Letícia Rodrigues estreia ‘0 (zero)’ no Sesc Campinas e depois em São Paulo

0 (zero) é uma dança solo de Letícia Rodrigues, que leva ao palco questões autobiográficas sobre uma condição genética que afeta seu corpo. Em cena, corpo, música e um objeto-corpo pneumático compõem uma dança tecida entre fragilidade, limite e respiração. Uma bolha gigante, que se enche de ar e permanece em cena ao longo da coreografia, é usada pela bailarina, que passa uma parte do espetáculo dentro dela.

Trata-se de uma dança desenvolvida na tessitura entre fragilidade, ontogênese (processo evolutivo acerca das alterações biológicas sofridas pelo indivíduo, desde o seu nascimento, até seu desenvolvimento final), limite e erro. Com música ao vivo e projeção de uma videodança, a coreografia é uma pesquisa em dança que tem como impulso uma forte experiência pessoal, onde o corpo da bailarina embrenha-se com um ser pneumático – indissociáveis, que se retroalimentam e respiram juntos – na construção de um espaço que compõe um organismo único.

Há 10 anos Letícia Rodrigues descobriu que possuía uma condição genética que limitava sua materialidade: a Síndrome da Hipermobilidade Benigna ou frouxidão ligamentar, que deixa suas articulações mais moles e pode afetar a estrutura óssea devido a um erro na produção de colágeno. Para ela, 0 (zero) a leva a refletir, a repensar e a trilhar caminhos para seguir adiante profissionalmente. “O espetáculo fala sobre essa minha condição e os sentimentos e sensações que me atravessam, além de questionar como essa condição amplia possibilidades, ao invés de ser limitante. Se há limites, como dançar com isso? O que é o limite para o corpo que dança? Como a dor pode ser revigorante e te fazer ir além para superá-la?”, explica a bailarina.

Começar do zero

Em 0 (zero) Letícia Rodrigues traz para a cena a estética do erro na dança, em contraponto com os limites do corpo. “O solo é uma pesquisa em dança que já venho tateando, e que agora compartilho, não como forma de vitimismo, mas buscando a fragilidade enquanto potência para o desenvolvimento de uma dança singular. É o desejo de como devo seguir, como posso continuar dançando e quais serão meus próximos passos. A ideia é começar do zero, reaprender”, conta ela.

O espetáculo começa com a bolha gigante (ser pneumático) vazia. Letícia inicia a dança construindo um novo ambiente ao encher a bolha de ar, que representa uma célula ou uma bolsa amniótica. Quando totalmente cheia, a bailarina ocupa os diversos espaços da cena, fora e dentro da bolha – onde acontece a transformação do objeto e do corpo da bailarina como se ambos fossem apenas um.

0 (zero) foi contemplado pelo ProAC Obras Inéditas de Dança (Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo).

Foto: wrzaratini

Sobre Letícia Rodrigues

Atua com trabalhos solos em colaboração com artistas da música, das artes visuais e midiáticas. Tem como foco de pesquisa o processo criativo em dança contemporânea a partir dos diálogos e atravessamentos entre a dança, a música ao vivo e a improvisação, objeto de sua pesquisa de Mestrado CASULO: Corpo Criador. Tem explorado as possibilidades da dança, do corpo e do movimento em videodanças e fotoperformances, em um diálogo estreito com as artes visuais e a música. É mestra em Educação (UNICAMP), bacharel e licenciada em dança (UNICAMP). Contemplada pela Residência Artística LUGARIZAÇÃO (2017), Intercâmbio e difusão cultural MinC (2013) – realizando Residência Artística no Festival Vodun em Ouidah, Benin e Prêmio FUNARTE Artes Cênicas na Rua (2012). Atuou, como artista da dança, em projetos de referência como: Oficina-montagem Abre Alas/Perch [Lume Teatro (Brasil), Legs on the Wall (Austrália) e Conflux (Escócia)], Projeto Palco Aberto/Sesc Pompeia e Projeto Primeiro Passo/Sesc Pompeia. Apresentou seus trabalhos em festivais e mostras de importantes espaços de difusão da dança como Sesc Campinas, Sesc Piracicaba, Sesi Campinas, Centro Cultural São Paulo, Galpão Cine Horto, FUNARTE SP, Virada Cultural Paulista, Cia. Corpos Nômades, Teatro Castro Mendes, Lume Teatro, UNICAMP, UFOP e Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

Ficha técnica de 0 (zero)Dança e concepção geral: Letícia Rodrigues. Provocação: Beatriz Sano. Composição e Música ao Vivo: Gustavo Infante. Dança (participação especial em videodança) – Gabriela Branco. Desenho e operação de luz: Rossana Boccia. Projeção ao vivo: InCápsula. Figurinos: Marjoly Lino. Produção executiva: Bufa Produções (Aline Grisa). Fotos e captação de imagens videodança: wrzaratini. Edição videodança: Esther Lourenço. Projeto gráfico: Elisa Carareto. Registro videográfico: Bruta Flor Filmes. Assessoria de Imprensa: Nossa Senhora da Pauta.

Onde:
Sesc Campinas; Salão do Movimento
CRDSP; Oficina Cultural Oswald de Andrade; Capital 35.
Quando:
7 a 26 de maio
Quanto:
Grátis
Info:

7 a 8 de maio/2019, terça e quarta-feira às 20h: Sesc Campinas – Sala de Múltiplo Uso 2, rua Dom José I, 270/333, Bonfim, Campinas (SP), tel. (19) 3737-1500. Ingressos distribuídos a partir das 18h do dia da apresentação.

 

11 e 12 de maio/2019, sábado às 20h, domingo às 19h: Salão do Movimento, rua Abílio Viléla Junqueira, 712, Barão Geraldo, São Paulo (SP), tel. (19) 3287-8861, Campinas (SP). Capacidade: 50 lugares. Ingressos distribuídos com 1h de antecedência.

 

17 e 18 de maio/2019, sexta-feira às 19h e sábado às 15: Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo (CRDP), Galeria Formosa Baixos do Viaduto do Chá, s/nº, Centro, São Paulo (SP). Estações de metrô: Anhangabaú, República e São Bento.

 

25 de maio, sábado, 18h: Oficina Cultural Oswald de Andrade, rua Três Rios, 363, tel. (11) 3222-2662, Bom Retiro, São Paulo (SP). Estação de metrô: Tiradentes.

 

26 de maio, domingo, 19h: Capital 35, rua Capital Federal, 35, Sumará, São Paulo (SP). https://bit.ly/2H5m1KD

 

Duração: 50 minutos.

Classificação etária: 12 anos