Grupo Silenciosas, de Diogo Granato, estreia Nosso Primeiras Estórias

Os 21 contos do livro Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa, inspiram Nosso Primeiras Estórias, nova criação do grupo de improviso cênico Silenciosas, de Diogo Granato, que estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

A criação é resultado de quatro anos de pesquisa sobre a obra.

“Não parece ser possível falar sobre os 21 contos do livro Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa, em uma única apresentação. Silenciosas não pretende fazer isso. Pretendemos falar sobre nós, sobre nossas emoções, sensações, sobre o que o livro nos disse, sobre o que ele nos ensinou. Misturamos seus personagens, seus narradores e o autor a nós mesmos, nos apropriando de estórias que nunca param de nos surpreender. Usamos nossos corpos, movimentos, nossa voz, nossas técnicas e linguagens, para expor nossa experiência ao pesquisar essa obra. Estamos no quarto ano de pesquisa e Primeiras Estórias está no grupo, é inerente aos nossos corpos. Sente com a gente, converse, escute, deixa a gente te contar umas coisas, umas estórias, deixe a gente mostrar uns movimentos”,  diz o diretor Diogo Granato.

O projeto Nosso Primeiras Estórias foi realizado com apoio do Programa de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo.

Ficha técnica

Direção e criação: Diogo Granato. Intérpretes-criadores: Diogo Granato, Flávia Scheye, Flavio Falcone, Henrique Lima, Ilana Elkis, Lívia Mattos, Michelle Farias, Veronica Piccini. Adereços e cenários: Beatriz Kovacsik e Diogo Granato. Luthier: Ricardo Bressan. Figurino: Diogo Granato. Luz: Marcelo Esteves. Fotos: Carol Quintanilha e Luiz Cunha. Produção: Guilherme Funari. Produção geral: MiTiCA – Cau Fonseca. 

Foto: Divulgação

Sobre Silenciosas:

Silenciosas é um grupo de improviso cênico – técnica que estimula cada intérprete a utilizar todos os seus conhecimentos corporais como parte de sua dança, no intuito de construir uma dança única e particular, capaz de aproveita todas as habilidades e desabilidades de cada corpo. É uma técnica de consciência cênica e composição, que visa aumentar a inteligência cênica do intérprete para trabalhar em grupo.

O objetivo do Silenciosas é criar grupos coesos, com escuta para a composição, para as sensações-imagens que criam no espaço, e para as dramaturgias do improviso. Para isso, a pesquisa se estende à relação cênica gerada pelo encontro da arte com o público.

“Trabalhamos prioritariamente com pesquisa e criação em improvisação e suas infinitas possibilidades, mas somos um grupo sempre aberto a diferentes escolhas artísticas – e já trabalhamos com coreografias e células coreográficas, quando julgamos necessário. O improviso cênico também serve a trabalhos coreografados, abordando presença cênica, conexão entre os intérpretes, sensações-imagens para potencializar movimentos, entre outras coisas”.

Devido à heterogeneidade das formações de cada integrante do Silenciosas, é possível reconhecer diferentes técnicas presentes nos trabalhos do grupo – como contato improvisação, dança contemporânea, parkour, acrobacias, mão à mão, trapézio fixo, mastro chinês, palhaço, teatro, música, balé clássico, entre outras. Nos ensaios e processos criativos há sempre espaço para treinamentos físicos surgidos do diálogo gerado pela heterogeneidade do elenco.

Apesar do grupo ser de artes integradas, o trabalho que une o elenco é o improviso cênico, com ênfase em improvisação-dança-teatro. Uma das principais ferramentas que o Silenciosas utiliza no improviso cênico é a sensação-imagem. Nesse procedimento, os intérpretes sempre buscam enriquecer imagens com sensações e vice-versa. Não importa qual aspecto é enfatizado primeiro, o objetivo é equilibrar os dois.

A partir deste equilíbrio, a sensação ganha uma imagem forte para ser transmitida – a imagem escorre do cérebro e se espalha pelo resto do corpo com mais intensidade e assim o corpo torna-se sensação-imagem aos olhos dos outros intérpretes e da plateia. “Essa é a estratégia que usamos para gerar movimentos preenchidos a partir do assunto que gostaríamos de expressar. Buscamos uma sensação-imagem a partir de um assunto, aprofundamos essas imagens-sensações, nos apropriando delas, e deixando-as se espalhar por nossos corpos. O intuito é nos preencher de sensações-imagens cada vez mais ricas, que nos permitem gerar qualidades de movimento e coreografias instantâneas que comuniquem, que funcionem como esculturas móveis cheias de significados para os intérpretes e também para o público”.

Onde:
Oficina Cultural Oswald de Andrade
Quando:
2 a 11 de maio/2019
Quintas e sextas às 20h
Sábados às 18h
Quanto:
Grátis
Info:

Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo (SP), tel. (11) 3222-2662. Estação de metrô: Tiradentes.

30 lugares. Sala com acessibilidade. Não há estacionamento no local.

Os ingressos, gratuitos, devem ser retirados com 1h de antecedência.