Nova companhia, dirigida por Marília Carneiro, estreia ‘Dona Mariquinha viu e me contou. Experiência Espacial Poética’

Uma nova companhia de pesquisa e criação em dança contemporânea surge nestes tempos em que a pandemia do novo coronavírus traz tantos prejuízos para a produção artística. Dirigido por Marília Carneiro, esse núcleo de criação reúne duas intérpretes – Lidiane Marques e Mylene Corcci – e marca sua estreia com um trabalho site specific para a plataforma Zoom intitulado Dona Mariquinha viu e me contou. Experiência Espacial Poética.

Criada no encontro com as restrições e possibilidades geradas pelo isolamento social derivado da pandemia, Dona Mariquinha viu e me contou. Experiência Espacial Poética divide-se em oito partes, que totalizam 60 minutos de duração. Espaço, movimento e sonhos são os temas centrais da peça. Diversas situações ao longo da obra coreográfica procuram mexer com as sensações de espaço e tempo das pessoas, friccionando dança e audiovisual.

Sem uma narrativa linear, as oito partes – Hall do Teatro, Máquina de Escrever, Caixa Branca, Mapa, A Peixa, Aplausos, Despedidas e Boca a Boca – são uma ode à invenção dos espaços oníricos e poéticos, onde o público fica convidado a criar suas narrativas ou apenas desfrutar do prazer de devanear.

Foto: Divulgação
Mylene Corcci

Poesia e surrealismo

Para Marília Carneiro, Dona Mariquinha viu e me contou. Experiência Espacial Poética permite à plateia experienciar o espaço como poesia, ao entrar em um teatro virtual e viajar em material coreográfico visual provocante à imaginação, e que cabe na palma da mão, ou seja, pode ser visto pelo celular. “Há um trabalho de perspectiva, de profundidade, de direção de movimento, de voz, de dramaturgia. É surrealista e as metáforas, de alguma maneira, reenviam ao isolamento social”, explica a coreógrafa e diretora.

Os movimentos de Dona Mariquinha viu e me contou. Experiência Espacial Poética foram criados a partir de procedimentos que Marília Carneiro desenvolveu nos laboratórios de práticas digitais de Contact Improvisation & outros métodos geniais no mês de abril, logo no início da pandemia. “A obra me satisfaz enquanto artista contemporânea, no cumprimento de um papel social mesmo, de explorar as condições históricas de meu tempo”, explica.

Dona Mariquinha viu e me contou

Construída pela experiência mediada pela tela, a obra coreográfica é um trabalho site specific para a plataforma Zoom. “Todo suporte para a criação da companhia vem da Mucíná – Aquela que Dança, uma plataforma de ensino e pesquisa em prática artística interdisciplinar criada por mim. Mucíná é uma palavra da língua xangana, que estudo em Moçambique, e quer dizer literalmente aquela que dança, a bailarina, o bailarino,”.

Marília também explica a origem do nome do espetáculo. “Há 15 anos morei na região Amazônica e conheci Dona Mariquinha, uma mulher da floresta que me contou da vez em que viu e capturou um curupira. Era uma verdadeira contadora de histórias e Dona Mariquinha viu e me contou. Experiência Espacial Poética é exatamente sobre como contar uma história”, enfatiza.

Foto: Divulgação
Lidiane Marques

Sobre Marília Carneiro

Diretora, coreógrafa, bailarina, pesquisadora, professora doutora em educação, Marília Carneiro fundou e faz a gestão cultural da plataforma interdisciplinar Mucíná – Aquela que Dança, com sede em Campinas, estado de São Paulo. Nasceu em São Paulo, morou em muitas partes do mundo e oito anos no Rio de Janeiro, onde é bacharel em Dança pela Faculdade Angel Vianna e bailarina criadora pelo Ateliê Coreográfico de Regina Miranda. Esteve em residência artística na França, Canadá, Moçambique e África do Sul, com prêmios e bolsas de pesquisa. Pela vida especializou-se em Contact Improvisation (com Steve Paxton), destacando os estudos presenciais com Nancy Stark Smith e Alito Alessi. Na África austral, participa do Festival Kinani de Dança Contemporânea de Maputo desde 2013, dialogando e realizando diferentes formas com renomados artistas contemporâneos que por lá vivem e circulam. Em 2020 produziu a vinda para Campinas de Horacio Macuacua e de Denise Namura.

Onde:
Online, através da plataforma Zoom
Quando:
3 a 31 de outubro/2020
Apresentações dias 3 (sábado), 6 (terça-feira), 15 (quinta-feira), 17 (sábado), 18 (domingo), 24 (sábado), 25 (domingo), 30 (sexta-feira) e 31 (sábado), às 19h
Quanto:
A partir de R$ 20
Info:

Ingressos: sympla.com.br/mucina

Classificação etária: 14 anos.

Duração: 60 minutos.