Marcos Abranches estreia nova versão de ‘O Grito’, inspirado em Edvard Munch

Definido como espetáculo coreo-performático, inspirado na obra homônima do pintor Edvard Munch (1863-1944), O Grito, de Marcos Abranches, estreou em 2015. Agora, a montagem ganha nova versão, com orientação dramatúrgica de Sandro Borelli, além de uma instalação de Jeff Celophane e videoarte de Gal Oppido.

Marcos Abranches interpreta o solo e também assina concepção e direção.

Foto: Gal Oppido

Jeff Celophane, cenógrafo e parceiro artístico de Abranches, apresenta uma releitura do espaço cênico criado para a montagem anterior, com os adereços e múmias criadas por Osvaldo Gabrieli. A instalação, que poderá ser visitada pelo público, vai compor junto com a videoarte de Gal Oppido e a apresentação do espetáculo O Grito, uma atmosfera do expressionismo utilizado no cinema alemão dos anos 1920 – o qual buscava uma representação subjetiva do mundo, revelando as angústias da existência humana através de imagens distorcidas, sombrias e afastadas da realidade, como os pesadelos.

Na entrada da instalação, fotos de Gal Oppido em transparência e grande formato, criam um labirinto que remete a dor, melancolia e solidão.

Gal Oppido, músico, artista visual e fotógrafo ensaísta, parceiro também de longa data de Abranches, registra este trabalho em foto e vídeo, imagens que não necessariamente aparecem no espetáculo, mas que o representam, dando origem à videoarte O Grito. Expandem-se, assim, as fronteiras entre o efetivo e a ficção, o visível e o sugerido, o vivido e o imaginado. O cenário, assim como a instalação e a videoarte, estarão abertos para visitação fora dos horários de apresentação do espetáculo.

Foto: Gal Oppido

O Grito segue uma linha dramática semelhante aos trabalhos anteriores de Abranches. Revisitada em 2019 sob a orientação dramatúrgica de Sandro Borelli, propõe um jogo narrativo muito mais complexo e desconcertante sobre os confrontos com a vida real e certos dilemas da sociedade. A trilha sonora criada por Pedro Simples atua como um forte elemento de cena e contribui com o tom da narrativa e da ambientação cênica. A luz, desenhada por Sandro Borelli, busca amalgamar a obra, conferindo-lhe uma densidade poética.

Foto: Gal Oppido

Vida e obra

O Grito se inicia com uma cena que representa o nascimento do bailarino Marcos Abranches, através de um objeto cênico criado pelo artista plástico Osvaldo Gabrieli, denominado Placenta. Ao longo do espetáculo, outros objetos cênicos concebidos por Gabrieli são explorados por Abranches: um conjunto de múmias de látex que fazem referência à cena inicial de Nosferatu, do cineasta alemão Werner Herzog. Neste filme, Herzog fez uma releitura em homenagem ao clássico anteriormente filmado por Friedrich Wilhelm Murnau, em 1922.

Quando pensou em montar o espetáculo, em 2015, Marcos Abranches se interessou, primeiramente, em contar a história por trás do quadro e as intenções de Edvard Munch. Ao longo da pesquisa, o bailarino foi descobrindo vários pontos em comum com sua história, principalmente nos períodos da infância e adolescência. É essa relação entre sua história e características do famoso quadro que está em cena.

Também serve de referência para O Grito, o filme O Gabinete do dr. Caligari, de Robert Wiene, de 1919 (especialmente para a criação de maquiagem, figurino e cenário do espetáculo).

A reestreia de O Grito faz parte do projeto aprovado pelo 25º edital de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, que ainda inclui um novo espetáculo do artista, com estreia prevista para o segundo semestre de 2019.

Foto: Gal Oppido

 

Sobre Marcos Abranches

Marcos Abranches iniciou sua trajetória como artista independente em 2007, quando trabalhou em coletivo artístico que agregava artistas de diversas linguagens. Em seu cerne, Abranches traz as experiências de ter atuado na Cia. FAR 15, nos espetáculos Senhor dos Anjos, Jardim de Tântalo e Metamorfose, de Franz Kafka, trabalhos dirigidos e coreografados por Sandro Borelli. Principais obras de seu repertório: D.Equilíbrio, Formas de Ver, Via de Regra, Corpo sobre Tela, Canto dos Malditos e O Grito.

Onde:
Oficina Cultural Oswald de Andrade
Quando:
27 de junho a 13 de julho/2019
Quintas e sextas às 20h
Sábados às 18h
Quanto:
Grátis
Info:

Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo (SP). Estação de metrô: Tiradentes.

Capacidade: 40 lugares.

Duração: 60 minutos.

Classificação etária: 14 anos