Com direção de Beth Bastos, sete bailarinos e um pianista apresentam ‘Performances – observatório’ em jardim de Burle Marx

Em jardim assinado por Burle Marx, com luz desenhada por lanternas, sete bailarinos e um pianista apresentam Performances – observatório, de Beth Bastos.

A pergunta O que vemos quando olhamos dança? conduz Performances – observatório, que acontece no ambiente brutalista da Casa Miani, novo ponto de cultura da cidade de São Paulo e antiga residência e ateliê do artista plástico italiano Gaetano Miani (1920-2009), que viveu entre São Paulo, Roma e Nova York e foi amigo de Lina e Pietro Maria Bardi.

Foto: Sandro Miano

As apresentações encerram o projeto O que vemos quando olhamos dança? – contemplado pela 25ª edição do Programa de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura. A criação já foi apresentada pela cidade em arquiteturas distintas. O projeto inclui um ateliê de quatro meses na Oficina Oswald de Andrade com 32 solos de dança, palestras e o filme O que te move – O que vemos quando olhamos dança, sobre os solos.

O filme O que te move – O que vemos quando olhamos dança, de Antonio Miano e Kiko Ferrite, realizado a partir do processo de criação de solos orientados por Beth Bastos, será apresentado na Oficina Cultural Oswald de Andrade no dia 18 de novembro/2019, às 20h.

Foto: Sandro Miano
Filme 'O que vemos quando olhamos dança'

Concebido pela bailarina e coreógrafa mineira Beth Bastos e seu núcleo de pesquisa, o projeto investiga a questão do olhar, a imaginação e a relação da dança com a arquitetura, a fotografia e as artes plásticas.

Com duração de uma hora, as performances-observatório acontecem ao ar livre, no jardim desenhado por Burle Marx, entre plantas tropicais, piscinas e pequeno lago da casa do bairro da Granja Julieta, em São Paulo – obra moderna da década de 1960, do período brutalista, encomendada pelo artista ao arquiteto Paulo Mendes da Rocha. No passado, a casa funcionou como ambiente de exposições e leilões de obras de arte antigas e contemporâneas e hoje está aberta ao público para atividades artísticas.

Sob direção de Beth Bastos, figurino de Tereza Monteiro, cenografia de André Canadá e iluminação de Hernandes Oliveira, sete bailarinos e um pianista trajando vestidos e camisas de linho em cores neutras realizam as performances. O público de, no máximo, 40 pessoas é convidado a desfrutar da natureza, do silêncio, de instantes de suspensão do movimento em pausas. Tudo acontece ao cair da tarde, no momento de transformação entre o dia e a noite, com a presença da arquitetura, uma mesa com romãs e uvas. É permitido ao público fotografar, desenhar ou filmar a apresentação.

Foto: Sandro Miano

O trabalho de improvisação e de composição em dança se alimenta  das filosofias de corpo da bailarina e performer norte-americana Lisa Nelson e do professor e coreógrafo brasileiro Klauss Vianna.  Beth Bastos investe na desaceleração do espectador e do artista. Ela e os bailarinos do Núcleo Pausa propõem ao público a experiência da  composição e do movimento, com foco no corpo e no espaço, ativando a percepção dos sentidos e os sentidos da imaginação. “As performances-observatório oferecem ao espectador a possibilidade de escolher como e de que lugar se quer olhar, ver e assistir”, comenta Beth.

“A proposta das performances-observatório é sintonizar a percepção e o instante, para criar composições espontâneas e singulares, usando os sentidos do corpo como ferramentas de sobrevivência e de produção de imagens. O que pode uma pausa provocar? O que se imagina a partir de um corpo que pausa? Como essa imagem efêmera afeta o espaço?”, explica a coreógrafa.

Foto: Sandro Miano

Segundo Beth Bastos, essa pesquisa, em processo, tem como foco as abordagens sobre o corpo e o espaço e usa a desaceleração do movimento para desdobrar os temas da atenção, da pausa, da quietude e da necessidade política de resistir e abrir espaço para outros olhares e seus significados. “Propõe uma operação de ralentamento, que permite observar a dimensão paradoxal do tempo ao fixar um instante que contém muitos possíveis e desencadear mudanças na ordem do sentido. Em um momento em que a aceleração é um valor em si, as performances-observatório oferecem uma possibilidade de percepção da pausa como um gesto alcançável, para produzir outras paisagens”.

Foto: Sandro Miano

Ficha técnicaConcepção e direção: Beth Bastos. Núcleo Pausa: Izabel Costa, Daniela Pinheiro, Fernanda Windholz, Emilio Salvietti Cordeiro, Maíra Rocha Machado, Maira Mesquita, Ísis Marks. Músico: Rodrigo Vasconcelos. Dramaturgia: Débora Tabacof. Fotografia: Sandro Miano. Ambiente cenográfico/Design gráfico: Andre Canada. Palestrantes convidados: Paula Chieffi, Guilherme Wisnik, Teresa Bastos. Produção: Cais Produção Cultural. Direção de produção: José Renato F. Almeida. Assistente de produção: Beto de Faria. Assessoria de imprensa Arteplural.

Onde:
Casa Miani
Quando:
2 a 24 de novembro/2019
Sábados e domingos às 18h
Quanto:
Grátis
Info:

Rua Marechal Deodoro, 10, Granja Julieta, São Paulo (SP). Próximo à estação de metrô Alto da Boa Vista.

Capacidade: 40 pessoas.

Duração: 1h.

Classificação etária: livre.

Todas as performances serão precedidas por uma oficina de livre participação para os interessados, que ocorre a partir das 15h30.

Apresentação do filme O que te move – O que vemos quando olhamos dança, de Antonio Miano e Kiko Ferrite: apresentação no dia 18 de novembro/2019, segunda-feira, 20h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade (rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo, SP, tel. 11/3222-2662; estação de metrô Tiradentes).