Em ‘A Um Passo da Aurora’, Mariana Muniz e Regina Vaz mergulham na obra de Guilherme Vaz

A nova criação da Cia. Mariana Muniz de Teatro e DançaA Um Passo da Aurora – é um mergulho na poética do músico, maestro e múltiplo artista Guilherme Vaz (1948-2018).

Mariana Muniz e Regina Vaz são as intérpretes-criadoras.

Em A Um Passo da Aurora, a Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança dá continuidade ao seu processo de investigação das relações entre palavra e movimento, em dança-teatro.

Mariana Muniz, que assina a direção do espetáculo. A dramaturgia é de Regina Vaz – irmã do artista Guilherme Vaz. Depois de terem trabalhado juntas no Grupo Coringa (1977-1985) durante dez anos, sob a direção da coreógrafa uruguaia Graciela Figueroa, Mariana Muniz e Regina Vaz se reencontram em A Um Passo da Aurora.

“Com esse trabalho damos continuidade às nossas pesquisas e criações em dança contemporânea e prestamos uma justa homenagem ao múltiplo artista Guilherme Vaz”, afirma Mariana Muniz.

Foto: Cláudio Gimenez

Guilherme Vaz, nascido em Araguari, Minas Gerias, dedicou-se durante 20 anos a investigar as raízes culturais do povo brasileiro. Viveu entre os sertanejos do Centro-Oeste e os indígenas do Norte do Brasil, o que lhe permitiu a criação de uma obra singular, inventiva e profundamente brasileira.

Pioneiro da arte conceitual carioca, Guilherme Vaz foi um dos criadores da Unidade Experimental do MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro junto com Cildo Meireles, Luiz Alphonsus e o crítico Frederico de Morais. Foi um dos responsáveis pela introdução da música concreta no cinema nacional. Compôs trilhas para filmes de Nelson Pereira dos Santos e Júlio Bressane, entre outros.  Guilherme faleceu aos 70 anos em 26 de abril de 2018, deixando um legado imensurável para a música brasileira.

A Um Passo da Aurora, assim como nos trabalhos anteriores da Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança, procura conduzir a uma ideia de dramaturgia ampliada através da ação cênica baseada na pesquisa das relações entre corpo, voz, música e sentidos simbólicos das linguagens da dança, do teatro e da música.

Nos trabalhos de Mariana Muniz, a dramaturgia é entendida como uma teia que engloba as ações físicas dos bailarinos (como o texto, a música que se torna corpo em movimento), as ações vocais (musicalidade no texto e com o texto), a cenografia, a iluminação, os figurinos, a relação entre os artistas e todos os componentes da cena, inclusive o uso de recursos multimídia.

Para Mariana Muniz, na criação e composição do espetáculo o compromisso com o hibridismo de linguagens artísticas está a serviço da exploração das conexões entre questões cênicas, coreográficas e dramatúrgicas, visuais e performáticas. “Pensar as artes cênicas nestas intersecções nos permite lançar mão da potência expressiva do gesto, com um olhar diferenciado e sempre renovado”, ela diz.

Foto: Cláudio Gimenez

O processo de criação de imagens visuais se corporifica através da escuta dos corpos, em contato com a sensação da “música corporal” e do imaginário do compositor Guilherme Vaz. Em algumas passagens do trabalho fica evidenciada a inspiração gestual nas coreografias de Nijinsky e Pina Baush para A Sagração da Primavera.

Na exploração das sonoridades e conceitos que norteiam a obra de Guilherme Vaz, assume importância o gosto por determinadas passagens e composições musicais, certos timbres dos instrumentos que acompanham a melodia, repetições e as ideias plásticas e cenográficas do artista. É o caso das composições La Virgen e Fronteira Ocidental, que integram a trilha sonora, assinada pelo maestro Lívio Tragtenberg, que já regeu algumas obras do compositor.

“Nós nos posicionamos na direção de um resgate das raízes do pensamento sobre a brasilidade no fazer artístico, pois Guilherme Vaz participou ativamente de um dos períodos mais fortes da crítica de arte no Brasil: os anos neoconcretos. Ele pensava a própria obra e o mundo, discutindo e participando dos problemas da arte brasileira, rebelando-se contra a estagnação cultural dos anos 1960 e propondo uma renovação de toda expressão artística no país, apontando-lhe possibilidades universais”, acrescenta Mariana Muniz.

“Uma das questões que me incomoda no construtivismo brasileiro é que tudo acontece distante da geometria indígena, distante dos sertões”, dizia Guilherme Vaz.

Um bate-papo com o público está previsto após cada apresentação, para abordar o processo de criação do trabalho e escutar as impressões dos espectadores.

A Um Passo da Aurora foi contemplado pelo 25º edital de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

Foto: Cláudio Gimenez

A Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança foi criada no ano 2000. Desde então vem desenvolvendo trabalhos voltados para a pesquisa das relações entre palavra e movimento e as conexões expressivas entre poesia e dança. Sua fundadora – a atriz, bailarina e coreógrafa Mariana Muniz – é uma das mais expressivas artistas da dança brasileira. Nascida em Pernambuco, onde começou seus estudos de dança clássica, formou-se no Rio de Janeiro, na Escola de Danças Clássicas do Teatro Municipal. Em 1974 encontrou-se com Klauss e Angel Vianna, com os quais trabalhou, passando a se dedicar, em seguida, à investigação de linguagens da dança contemporânea e teatro. Estudou em Nova York e na companhia da coreógrafa francesa Maguy Marin. Recebeu vários prêmios por suas atuações e projetos como intérprete e coreógrafa em dança e teatro. Atualmente tem participado de produções teatrais, junto com o Grupo Tapa. Ao mesmo tempo, dá continuidade à criação de seus próprios espetáculos com a Cial Mariana Muniz de Teatro e Dança, em parceria com o arquiteto Cláudio Gimenez.

Regina Vaz é bailarina e coreógrafa. Nasceu em Araguari (MG) em 1953, viveu em Brasília e Rio de Janeiro, onde foi assistente e professora do grupo de dança de Suzana Braga, em meados da década de 1970. Com Klauss e Angel Vianna, trabalhou como professora e integrante do grupo Teatro do Movimento. Hoje, Regina Vaz é também professora de pilates.

Ficha técnicaDireção geral: Mariana Muniz. Criadoras e Intérpretes: Mariana Muniz e Regina Vaz. Assistente de direção: Cláudio Gimenez. Trilha Sonora: Lívio Tragtenberg. Cenografia: David Schumaker. Dramaturgia: Regina Vaz. Figurinos e Iluminação: Kleber Montanheiro. Operação de luz: Fellipe Oliveira. Edição de vídeos: Rafael Petri. Assessoria de imprensa: Pombo Correio. Designer gráfico: Fábio Borges. Grupo de estudos: Ana Mesquita, Ana Vitória Bella, Juliana Celentano e Raquel Franz. Apoio de Palco: Suzana Muni. Assistente de produção: Jota Rafaelli.

 

Onde:
Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo
Espaço Cia da Revista
Quando:
20 a 23 de novembro/2019 (CRDSP)
Quarta a sábado às 19h
28 de novembro a 2 de dezembro/2019 (Espaço Cia da Revista)
Quinta a sábado e segunda-feira às 20h
Domingo às 19h
Quanto:
Grátis
Info:

Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo (CRDSP): Baixos do Viaduto do Chá, s/nº, Centro, São Paulo (SP). Estações de metrô: Anhangabaú, São Bento, República.

Capacidade: 70 lugares

Espaço Cia da Revista: Alameda Nothmann, 1135, Santa Cecília, São Paulo (SP).

Capacidade: 85 lugares.