Clébio Oliveira estreia ‘Foreign Body’ em São Paulo, no Sesc Pompeia

Radicado na Alemanha há mais de 10 anos, o bailarino e coreógrafo Clébio Oliveira chega aos palcos de São Paulo pela primeira vez para apresentar um trabalho autoral: Foreign Body. Criado em 2017 para o Performing Arts Festival Berlin, trata dos desafios da identidade de gênero.

Neste solo, Clébio enfoca a dificuldade de se desviar de papeis atribuídos socialmente e como essas questões são internalizadas sem questionamentos.

Em cena, com música de Matresanch e um design de luz de Mirella Brandi e Asier Solano, Clébio cria seu próprio espaço semi-utópico no qual a categoria de gênero é descoberta por si mesma: outras possibilidades que permitem revelações além da estrutura binária de gênero são exploradas e testadas no palco. A partir dessa premissa, ele questiona o que acontece quando o gênero biológico e o gênero social não coincidem ou quando a identidade se desvia da norma.  Como o indivíduo pode encontrar seu próprio papel?

Foto: Dieter Hartwig

“No meu trabalho, me identifico com ideias que descrevo como ‘tópicos invisíveis’, já explorei a questão do analfabetismo e, mais recentemente, uma reflexão a respeito da dependência emocional, por exemplo”, observa o coreógrafo. “O tema da transexualidade me interessa particularmente, pois a pessoa tem apenas alguns cursos de ação disponíveis: ou ele suprime seus sentimentos completamente e nega o desejo de uma identidade de gênero diferente ou enfrenta seus sentimentos. Desse modo, seus estados interiores acabarão tornando-se inevitáveis, sejam eles refletidos ou visíveis, exteriorizados no corpo”, completa.

Segundo o coreógrafo, Foreign Body não tem a intenção de contar ao espectador uma história específica: não se trata de falar sobre uma mudança de gênero, por exemplo, mas sim sobre os estados interiores. “Interessa-me a luta que se desenrola no inconsciente da pessoa trans, a ruptura entre as exigências do exterior e do interior, o que faz com que sinta que não está na pele certa”, revela.

Em Foreign Body, não existe apenas um diálogo com a literatura científica relevante, mas a revelação de um olhar para representações mais antigas que estereotipam negativamente a transexualidade, a fim de compreender os preconceitos que as pessoas enfrentam, e também obter um olhar mais pessoal sobre o tema. O espectador deve mergulhar com o artista em um mundo interior, no qual as realidades sociais básicas são negociadas.

Foto: Oliver Betke

Sobre Clébio Oliveira

Como coreógrafo, Clébio Oliveira já criou peças para a Companhia de Dança Hubbard Street II, São Paulo Cia. de Dança, MAM-Museu de Arte Moderna de São Paulo, Balé da Cidade de Niterói, De Anima Ballet Contemporâneo e Carlota Portella Companhia de Dança, Grips Theater Berlin, Staatsschauspiel Stuttgart, Ballet Theatre da Cidade de Kiel, Grupo de Dança Contemporânea da Escola Bolshoi do Brasil, Gira Dança, Anízia Marques Dança, Companhia de Dança do Teatro Alberto Maranhão, em Natal, entre outras. Na atual temporada brasileira remonta uma de suas mais aclamadas obras, Céu Cinzento (2015), para o Grupo Divinadança, dirigido em São Paulo pela coreógrafa e bailarina Andrea Pivatto.

Bailarino, coreógrafo e professor de dança contemporânea, Clébio Oliveira nasceu em Natal (RN) e começou seus estudos em dança nesta cidade, com as danças folclóricas. Morou no Rio de Janeiro entre 1998 e 2007, onde formou-se em dança pela UniverCidade. Em 1999 foi indicado ao prêmio de Melhor Dançarino, concedido pela Fundação Rio Arte e em 2001 foi selecionado pelo Itaú Cultural para o projeto Mapeando Dança. No ano seguinte foi convidado para se apresentar como convidado solo na Global Dance Internationale Tanzmesse NRW, em Düsseldorf, na Alemanha, país onde mora desde 2008.

Foto: Dieter Hartwig

Entre seus prêmios como coreógrafo figura o de revelação, em 2012, reconhecido pela revista TANZ – a mais importante revista de dança da Europa. Em maio de 2011, venceu o American National Choreographic Competition da Hubbard Street Dance Company Chicago, no Estados Unidos. Também foi convidado para dar aulas como professor visitante na Universidade de Iowa City. Em 2009, coreografou para o Ballet Theatre da cidade de Kiel (Alemanha) o trabalho Algo está acabando, algo está começando, peça que foi citada pelos críticos “como a mais inovadora e interessante; o único trabalho que apresentou uma linguagem corporal particular”. (Lena Zieker / Tanznetz).

Em 2008, foi convidado para o festival Musik in der Stadt der Häuser em Colônia, Alemanha, onde desenvolveu a obra Dona José. Em 2010, essa criação foi eleita como uma das melhores performances do Rio de Janeiro pelo jornal O Globo. Em 2006 recebeu o prêmio de Melhor Coreógrafo, concedido pelo Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro. Clébio Oliveira ganhou mais de 18 prêmios como melhor coreógrafo em diferentes festivais no Brasil e no mundo.

Como bailarino trabalhou na Cia de Dança Deborah Colker, na Carlota Portella Companhia de Dança, na Atores e Dançarinos de Regina Miranda, todas no Rio de Janeiro. Em Berlim, dançou com Toula Limnaios. Em Natal, trabalhou na Companhia de Dança Corpo Vivo e na Companhia de Dança do Teatro Alberto Maranhão.

Onde:
Sesc Pompeia
Quando:
27 a 30 de junho/2019
Quinta a sábado às 21h30
Domingo às 18h30
Quanto:
R$ 20; R$ 10; R$ 6
Info:

Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo (SP), tel. (11) 3871-7700.

www.sescsp.org.br

Duração: 50 minutos.