Inspirado em Marco Polo, ‘O Livro das Maravilhas’ é a nova criação de A Cozinha Performática

O Livro das Maravilhas é a nova criação de A Cozinha Performática, plataforma colaborativa dirigida por Marcos Moraes que, junto com a poeta e cantora Natalia Barros, dirige o espetáculo.

Livremente inspirado na obra O Livro das Maravilhas – A Descrição do Mundo, do mercador e viajante italiano Marco Polo (1254-1324), o espetáculo surgiu do encontro entre corpo e palavra.

Natalia Barros e Marcos Moraes pesquisaram referências históricas e poéticas em torno do mundo medieval e do oriente, reveladas pelas narrativas de Marco Polo nos mais de 20 anos em que percorreu civilizações no século 13. Para os diretores-criadores foi importante colocar foco na experiência provocada pela viagem e pelo conhecimento do outro. O ponto de partida da criação é o percurso descrito por Marco Polo a Rusticiano de Pisa, romancista italiano conhecido por transpor as viagens do mercador para o papel.

Natalia Barros e Marcos Moraes integram o elenco, ao lado dos intérpretes Isabelle Delmondes, José Artur Campos, Renato Vasconcellos e Biba Rigo.

Em cena, os artistas exercitam diversas linguagens artísticas. A literatura está presente por meio de textos que Natalia interpreta, sendo alguns de sua autoria e outros de escritores que correspondem às nacionalidades mencionadas. Já as artes visuais estão representadas por desenhos – feitos ao vivo por Biba Rigo – projetados na peça. Marcos Moraes interpreta Marco Polo e Natalia faz o papel de uma narradora. Biba Rigo, Isabelle Delmondes, José Artur Campos e Renato Vasconcellos se alternam nos papeis metafóricos das maravilhas encontradas pelo caminho – como animais imaginários e paisagens.

O Livro das Maravilhas está sendo realizado com apoio da 25a edição do Programa de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo.

Foto: Ligia Jardim

Referências
A peça propõe uma recriação da viagem do mercador Marco Polo, que no século 13 (ano de 1271) partiu de Veneza até a corte do imperador mongol Kublai Khan, atual região de Pequim, em um trajeto que possibilitou contato com civilizações até então desconhecidas pelo Ocidente, como a dos povos armênios, afegãos, tibetanos, mongóis, chineses e indianos, entre outros.

“As civilizações que Marco Polo conheceu foram descritas pelos europeus como bárbaras, e no nosso trabalho queremos propor uma reflexão sobre quem realmente é esse outro. Convocar a imaginação e ampliar o imaginário é necessário para podermos acessar o próximo, diz Natalia Barros. A diretora acrescenta que o “diálogo entre pessoas que não falam o mesmo idioma é uma questão que se anuncia no espetáculo e que também foi um dispositivo aplicado durante ensaios para fortalecer a afinidade entre os intérpretes”. O exercício criado pelos diretores foi inspirado por uma passagem da obra As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, que recria literariamente o encontro de Marco Polo com o imperador mongol.

Além de Calvino, outra referência contemporânea é a do líder indígena e escritor Ailton Krenak e de seu livro Ideias Para Adiar o Fim do Mundo. “Ele traz um pensamento ágil sobre nosso tempo. Para o autor, pensar nos povos das terras revela a nossa crise atual e nos faz rever questões que deviam abrir espaço para mudanças”, diz Marcos Moraes.

Figurino e trilha original
O figurino de Claudia Schapira e a trilha original composta por João Taubkin trazem elementos do período medieval transpostos para um contexto contemporâneo. A sonoridade ajuda a determinar os momentos de transição das cenas e cria atmosferas para cada um dos lugares percorridos. Para gerar essa alternância entre o passado e o presente, há misturas inusitadas – um exemplo é o uso de instrumentos antigos, como tambores marroquinos, e o de recursos eletrônicos que modificam a voz.

Com esse trabalho, A Cozinha Performática reforça sua proposta de integração e interdisciplinaridade de linguagens artísticas. “Para nós, não há uma linguagem pura na contemporaneidade. Então, é natural que haja elementos da dança, da poesia e das artes visuais”, afirma Marcos.Sobre a companhia
A Cozinha Performática é uma plataforma artística que desenvolve processos criativos e obras produzidas a partir de encontros entre profissionais de diversas sensibilidades artísticas. Criada e dirigida pelo ator, bailarino e coreógrafo Marcos Moraes, desde 2013 realiza espetáculos, performances, debates, livro, vídeos, eventos de formatos híbridos e outras ações, sempre desenvolvidas de modo coletivo e colaborativo. Da mistura de olhares, práticas e “temperos” de profissionais que criam juntos, surgem as “dramaturgias do encontro”.

Foto: Ligia Jardim

Ficha técnica – Direção: Natalia Barros e Marcos Moraes. Elenco: Biba Rigo, Isabelle Delmondes, José Artur Campos, Marcos Moraes, Natalia Barros e Renato Vasconcellos. Colaboração na pesquisa cênica: Ermi Panzo. Cenário: Biba Rigo. Cenotécnico: Mauro Martorelli. Figurinos: Cláudia Schapira. Costureira: Cleuza Amaro da Silva Barbosa. Vídeo: Marcio Vasconcellos e Biba Rigo. Trilha original: João Taubkin, gravada por Rodrigo Bragança (Estúdio Argila Produções Musicais). Assistência: Marcio Vasconcelos. Direção técnica e luz: Mauro Martorelli. Operação de som: Marcio Vasconcelos. Preparação corporal: Key Sawao e Vania Carvalho. Produção: Corpo Rastreado – Murilo Chevalier. Projeto gráfico: Fernanda Porto e Samuel Tomé. Fotografia: Lígia Jardim. Assessoria de imprensa: Canal Aberto. Rede social: José Artur Campos.

 

Onde:
Oficina Cultural Oswald de Andrade
Sala 11 (Auditório)
Quando:
31 de outubro a 30 de novembro/2019
Quintas e sextas às 20h
Sábados às 18h
15/11, sexta, feriado, às 18h
Quanto:
Grátis
Info:

Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo (SP), tel. (11) 3222-2662. Estação de metrô: Tiradentes.

Duração: 90 minutos.

Retirar ingresso com meia hora de antecedência.