Grupo Yoroboshi Za faz apresentação de Teatro Nô com encenação de ‘Hagoromo’

O Teatro Nô é uma arte clássica japonesa do século 14, considerada patrimônio cultural imaterial da humanidade pela UNESCO, no ano de 2001. Apesar de ter sido reconhecida como uma arte da nobreza do Japão imperial, o Nô nasceu a partir de artes populares do final da era Heian, como o Dengaku e o Sarugaku.

Com o Yoroboshi Za, grupo de pesquisa de Yamato Sarugaku, liderado pelo professor, diretor e artista plástico japonês Jun Ogasawara, o Teatro Nô ganha uma apresentação muito especial.

O evento será dividido em duas partes. A primeira leva o nome de Symposium, termo grego que, na época de Platão, era utilizado para nomear um encontro de pessoas que se reuniam para comer e beber juntos, enquanto trocavam ideias e desfrutavam de música, dança e poesia. Nessa parte, o grupo Yoroboshi Za apresentará os três elementos que compõem o teatro Nô: canto (utai), dança (shimai) e música instrumental (hayashi), de maneira interativa com o público. Na segunda, será encenada a versão reduzida da peça Hagoromo, de Motokiyo Zeami, traduzida por Haroldo de Campos como O Manto de Plumas.

Foto: Mathilde Amino

Uma peça feminina de Teatro Nô

Hagoromo é uma peça feminina de teatro Nô, que simboliza o encontro do sagrado com o mundano. Ela conta a história de um pescador que encontra um lindo manto de plumas pendurado sobre o ramo de um pinheiro, na Baía de Miho, perto do Monte Fuji. Quando decide levar o tesouro consigo, ele ouve a voz de um anjo da lua (tennin), solicitando que o devolva, pois sem o manto ela não poderia voltar ao paraíso, junto às suas irmãs. O pescador teima em não devolver o manto e a tennin começa a fenecer. Impressionado, decide devolvê-lo desde que ela realize uma dança celestial. A tennin concorda, mas informa que só poderá dançar vestida com o seu manto. O pescador duvida de sua palavra e diz que, com o manto, ela poderá fugir sem dançar. “Só os homens duvidam. Falsidade não é coisa do céu”, responde ela. Envergonhado, o pescador entrega-lhe o manto de plumas e ela realiza danças para alegrar a humanidade aflita. Ao final da peça, desaparece na bruma céu.

Ficha técnica:

jigashira (líder do coro): Jun Ogasawara

shite (o-que-faz): Ângela Mayumi Nagai

waki (o-ao-lado): Kenjiro Ikoma

kōken (direção): Toshi Tanaka

fue (flauta): Makoto Hirono

kotsuzumi (tambor pequeno): Angélica Figuera

ōtsuzumi (tambor grande): Renata Asato

Onde:
Casa Guilherme de Almeida
Quando:
14 de dezembro/2019
Sábado, 17h
Quanto:
Grátis
Info:

Rua Macapá, 187, Perdizes, São Paulo (SP), tel. (11) 3673-1883 | 3803-8525.

Em caso de chuva, a apresentação acontecerá no Anexo: Rua Cardoso de Almeida, 1943.