Núcleo de Improvisação de Zélia Monteiro estreia ‘Entre o que se imagina e o que se pode tocar – Com palavras no meio’

O Núcleo de Improvisação, grupo de pesquisa em dança contemporânea orientado pela bailarina e coreógrafa Zélia Monteiro estreia Entre o que se imagina e o que se pode tocar – Com palavras no meio.

No palco, os bailarinos-improvisadores Ernesto Filho, Marcela Páez, Mel Bamonte, Paulo Carpino, Vitor Vieira, junto com Zélia Monteiro, que assina a direção, dançam vendados.

Entre o que se imagina e o que se pode tocar – Com palavras no meio é o título do texto de João Bandeira no livro Memórias do Brasil, do fotógrafo esloveno Evgen Bavcar, que teve o  olho esquerdo perfurado por um galho de árvore aos dez anos e o direito lesionado pela explosão de uma mina um ano depois, deixando-o cego.

Aos 16 anos, Bavcar tirou uma fotografia e pediu para que alguém lhe contasse o que havia registrado. Surgia assim um dublê de artista contemporâneo e filósofo do olhar. De alguma forma suas imagens também devem ser entendidas como o resultado formal de uma associação de palavras, e não de imagens.

Foto: Camila Picolo

Olhos vendados

Contemplado pelo Programa de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, Entre o que se imagina e o que se pode tocar – Com palavras no meio é  uma dança que nasce no corpo provocado para desestabilizar seus padrões de comportamento. “É a tentativa e procura de ‘novas estabilidades’ que, no entanto, serão efêmeras. Pulando de arranjo em arranjo, a dança se dá como um navegar pelo fluxo dos acontecimentos, no jogo entre figurino, luz, espaço e público”, explica Zélia Monteiro.

Em seus trabalhos anteriores Zélia destacou a questão da memória. No espetáculo Sob o meu, o nosso peso, recuperava um lugar e uma história de sua família e em Percursos Transitórios voltava para a história do seu corpo de bailarina. Dessa vez, o foco está nas memórias e filtros individuais de cada bailarino e como cada um se enxerga e se relaciona com o outro. Com os olhos vendados, cada bailarino se apropria de danças particulares, gerando conflitos que impulsionam a dança e tecem outras dramaturgias.

Idealizadas pela figurinista Joana Porto, as máscaras para cobrir os olhos que o elenco usa durante o espetáculo foram criadas especialmente para cada bailarino. Fotos foram tiradas dos olhos dos componentes e depois estampadas nas vendas, ou seja, apesar de estarem de olhos fechados o público vê os bailarinos como se estivessem com os olhos abertos.

Sem música

Pela primeira vez um espetáculo da bailarina Zélia Monteiro não terá música. Os bailarinos dançarão em números de improvisação, procedimento característico da tendência estética do Núcleo, para desencadear outras resoluções coreográficas. “Nossa ideia, com a coreografia, não é simplesmente só destacar a dança, mas dialogar com tudo que está à nossa volta, como o espaço, figurino e luz”, conta Zélia Monteiro.

A iluminação criada e operada por Hernandes Oliveira também é sempre improvisada nos espetáculos do grupo, porém para a nova montagem o iluminador passará grande parte do espetáculo vendado.

Sobre Zélia Monteiro

Estudou dança clássica e foi assistente de Maria Melô, aluna de Enrico Cecchetti no Scalla de Milão.  Trabalhou por oito anos com Klauss Vianna, de quem também foi assistente, participando de seu grupo de pesquisa e criação. A partir dessa experiência intensificou seu trabalho no sistema didático e artístico criado por ele.  Após a morte de Klauss, Zélia mudou-se para Paris onde trabalhou com Mme. Marie Madelaine Béziers (Coordenação Motora), Mathilde Monnier, Peter Goss, Daria Faïn (Dança Contemporânea) e Yvonne Berge (Improvisação para crianças). Foi premiada pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) em 1987, 1992, 1998, 2010 e 2016. Dá aulas regulares de balé na Sala Crisantempo e é professora no curso de Comunicação das Artes do Corpo – PUC/SP. Dirige o Núcleo de Improvisação desde 2003.

Veja vídeo sobre Zélia Monteiro emhttps://conectedance.com.br/video/zelia-monteirosob-o-meu-o-nosso-peso/

Sobre o Núcleo de Improvisação

O Núcleo de Improvisação é um grupo de pesquisa em dança contemporânea orientado por Zélia Monteiro, que surgiu em 1998 com a necessidade de alguns artistas em aprofundar e dar continuidade à pesquisa de linguagem iniciada com Klauss Vianna. Estuda a improvisação não apenas como procedimento para explorar e criar novas gramáticas de movimentos, mas fundamentalmente como estrutura de composição do espetáculo. Reúne artistas com experiências em diferentes linguagens: dança, teatro, música e artes visuais. O Núcleo de Improvisação busca inspiração na abordagem e pensamento de Klauss Vianna sobre o corpo e a dança e utiliza estes princípios como meio de estudar, descobrir e criar interfaces entre diferentes linguagens artísticas.

Foto: Camila Picolo
Onde:
Galeria Olido e Teatro Sérgio Cardoso
Quando:
10 a 12 de maio/2019 (Galeria Olido)
22 a 30 de maio/2019 (Teatro Sérgio Cardoso)
Quarta e quinta às 19h
Quanto:
Grátis (Galeria Olido)
R$ 10 e R$ 5 (meia) - Teatro Sérgio Cardoso
Info:

10 a 12 de maio/2019Galeria Olido, avenida São João, 473, Centro, São Paulo (SP), tel. (11) 3331-8399. Estações de metrô: República, Anhangabaú, São Bento.

22 a 30 de maio/2019, quarta e quinta às 19h – Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno, Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, São Paulo (SP), tel. (11) 3288-0136.

Dureção: 50 minutos.

Clasificação etária: 12 anos.