Balé Teatro Guaíra estreia coreografia de Lili de Grammont e inicia nova fase com direção de Luiz Fernando Bongiovanni

O Balé Teatro Guaíra termina 2021 com perspectivas auspiciosas. Sua volta aos palcos com a estreia de um novo espetáculo – VICA, assinado por Lili de Grammont – se soma à notícia da nomeação de Luiz Fernando Bongiovanni para a direção artística da companhia paranaense, sediada em Curitiba.

Fundado em 1969, o Balé Teatro Guaíra ganha boas expectativas sob a direção do paulista Luiz Fernando Bongiovanni. Bailarino e coreógrafo, ele dançou no Balé da Cidade de São Paulo, em seguida trabalhou na Europa em importantes companhias (como Cullberg Ballet da Suécia, e Ballet da Ópera de Zurique, entre outras), com uma nata de coreógrafos internacionais (Mats Ek, William Forsythe, Jiri Kylián, Ohad Naharin e Nacho Duato). Em 2004 voltou ao Brasil e, desde então, vem se destacando em atuações junto a diversas companhias e pelo trabalho à frente de seu grupo, o Núcleo de Pesquisas Mercearia de Ideias, de São Paulo.

Sem dúvida, o Balé Teatro Guaíra, sob a condução de Bongiovanni, trará boas novidades a partir de 2022.

De momento, a coreografia de Lili de Grammont marca o retorno da companhia ao palco para as apresentações presenciais de VICA, coreografia que expressa os desafios vividos durante a pandemia de covid-19 e a esperança de retorno para o “novo normal”.

Este novo espetáculo do Guaíra também brinca com a tecnologia: o cenário é virtual e um celular em cena transmite a apresentação ao vivo, como se o público on-line fosse um bailarino da companhia.

A trilha sonora, de Ed Côrtes, associa elementos do erudito ao funk.

Foto: Maringas Maciel

Com formação pela Juilliard School, de Nova York, e passagem pelo Balé da Cidade de São Paulo, Lili de Grammont traz, em VICA, reflexões sobre o papel da tecnologia.

O acrônimo VICA significa volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, características já integrantes do mundo pós-moderno, mas exacerbadas com a pandemia de covid-19. O termo surgiu nos Estados Unidos após o fim da Guerra Fria. “Trazemos esses elementos para o trabalho. Estamos em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Como viver nesse contexto?”

Foto: Maringas Maciel

Segundo a coreógrafa, a saída para os desafios do mundo pós-pandemia são as conexões entre as pessoas, por isso a coreografia explora a relação, o toque entre os bailarinos – algo que havia ficado “suspenso” com a pandemia. Lili conta que usou uma metáfora com a água para explicar aos bailarinos o que desejava transmitir ao público. “Como ser água em um mundo árido, com areia movediça e cheio de montanhas? Os caminhos vão mudando e precisamos descobrir como contornar os obstáculos e chegar ao mar. A mensagem é dizer que, apesar de tudo, a essência do ser humano é sempre caminhar para a vida, para a cor, para o sorriso. Por mais difícil que o percurso seja, há beleza”, diz a artista.

O cenário virtual de VICA traz técnicas de ilusão de ótica. “O virtual é algo que veio para ficar, não há como voltar atrás. O desafio da coreografia é discutir como manter nossa essência nesse contexto”, conta Lili.

A trilha sonora que encerra o espetáculo traz trechos de ritmos brasileiros, como samba e funk. A ideia é reproduzir e discutir o que se vive no mundo virtual, como no Instagram, onde vemos diversos estilos e perspectivas. “Os bailarinos são provocados como se estivessem no feed do Instagram: passamos de um conteúdo lírico ao futebol em um clique, por exemplo”, acrescenta a coreógrafa.

Foto: Divulgação
Onde:
Teatro Guaíra – Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha)
Quando:
4, 5, 11 e 12 de dezembro/2021
Sábado às 20h30
Domingo às 19h
Quanto:
R$ 20 e R$ 10
Info:

Teatro Guaíra: Rua XV de Novembro, 971, Centro, Curitiba (PR).

Classificação etária: 14 anos.