Obra de Amélia Toledo inspira “Sempre mais que um”, nova criação de Marcus Moreno

Marcus Moreno, artista da dança de São Paulo, vem desenvolvendo um expressivo trabalho solo. Agora, com a estreia de Sempre mais que um, ele investe mais intensamente na direção de grupo, neste trabalho coreográfico interpretado por Diego Freire, Maria Fernanda Machado, Mariana Molinos, Raony Iaconis e Rebeca Tadiello, que assinam a criação junto com Moreno.

O espetáculo estimula reflexões sobre a concretude e a efemeridade à qual pertencemos, sob inspiração da obra de Amélia Toledo (1926-2017), artista plástica referencial da arte brasileira, que a partir da década de 1970 deteve-se mais intensamente nas formas da natureza, agindo minimamente sobre materiais como conchas e pedras, recolhidos no meio ambiente.

Sempre mais que um se refere aos vários corpos existentes em um corpo presente, permeado pelo espaço e por temporalidades. “O eu do agora é o eu de muitos, atravessado por matérias, memórias, ancestralidades; o eu é o outro e é capaz de acionar distintas constelações a cada novo encontro”, pondera Marcus Moreno que, em dez anos de trajetória artística, tem buscado na dança maneiras de investigar o estado presente das coisas. “As possibilidades são infinitas, já que o presente que aqui está já não é mais, quando se faz possível nomeá-lo.”

Desdobramento de uma residência artística conduzida por Moreno, Sempre mais que um também se desenvolveu a partir da disponibilidade dos cinco performes do elenco, que se permitiram contaminar pelo frescor desse estado de antecedência, o qual parece só poder ser construído com o fluxo contínuo do dinamismo do campo relacional, ou seja, quando afetamos e nos deixamos afetar.

Acompanhados pela luz de Hernandes de Oliveira e a trilha original composta por Antonio Prado, corpos materializam imagens e são diluídos com o espaço. Entre cruzamentos de ideias, referências e questões de como produzir espaços de afeto coletivo por meio da fisicalidade, uma citação do filósofo italiano Emanuele Coccia também balizou a busca permanente dos criadores intérpretes por atualizar o momento presente: “Viver nada mais é do que se misturar à vida dos outros”.

Sempre mais que um é parte do projeto Lembrei que Esqueci, contemplado pelo 29º edital do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

Ficha técnica – Concepção e direção: Marcus Moreno. Criação e dança: Diego Freire, Maria Fernanda Machado, Mariana Molinos, Raony Iaconis e Rebeca Tadiello. Criação de luz e espaço cênico: Hernandes de Oliveira. Trilha original: Antonio Porto. Conceito de figurino: Marcus Moreno. Artista em processo de formação: Rafaela Maciel. Palestrantes convidados: Christine Greiner e Marcus de Lontra Costa. Aulas abertas: Michele Mattos e Rafaela Sahyoun. Fotos: Juliana Vinagre e Silvia Machado. Design gráfico e mídias sociais: Juliana Vinagre. Registro em vídeo: Nome Filmes. Assessoria de Imprensa: Elaine Calux. Mediação de público: Portal MUD. Audiodescrição: Ver com Palavras. Assistente de produção: Junior Cecon. Produção executiva: Cristiane Klein. Direção de produção: Dionísio Produção.

Foto: @juvinagre

Sobre Marcus Moreno:

Mestrando em Artes da Cena pela Unicamp, tem formação em Comunicação das Artes do Corpo, especialização em Técnica Klauss Vianna (PUC-SP), e licenciatura pela Universidade Anhembi Morumbi. Desde 2012, realiza criações solo, em colaboração com artistas convidados, como A Imagem como Ausência (2013), A Flor da Lua (Residência Casa das Caldeiras/2016), Estudo para o Encontro (2017), Instante-já, indicado ao Prêmio APCA de Dança/2019 (Espetáculo/Estreia e Criação de Luz e Espaço Cênico de Hernandes de Oliveira), e Entre Espaço Onde Tudo Existe (2021). Desde 2016, desenvolve os Encontros Efêmeros, criando trabalhos de improvisação com artistas da cena contemporânea. É programador da Oficina Cultural Oswald de Andrade.

Onde:
Galeria Olido
Sala Olido
Quando:
15 a 17 de julho/2022
Sexta às 15h e 19h
Sábado às 19h
Domingo às 18h
Quanto:
Grátis
Info:

Av. São João, 473, Centro, São Paulo (SP). Estações de metrô: República, Anhangabaú e São Bento.

Apresentações do dia 15/7: com recurso de audiodescrição.

Duração: 40 minutos.

Classificação etária: 12 anos.