Fonte, com roda de conversa no final –

Exibição de vídeo do espetáculo Folayan – andar com dignidade: negro sim, negro sou! – Coletivo de Sonhos

Direção Artística: João Pirahy.

Elenco: Cellia Rodrigues, Fernando Ventturini, Mylena Cardoso, Paulo Galdino, Tatiana Silva e Will Lima.

Sinopse: O espetáculo Folayan – Andar com Dignidade: Negro Sim, Negro Sou! foi construído a partir de olhares subjetivos de dança contemporânea e afrobrasileira, depoimentos pessoais, poemas e uma percussão contagiante. Folayan nos remete a um diálogo ancestral, que se transforma num grito de liberdade, que sutilmente nos embala ao propor reflexões do tipo: “…se não r pra ser amor, que seja pelo menos respeito!

Foto: Gal Martins
"O que eu costumo engolir", de Zona Agbara

Dia 3 (sexta-feira), 16h – Dança na Fonte

Espetáculo O Que Eu Costumo Engolir? – Zona Agbara

Direção Artística e Concepção: Gal Martins.

Direção Coreográfica: Rosângela Alves.

Elenco: Letícia Munhoz, Iolanda Costa, Rosângela Alves, Thaís Dias, Suzana Araujo e Gal Martins.

O corpo sempre foi um espaço de disputa e, ao longo da história, ele foi modelado e remodelado a partir de uma série de discursos normatizantes e disciplinadores. Tomando o homem branco ocidental como símbolo máximo e universal da humanidade e civilização, cientistas europeus dissecaram, mediram, patologizaram e classificaram os corpos considerados desviantes do padrão masculino e eurocêntrico. Esse discurso científico justificou uma série de práticas políticas racistas e sexistas, institucionais ou não que permanecem até os dias de hoje. O QUE EU COSTUMO ENGOLIR? é uma provocação cênica que retrata o cotidiano da mulher preta e gorda, na sua tentativa constante de afirmação. É uma performance onde o público é convidado a participar diretamente e responder este questionamento que leva o título através de um contato direto com as intérpretes. Com as interações, serão ativados fragmentos coreográficos que criam um estado de presença e de regurgitar as condições para qual esses corpos são designados.

 

Dia 3 (sexta-feira), 18h – Dança na Sala Cênica

Espetáculo Iku Núcleo Ajeum

Direção, concepção e coreografia: Djalma Moura

Intérpretes-criadores: Aysha Nascimento, Djalma Moura, Erico Santos, Marina Souza, Sabrina Dias e Victor Almeida

Artistas residentes/estagiários: Eri Sá e Juliana Nascimento Orientação de pesquisa: Bruno Garcia Onifadé

Direção musical: Dani Nega

Sinopse: uma comunidade é construída por centenas de acordos entre si. Acordos que operam na manutenção da vida, da pulsão existencial, dos prazeres e das partilhas que possam gerar sentido. O toque de Iku é um portal ambíguo que despeja desconfortos. Os ciclos nascimento, vida e passagem são a integração do vir a ser. Como um organismo vivo que revitaliza e se transforma a cada movimento e é nesse movimento que descobre suas subjetividades. Iku é a energia surpresa que cria rupturas na circulação do axé puxando outras camadas de renovação. É um gozo que                                                                                       descarrega os excessos. É a possibilidade de ancestralizar. A fuga da morte é o que temos em comum, mas Iku nos alcançará de uma forma ou de outra. O beijo de Iku é temido e a força desse temor é o que faz nossos corpos buscarem a revitalização das experiências comunitárias.                                                                     

 Dia 3 (sexta-feira), 19h – na Fonte

Programa Cena – Entrevistas com Coletivos da Zona Sul

Apresentação: Renan Marangoni.

Organização do Programa: Grupo Corpo Molde.

Companhias Convidadas: Cia. 7 de Dança, Cia. Diversidança, Cia. Sansacroma, Novo Corpo, Cia. de Dança e Pepalantus.

Sinopse: o Cena nasce no ano de 2020, com o objetivo de compartilhar experiências, vivências e aproximação da classe da dança brasileira, fortalecendo um dos pilares de estudos promovido pelo grupo Corpo Molde, que é o pilar da História & Memória. O projeto apresentado pelo diretor e coreógrafo, Renan Marangoni, busca promover a aproximação de artistas que compõem a cena da dança brasileira em um jogo de entrevistas interativas em formato de “talk show”. Com o papel de difundir a linguagem da dança e promovendo o reconhecimento das transversalidades presentes na concepção da dança cênica brasileira, o projeto visa valorização do contexto histórico e a memória da dança brasileira, temos enquanto objetivo colocar pontos essenciais do setor em pauta, como: concepção artística, metodologia de pesquisa cênica, trajetória, problematizações vivenciadas dentro do setor cultura e da linguagem da dança, aproximação com a cultura tradicional/clássica brasileira, percepção e análise crítica da produção artística, acessibilidade, investimento no setor cultural, pluralidade de linguagens de produção, formação acadêmica e técnica, carreira nacional e internacional, dentre   tantos eixos  temáticos já abordados em 35 programas e que já impactou cerca de 3.859 espectadores via redes sociais do grupo Corpo Molde.

 

Dia 4 (sábado), 10h às 11h30 Obrigatório o uso de máscara

Workshop: Jazzdance – Jhean Allex

Público alvo: pessoas com experiência em dança.

Dia 4 (sábado), 12h às 13h30 – Obrigatório o uso de máscara

Workshop: Danças Urbanas – Estilos Locking e Popping– Frank Ejara

Publico alvo: Pessoas interessadas, com ou sem conhecimento de dança

Dia 4 (sábado), 13h30

Mostra em vídeo: Adverso Coletivo (São José do Rio Preto) Laboratório da Dança (Santa Bárbara d’Oeste) Núcleo Tentáculo (SP)

 

Dia 4 (sábado), 14h

Mesa de Debate:  Coletivos de Dança

 

Dia 4 (sábado), 16h Dança na Fonte – Colegiado de Dança do Estado de São Paulo

Sopro Cia. de Dança (SP), Grupo Divinadança (SP), Raça Cia. de Dança (SP), Cia. Experimental de Dança Conceito Urbano (SP)

 

Dia 4 (sábado), 17h15 – Intervenção Corredor – Anderson Couto Cia. de Dança (SP) – Colegiado de Dança do Estado de São Paulo

 

Dia 4 (sábado), 17h30 – Dança na Sala Cênica

Anderson Couto Cia. de Dança (SP), Anacã Cia. de Dança (SP), Cia. Kahal (Jundiaí), Grupo Divinadança (SP), Raça Cia. de Dança (SP)

 

Dia 4 (sábado), 19h – Encerramento

JAM – Frank Ejara/Ricardo Neves (Colab.)

Onde:
Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo (CRDSP)
Quando:
30 de novembro a 4 de dezembro/2021
Quanto:
Grátis
Info:

Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo (CRDSP): Baixos do Viaduto do Chá, s/n. Praça Ramos de Azevedo, Anhangabaú. Estações de metrô: Anhangabaú, República e São Bento.