Cia. Artesãos do Corpo apresenta sua nova criação, ‘E a garça canta com tristeza’, no Sesc 24 de Maio

E a garça canta com tristeza, nova criação da Cia. Artesãos do Corpo | Dança-Teatro, é inspirada nos mangás de Shirow Masamune (Ghost in the Shell) e nos animês de Oshii Mamoru (Ghost in the Shell e Innocence), e também na literatura e filmografia que circunda o universo da scifi (ficção científica), onde o futuro é retratado como distópico.

Foto: Fabio Pazzini

Dando continuidade à sua pesquisa sobre a busca e a perda de um lugar e sobre a espacialidade MA (elemento cultural presente na cultura japonesa – intervalo espaço – tempo), a Cia. Artesãos do Corpo questiona, em E a garça canta com tristeza, o binarismo – humano-máquina / vida-morte / realidade-ficção. Também estimula reflexões sobre a suspensão do futuro e a extinção de horizontes possíveis em uma sociedade regida pelo controle, pelo poder econômico, o medo e a lógica 24/7 (24h por dia, sete dias por semana).

A música criada por Kenji Kawai para o animê Innocence  acompanhou o processo de criação e os acontecimentos que assolavam (e assolam)  o país durante o processo de construção do espetáculo. “Mesmo que a lua não se ilumine todos os dias, todas as noites, a garça canta com tristeza… O mundo em que vivo, minha existência é desalentadora, mas o sonho não morre, floresce com o rancor! E a garça continua cantando com tristeza…”.

“As cenas buscam um retorno ao corpo sensível, como um contraponto ao programado, serial e previsível. Expandimos o conceito de redes para a dança/movimento, levando ao palco possibilidade visíveis e invisíveis de conexão entre os intérpretes”, diz Mirtes Calheiros, diretora da companhia e do espetáculo.

“O que nos torna humanos? Ao responder essa pergunta resgatamos memórias, movimentos ancestrais, sensações e reflexões que permitem experimentarmos híbridas formas de existência cênica, estabelecendo uma ressonância entre corpo e objetos inanimados”.

Foto: Fabio Pazzini

Ficha técnica – Direção: Mirtes Calheiros. Intérpretes-criadores: Dawn Fleming, Ederson Lopes, Élder Sereni, Fany Froberville, Gisele Ross, Hiro Okita, Leandro Antônio, Maira Yuri, Mirtes Calheiros e Rodrigo Caffer. Pesquisa musical: Marcelo Catelan. Design de luz: Carlos Gaúcho. Figurino: Miko Hashimoto e acervo Artesãos do Corpo. Artista gráfico: Bruno Pucci. Registro em vídeo: Irmãos Guerra. Registro em fotos: Fábio Pazzini. Arte em ferro e madeira: Fany Froberville. Arte em madeira – suspensa: Ederson Lopes e Mirtes Calheiros. Arte em madeira e objetos cenográficos: Marcelo Catelan. Arte em papel/origami: Alzira Cathony. Pipa: Hiro Okita. Arte em plástico e gelo: Dawn Flemming e Leandro Antonio. Produção e administração: Ederson Lopes. Agradecimentos: Diogo Soares, Michiko Okano, Miko Hashimoto e Toshi Tanaka.

Foto: Fabio Pazzini

Cia. Artesãos do Corpo:

Criada em 1999 pela socióloga e bailarina Mirtes Calheiros, a Cia. Artesãos do Corpo reúne bailarinos, performers, atores e pesquisadores de artes cênicas, com o objetivo de elaborar espetáculos e intervenções que provoquem a sensibilidade e a consciência do espectador para temas de interesse no mundo contemporâneo.

Utilizando o palco e locais não convencionais como espaços de atuação, a companhia desenvolve uma pesquisa focada na diluição das fronteiras entre dança, teatro e performance e na investigação urbano-coreográfica dos processos de influência, alteração e diálogo entre o corpo e a cidade.

A diversidade e a pluralidade conduzem a formação de seu elenco. Assim, a companhia leva ao palco, a cada novo trabalho, um mosaico de referências estéticas e de percepções corporais distintas, criando inúmeras possibilidades coreográficas a cada tema proposto.

Atualmente a companhia dedica-se à pesquisa de estados físicos e meditativos que estimulem o intérprete à criação cênico-coreográfica, a partir de situações de presença e sua posterior ressignificação para a cena. Essa pesquisa utiliza como suporte diferentes abordagens de treinamento e percepção corporais orientais (aikido, yoga, tai-chi, chi kung, sei-tai-ho). Essencialmente, a proposta é diluir as fronteiras entre linguagens, mas também entre arte e vida cotidiana.

As criações da Cia. Artesãos do Corpo já foram apresentadas em oito países – Argentina, Alemanha, Bélgica, Chile, Costa Rica, França, Itália e Portugal.

Desde 2006, a companhia desenvolve anualmente o Visões Urbanas, festival internacional de dança em paisagens urbanas, com o objetivo de criar mecanismos criativos de intervenção da dança no cotidiano da cidade. Este festival integra a rede CQD – Cidades que Dançam (www.cqd.info).

 

Onde:
Sesc 24 de Maio
Teatro
Quando:
16 e 17 de maio/2019
Quinta e sexta às 21h
Quanto:
R$ 20; R$ 10; R$ 6
Info:

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo (SP), tel. (11) 3350-6256. Estação de metrô: República e Anhangabaú.

Duração: 60 minutos.