‘Fúria’, de Lia Rodrigues, estreia em São Paulo, no Teatro Anchieta

Em Fúria, a mais recente obra da Lia Rodrigues Companhia de Danças, um mundo povoado de imagens de dor, beleza, violência, opressão e liberdade se constrói e se desmancha sem trégua, diante dos olhos do público. Os corpos dos nove bailarinos da companhia se destacam e se perdem em meio a roupas, sacos plásticos, rejeitos, em uma mistura de cores, formas e texturas. Um trecho de uma música tradicional dos povos indígenas Kanak, da Nova Caledônia, repetido infinitamente, acompanha grande parte da performance.

Foto: Sammi Landweer

Depois de percorrer sete países, 16 cidades, em mais de 40 apresentações, Fúria chega a São Paulo para uma temporada no Teatro Anchieta do Sesc Consolação.

A obra é o 20º trabalho do grupo e o nono após a companhia firmar parceria com a Redes da Maré, uma OSCIP (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) do Rio de Janeiro, criada e dirigida por moradores e ex-moradores do Complexo da Maré, que tem como principal foco a realização de projetos dedicados a impactar a trajetória socioeducacional e cultural dos moradores de espaços populares.

A peça estreou em novembro de 2018 em parceria com o Festival de Outono de Paris, em dois teatros parisienses, o Théâtre National de Chaillot e o Le Cenqquatre. No Brasil, Fúria foi apresentado no Festival de Curitiba em março.

Em Fúria, os corpos de nove bailarinxs da companhia (Leonardo Nunes, Felipe Vian, Clara Cavalcante, Carolina Repetto, Valentina Fittipaldi, Andrey Silva, Karoll Silva, Larissa Lima e Ricardo Xavier) se destacam e se perdem em meio às roupas, sacos plásticos, rejeitos, em uma mistura de cores, formas e texturas. Um trecho de uma música tradicional dos povos indígenas Kanak, da Nova Caledônia, repetido infinitamente, acompanha grande parte da performance.

Foto: Sammi Landweer

“Como espiar o tempo em um mundo dominado por uma infinidade de imagens contrastantes – medonhas e belas, sombrias e luminosas – atravessadas por uma infinidade de perguntas não respondidas e perpassadas por contradições e paradoxos?  Como espiar o tempo em um mundo de fúria? Como dar visibilidade e voz ao que está invisível e silenciado?”. Esses são alguns dos questionamentos que Lia destaca como desencadeadores da obra.

A peça continua as pesquisas cênicas de Lia, que passam pela questão da alteridade, da reinvenção de um corpo a partir de suas energias primitivas e da necessidade de engajamento no Brasil contemporâneo. “Esse título se refere tanto a uma violência que vem de fora, na forma de um ataque, quanto a uma necessidade de oposição, de luta”, diz a coreógrafa.

A obra de Lia também investiga relações de poder, evidenciando desde as dinâmicas do dominado e do dominador até questões raciais e de gênero. Para a artista, a fúria explorada em cena também remete diretamente à situação específica da favela da Maré, onde se dá sua produção artística das duas últimas décadas.

Foto: Sammi Landweer

Sobre a Lia Rodrigues Companhia de Danças, o Centro de Artes da Maré e a Escola Livre de Dança

A Lia Rodrigues Companhia de Danças foi fundada no Rio de Janeiro em 1990. Durante esses quase 30 anos de existência, suas criações foram apresentadas por todas as regiões do Brasil, nas Américas do Sul e Norte, na Europa e na Ásia.

Desde 2004, o grupo, por meio da professora e dramaturgista Silvia Soter, desenvolve ações artísticas e pedagógicas na Maré, no Rio de Janeiro, em parceria com a Redes da Maré.  A Maré é uma das maiores favelas do Rio de Janeiro com mais de 140.000 habitantes.

Da parceria entre a Companhia e a Redes da Maré nasceram o Centro de Artes da Maré em 2010 e Escola Livre de Dança da Maré em 2011. O Centro de Artes da Maré – também sede da Lia Rodrigues Companhia de Danças – é um espaço direcionado para a formação, criação e difusão das artes, onde são realizados diversos projetos culturais e sociais. A Escola Livre de Dança da Maré realiza um trabalho continuado de atividades gratuitas, articulando dança, ações de formação e socioeducativas em torno de dois núcleos: Núcleo 1, que oferece oficinas e aulas diversas frequentadas por mais de 300 alunos por ano; e o Núcleo 2, de formação continuada em dança, que oferece a 20 jovens, selecionados por meio de audição, uma formação intensiva em dança, com aulas práticas e teóricas.

Desde 2004, quando inaugurou a parceria com a Redes da Maré, Lia Rodrigues Companhia de Danças já criou Encarnado (2005), Contra Aqueles Difíceis de Agradar (2005), Pororoca (2009), Piracema (2011), Pindorama (2013), Para Que o Céu Não Caia (2016) e Fúria (2018). Com o Núcleo 2, criou Exercício M, de Movimento e de Maré (2013) e Exercício P, de Pororoca e Piracema (2017). Destacam-se ainda no repertório do grupo, fundado em 1991, as premiadas obras Ma (1993), Aquilo de que Somos Feitos (2000) e Formas Breves (2002)

Foto: Sammi Landweer

Ficha técnica – Criação: Lia Rodrigues. Assistente de criação: Amália Lima. Dançado e criado em estreita colaboração com: Leonardo Nunes, Felipe Vian, Clara Cavalcante, Carolina Repetto, Valentina Fittipaldi, Andrey Silva, Karoll Silva, Larissa Lima, Ricardo Xavier. Dramaturgia: Silvia Soter. Colaboração artística e imagens: Sammi Landweer. Criação de Luz: Nicolas Boudier. Produção e difusão internacional: Thérèse Barbanel/Colette de Turville. Secretária: Glória Laureano. Professoras: Amália Lima, Sylvia Barreto. Produção Brasil:  Corpo Rastreado / Gabi Gonçalves. Coprodução: Chaillot – Théâtre national de la Danse, CENTQUATRE-Paris, Fondation d’entreprise Hermès dans le cadre de son programme New Settings,  Festival d’Automne  de Paris, MA scène- nationale, Pays de Montbéliard, Les Hivernales – CDNC (França);  Künstlerhaus Mousonturm Frankfurt am Main, Festival Frankfurter Position 2019 –BHF-Bank-Stiftung, Theater Freiburg,  Muffatwerk/Munique (Alemanha); Kunstenfestivaldesarts, Bruxelas (Bélgica); Teatro Municipal do Porto,  Festival DDD – dias de dança (Portugal). Realização: Sesc SP. Idealização: Lia Rodrigues Companhia de Danças com o apoio da Redes da Maré e do Centro de Artes da Maré. Lia Rodrigues é artista associada ao Chaillot-Théâtre national de la Danse e ao CENTQUATRE, França. Agradecimentos:  Zeca Assumpção, Inês Assumpção, Alexandre Seabra, Mendel Landweer, Jacques Segueilla, equipe do Centro de Artes da Maré e da Redes da Maré.

Onde:
Teatro Anchieta – Sesc Consolação
Quando:
10 a 27 de outubro/2019
Quintas, sextas e sábados às 21h
Domingos às 18h
Quanto:
R$ 12; R$ 20; R$ 40
Info:

Rua Doutor Vila Nova, 245, São Paulo (SP).

Duração: 70 minutos.

Classificação etária: 18 anos.

www.sescsp.org.br