Emilie Sugai estreia ‘AKA’, sobre o universo de Tomie Ohtake

O trabalho denso e refinado de Emilie Sugai está de volta. AKA, nova criação da artista de São Paulo, será apresentado, nestes tempos de pandemia, em sessões gratuitas online, via Sympla.

Concebido por Emilie Sugai e pelo diretor Lee Taylor, AKA foi filmado pelo cineasta Joel Pizzini no Teatro FAAP. O espetáculo investiga o universo pictórico e escultórico de Tomie Ohtake (1913-2015), tendo como referência a dança butô, objeto de pesquisa de Emilie Sugai desde 1991, quando integrava a Cia Tamanduá de Dança Teatro, sob direção de Takao Kusuno (1945-2001), considerado o introdutor da expressão artística japonesa no Brasil.

A dupla de criadores Emilie Sugai e Lee Taylor, que se conheceu em Foi Carmen (2008), de Antunes Filho, retoma com AKA uma parceria iniciada em 2013, quando realizaram o site specific Holoch, no antigo Centro de Cultura Judaica, considerado o melhor espetáculo solo do Prêmio Denilto Gomes, promovido pela Cooperativa Paulista de Dança.

O roteiro cênico de AKA, “vermelho” em japonês, inspirou-se na estética das linguagens desenvolvidas pela artista plástica, e é composto de quatro estações: esboços, gravura, pintura e escultura. Cada estação possui uma cor predominante que remete às cores mais usadas nos trabalhos de Tomie: o branco, o amarelo, o azul e o vermelho. Emilie Sugai busca corporificar as sensações suscitadas pelas formas do universo da artista plástica. AKA atravessa a arte abstrata de Tomie Ohtake de modo sensorial, propondo um diálogo interdisciplinar entre as artes plásticas e a dança contemporânea.

O projeto AKA recebeu o Prêmio ProAC da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo para a produção e temporada de espetáculos inéditos de dança no Estado de São Paulo. Devido à pandemia da Covid-19, o espetáculo foi transposto para filme, sob o olhar do cineasta Joel Pizzini (500 Almas e Zimba), parceiro de criação de Emilie Sugai desde 2003, em obras como o espetáculo Lunaris, a performance Termini e o filme Elogio da Sombra.

Ficha técnica – Concepção: Emilie Sugai e Lee Taylor. Direção: Lee Taylor. Performer: Emilie Sugai. Direção artística do filme: Joel Pizzini. Iluminação: André Boll. Cenografia: JC Serroni. Figurino: Telumi Hellen. Trilha sonora: Paulo Beto (PB). Diretora de produção: Juliana Domingos. Produção: Cooperativa Paulista de Teatro – Núcleo Tabi – Emilie Sugai.

Foto: Produção 6

Tomie Ohtake (1913- 2015): artista plástica de renome internacional, é reconhecida por sua expressiva produção no campo da pintura, gravura e escultura, e por suas obras públicas de grandes dimensões espalhadas pelas cidades brasileiras. Veio do Japão ao Brasil em 1936 para visitar o irmão e por conta da Segunda Guerra ficou impedida de retornar e por aqui se naturalizou. Iniciou sua carreira aos 40 anos, após criar seus dois filhos. Viveu até seus 101 anos, trabalhando.

Emilie Sugai: coreógrafa, dançarina butô, performer, desenvolve uma linguagem singular, em criações solos e em grupos, geradas das influências recebidas de seu mestre Takao Kusuno, das pesquisas relacionadas às memórias do corpo, da ancestralidade e de colaborações com artistas da dança, teatro e cinema. Criou os espetáculos Tabi (2002), Totem (2004), Intimidade das Imagens (2006), Hagoromo (2008), Lunaris (2011), O Sonho da Raposa (2013), Sol e Aço (2018). Foi premiada com a Bolsa Vitae de Artes, Bolsa UNESCO-Aschberg, Prêmio APCA melhor concepção em dança, Prêmio Denilto Gomes de melhor concepção em dança, entre outros. Paralelamente, participou das produções Foi Carmen, de Antunes Filho e do espetáculo Heart of Gold, sob direção do japonês Hiroshi Koike com a Cia. Pappa Tarahumara, em Tokyo-Japão (2005). Com a Cia. Tamanduá de Dança Teatro, sob direção de Takao Kusuno, integrou os espetáculos O Olho do Tamanduá (Troféu Mambembe de Dança/1995) e Quimera o anjo vai voando (1999), entre outros. 

Lee Taylor: é ator, diretor, pesquisador teatral, idealizador e coordenador artístico-pedagógico do Núcleo de Artes Cênicas (NAC). De 2004 a 2013 integrou como ator e professor de atuação o Centro de Pesquisa Teatral do Sesc (CPT), coordenado por Antunes Filho, e protagonizou os espetáculos A Pedra do Reino (2006) [Destaque Cultural do Ano do Governo do Estado de Goiás], Senhora dos Afogados (2008), Foi Carmen (2008) [Espetáculo sobre Carmen Miranda, inspirado no butô do dançarino japonês Kazuo Ohno], A Falecida Vapt-Vupt (2009) e Policarpo Quaresma (2010). Em 2016, estreou como protagonista do espetáculo Na Selva das Cidades, direção de Cibele Forjaz, com a mundana companhia. No cinema, participou do elenco de Salve Geral (2009), Estamos Juntos (2011), do curta-documentário O Ser Transparente (2012), Riocorrente (2013), Entre Nós (2013), Unicórnio (2016), Paraíso Perdido (2017). Em 2013, dirigiu Holoch, com a dançarina de butô e performer Emilie Sugai. [Contemplado pela Cooperativa Paulista de Dança com o prêmio de Melhor Criação em Dança Solo]. Em 2014, fez a direção de LILITH S.A. e, em 2015, concebeu o projeto Antologia Documental e dirigiu DOC. (des)prezados (2015), DOC. educação (2015), DOC. eremitas (2017), DOC. A.A.A. (2017) e DOC. malcriadas (2020), experimentos teatrais resultantes do curso de atuação do NAC. Participou das séries Psi (2015), O Hipnotizador (2015), O Mecanismo (2018), Onde Nascem os Fortes (2018), Irmandade (2019). Atuou nas novelas Velho Chico (2016) [Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Extra de Televisão (Revelação masculina), Prêmio F5 (Revelação do ano), entre outros], A Dona do Pedaço (2019). 

Joel Pizzini: cineasta, curador, professor de cinema e autor de ensaios documentais premiados internacionalmente como Caramujo-Flor (1988), Enigma de Um Dia (1996), Glauces (2001) e Dormente (2006). Conquistou com os longas 500 Almas (2004) e Anabazys (2009), além da seleção oficial no Festival de Veneza, os prêmios de Melhor Filme, Som, Fotografia, Especial do Júri, Montagem, nos Festivais do Rio, Mar Del Plata, e Brasília. Como diretor e produtor desde 1988, desenvolve pesquisas de novas linguagens através de instalações, direção de performances, teatro-dança e experiências multimidias.  Em 2018, estreou o seu novo longa como diretor, Rio da Dúvida, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e finaliza atualmente, Zimba, sobre a trajetória do ator e diretor de teatro, Ziembinski.

Onde:
Online, via Sympla
Quando:
28 a 31 de janeiro e 4 a 7 de fevereiro/2021
Quinta-feira às 19h
Sexta-feira e sábado às 20h
Domingo às 17h
Quanto:
Grátis
Info:

As apresentações serão online, via Sympla, (https://www.sympla.com.br/aka).

Duração: 40 minutos.

Classificação etária: 12 anos

 

Para saber mais sobre os trabalhos de Emilie Sugai, visite o site: www.emiliesugai.com.br

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