Estreia “Poemas Atlânticos”, sob direção de Cléia Plácido

Poemas Atlânticos, nova criação do Menos1 Invisível Núcleo de Dança, inspira-se no pensamento do ensaísta, filósofo e poeta negro martinicano Édouard Glissant – especialmente no livro Poética da Relação (2011) – para abordar a necessidade de trânsito e cooperação inter-racial como forma de sobrevivência num mundo hostil ao diferente.

O quadro Navio Negreiro (1840), do pintor pré-impressionista Willian Turner, que corajosamente denuncia o descarte criminoso de milhares de pessoas africanas escravizadas no século 19, também serviu de ignição para o aprofundamento da pesquisa de criação.

Por meio da metáfora poética do mar, simbolizando desde o líquido amniótico de onde todos viemos, até a imensidão e mistério oceânicos para onde retornaremos, os sete bailarinos-criadores – Edi Cardoso, Felipe Cirilo, Mônica Caldeira, Paulina Alves, Rafael Carrion, Rafael Markhez e Cléia Plácido – dançam, primeiro, a escassez, a tentativa de manter-se e sustentar relações insustentáveis, até uma total transformação a partir da convivência e da força da coletividade, revelando novas formas de habitar o mundo, de celebrar a vida e a coexistência, sem a criação de muros – reais ou abstratos.

Elementos poético-cenográficos, como o balde que, sobre a cabeça, remete à reminiscência da lata d’água tão presente nos sertões do mundo afro-atlântico e nas lembranças de infância periféricas, retratam as relações de poder, subjugação e ausência, mas também provocam outras presenças e memórias que ecoam vitalidade, pertencimento e resiliência. “Escolhemos mergulhar nesses mares afro-atlânticos, em nossas histórias pessoais, incômodos e anseios relativos à ideia de africanidades e ancestralidades. Um movimento mais ao sul que, entretanto, não foge de novas fricções e conflitos”, observa Cléia Plácido, que também dirige o espetáculo.

Criação coletiva, Poemas Atlânticos tem luz de Hernandes Oliveira, trilha sonora de Sandra-X e Valquíria Rosa, com participação de Pedro Peu, e figurinos assinados por Samara Costa. Durante o processo de criação, Wellington Duarte (Núcleo Entretanto) atuou como provocador dramatúrgico e Eduardo Fukushima e Pedro Peu colaboraram na preparação corporal.

O espetáculo integra o projeto Mergulho, contemplado pela 28ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo.

Foto: Kelson Barros

Ficha Técnica – Concepção, direção geral e artística: Cléia Plácido. Artistas da dança e cocriadores: Edi Cardoso, Felipe Cirilo, Mônica Caldeira, Paulina Alves, Rafael Carrion, Rafael Markhez e Cléia Plácido. Provocações dramatúrgicas: Wellington Duarte. Preparação corporal: Eduardo Fukushima e Pedro Peu. Trilha sonora: Sandra-X, Valquíria Rosa e participação de Pedro Peu. Desenho de luz: Hernandes Oliveira. Figurino: Samara Costa. Assessoria de imprensa: Elaine Calux. Redes sociais: Renata Pimpinatti, Rúbia Galera e Talita Bretas (Portal MUD). Produção: Dafne Nascimento e Kelson Barros.

Foto: Kelson Barros

Exposição MarAdentro

Um registro sobre o processo de criação do espetáculo Poemas Atlânticos, a exposição MarAdentro traz dois momentos importantes na trajetória do trabalho:

. Encontro com o Mar, com imagens clicadas por Isabel Praxedes durante laboratório do grupo no mar de Bertioga (litoral norte de São Paulo), foi fundamental para alimentar a pesquisa e a investigação de movimentos, a partir do contato direto com a fluidez e temporalidade da água do mar, culminando ainda no vídeo-dança Mergulho.

. Balde D’Água, com fotos de Mônica Cardim, traz o  balde como elemento poético/político da escassez que invisibiliza o visível e remete à reminiscência da lata d’água, tão presente nos sertões do mundo afroatlântico. Os baldes se tornaram outro fio condutor do trabalho.

A exposição acontece no saguão do CRD – Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo (ver datas e horários abaixo).

Foto: Isabel Praxedes
"MarAdentro"

Sobre Menos1 Invisível

Este núcleo de dança surgiu em 2012, com a proposta de investigar de maneira lúdica e colaborativa procedimentos artísticos que integravam corpo, imagem e sonoridades, com o encontro inicial entre o músico Luis Vitor Maia, o artista visual Daniel Freitas e a bailarina Cléia Plácido.

Em 2013, o grupo apresentou Passeio Dentro da Paisagem, criação inspirada pela cena Corvos, do filme de Akira Kurosawa, nas Mostras de Dança da Fábrica de Cultura Jardim São Luís, Festival Baixo Augusta, 6ª Mostra Lugar Nômade de Dança e Projeto Proart, em versões solo, duo e trio, com colaborações do músico Marcos Battistuzi e dos bailarinos Evandro Gonçalves, Pedro Penuela e Tatiane Ramos.

Em 2014, enquanto artistas residentes do ARARA, realizou a criação, em parceria com o artista visual Daniel Seda, de Turning Dance, primeiro experimento do grupo sobre as obras de Willian Turner. Na Ocupação da Casa Amarela, o núcleo de dança realizou intervenções artísticas e os vídeos-dança Dança na Casa Amarela 1 e 2. Em setembro de 2017, realizou residência artística no E.T.A., do SESC Itaquera, com intervenções e performances para crianças e adultos. 2018 foi o ano de Flutuante, sob a direção de Luísa Coser, no Centro de Referência da Dança. Em 2019, estreou, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, o segundo espetáculo inspirado na obra de Willian Turner, Zona, também dirigido por Luísa Coser, dentro do projeto Naufrágios, contemplado pelo 25º edital de Fomento à Dança da cidade de São Paulo, depois apresentado no Centro de Referência da Dança, na Funarte/SP e na Mostra Dança se Move Ocupa.

Onde:
YouTube/Oficina Cultural Oswald de Andrade
Quando:
22 de julho a 19 de setembro/2021
Quinta-feira a domingo às 21h
Quanto:
Grátis
Info:

22 a 25 de julho/2021:

Plataforma de exibição: Youtube da Oficina Cultural Oswald de Andrade

Link de acesso: https://www.youtube.com/oficinasculturaisdoestadodesaopaulo

Sessão aberta, sem necessidade de inscrição.

10 de setembro/2021 (sexta), 18h – Casa de Cultura Raul Seixas

11 de setembro/2021 (sábado), 20h – Casa de Cultura Hip Hop Leste

12 de setembro/2021 (domingo), 16h – Casa de Cultura do Butantã

(*após a apresentação, bate papo aberto ao público com a pesquisadora Valéria Cano Bravi)

Transmissão nas redes sociais das Casas de Cultura

Link para reserva de ingressos gratuitos

https://www.sympla.com.br/produtor/menos1invisivel

Classificação indicativa: 16 anos.

MarAdentro exposição sobre o processo de criação de Poemas Atlânticos

Fotos de Isabel Praxedes e Mònica Cardim

10 de setembro – 14h30 – Live de Abertura – instagram da cia. @menos1invisivel

até 19 de setembro/2021 – terça a sábado, das 10h às 18h/ segunda, das 13h às 18h

Centro de Referência da Dança – CRDSP

Galeria Formosa – Baixos do Viaduto do Chá, s/n – Pç Ramos de Azevedo