Balé da Cidade de São Paulo estreia ‘A Casa’, de Marisa Bucoff, e ‘Transe’, de Clébio Oliveira

Fora de cena há um ano, desde o início da pandemia do novo coronavírus, o Balé da Cidade de São Paulo (BCSP) retoma sua produção de espetáculos e estreia duas coreografias: A Casa, de Marisa Bucoff, e Transe, de Clébio Oliveira.

Marisa Bucoff integra o elenco da companhia há 21 anos. É a primeira vez que ela cria um espetáculo para o BCSP, assim como Clébio Oliveira, artista independente de Natal (RN), que vive em Berlim (Alemanha) desde 2008.

Foto: Larissa Paz
A Casa, de Marisa Bucoff. Bailarina à frente: Rebeca Ferreira.

Em A Casa, Marisa Bucoff expressa a multiplicidade de sentimentos que este abrigo essencial ganhou com a pandemia. Num momento em que a casa de cada um tornou-se lugar de isolamento, distanciamento físico e recinto de trabalho, exigindo adaptações inclusive de bailarinos, que passaram a treinar e ensaiar em seus espaços pessoais, Marisa procura interpretar os reflexos desta condição nos comportamentos cotidianos.

“O espetáculo dialoga com os afetos que atravessam as subjetividades, constituídas durante o período de isolamento social, na intenção de problematizar a despotencialização e a vulnerabilidade às quais fomos lançados. Olhares, sensações e gestos representam o si mesmo e também o mundo, na ambiência afetiva, porém insólita, do palco”, conta a coreógrafa.

No palco, o público verá uma casa representada ora de maneira literal, com algumas poucas mobílias que compõem a montagem, ora de maneira simbólica. Para criar o cenário, que também contou com soluções que atendem os protocolos de segurança sanitária, Marisa Bucoff explica que se inspirou no filme Dogville, dirigido por Lars von Trier e conhecido justamente pela ausência e amplitude de cenários e elementos. “Os movimentos insurgem, ocupando o território simbólico e sincronicamente aberto. A pele, a moradia e a proteção básica são espectros do retrato da Casa, porém, por outro lado, representam, também, a falta e aquilo que é a não casa. Assim, nesse jogo dual, A Casa espelha a nós mesmos, ou seja, a nossa própria existência“, completa.

A coreografia conta com trilha sonora original, especialmente composta pelo músico Ed Côrtes, desenho de luz de Mirella Brandi e figurinos de João Pimenta.

Como um eco de A Casa, que abre o programa, a criação de Clébio Oliveira – Transe — parte da indagação: “O que seria o ideal de um mundo perfeito? O que seria uma vida ritualizada? O que seria uma aventura de viver? Seria possível um mundo onde pudéssemos apenas celebrar a vida através da dança e da música?”. O coreógrafo e bailarino convidado, que já flertava com a companhia há 15 anos, começou a conceber o espetáculo pensando no Balé da Cidade em 2006, inspirado no festival Burning Man, realizado no deserto de Nevada, EUA. Por conta da inspiração no festival, que cria em suas edições uma espécie de lugar utópico e um universo paralelo, Clébio Oliveira foi profético ao já imaginar, naquela época, uma montagem onde os bailarinos dançavam de máscara e óculos, por conta das tempestades de areia que surgem no local.

Foto: Larissa Paz
Transe, de Clébio Oliveira. Bailarino: Manuel Gomes

“Como dançar os símbolos da vida num possível mundo pós-pandêmico? Transe é uma festa sem fim, uma utopia metaforizada em uma fábula inventada. Um ritual futurístico de êxtase coletivo; um mergulho sensorial mais próximo da dimensão do sensível do que do intelectual”, comenta Clébio Oliveira.

Com esses questionamentos como ponto de partida, o espetáculo, segundo o coreógrafo, não é sobre um transe específico, e sim sobre a ideia que este estado transmite, entre a vigília e o sono. Clébio Oliveira utiliza como processo de criação a colaboração e a narrativa individual dos bailarinos da companhia, para criar o que chama de “transe coletivo” para esse momento. O espetáculo traduz essa pesquisa minuciosa sobre os diversos tipos de transe,em uma espécie de catarse coletiva e ao mesmo tempo individual, no palco.

Transe tem trilha sonora original especialmente composta por Matresanch, nome artístico do cantor e compositor italiano Matteo Niccolai, desenho de luz de Mirella Brandi, figurino de João Pimenta e visagismo de Tiça Camargo.

Para desenvolver as coreografias de Marisa Bucoff e Clébio Oliveira, o elenco do Balé da Cidade de São Paulo trabalhou sob as rígidas condições que a pandemia impõe. Dividido em dois grupos, um para cada criação, os elencos trabalharam em andares diferentes da Praça das Artes, onde fica a sede da companhia, respeitando pausas de 20 minutos a cada hora de ensaios, para higienizações e troca de máscaras.

As apresentações serão presenciais, no Theatro Municipal de São Paulo, e online (veja informações abaixo).

Em fase de transição desde a saída de Ismael Ivo, que dirigiu o Balé da Cidade de São Paulo de 2017 até 2020, a companhia está trabalhando sob a coordenação artística de Raymundo Costa, em conjunto com as ensaiadoras Carolina Franco e Roberta Botta, e ainda com Paulo Zuben, diretor artístico do Theatro Municipal de São Paulo e Ricardo Appezzato, responsável pela gestão artística do Theatro. Zuben e Appezzato são da Santa Marcelina Cultura, ONG que assumiu em 1º de novembro de 2020 um contrato emergencial de gestão para administração dos objetos culturais vinculados ao Complexo Theatro Municipal de São Paulo.

Ficha técnica:

A Casa (estreia mundial) – Concepção e coreografia: Marisa Bucoff. Música original: Ed Côrtes, Desenho de luz: Mirella Brandi. Figurino: João Pimenta. Número de intérpretes: 16. Elenco: Antônio Carvalho Jr., Ariany Dâmaso, Carolina Martinelli, Cleber Fantinatti, Fabio Pinheiro, Fernanda Bueno, Grecia Catarina, Isabela Maylart, Jessica Fadul, Leonardo Hoehne Polato, Leonardo Muniz, Márcio Filho, Marina Giunti, Rebeca Ferreira, Renée Weinstrof, Yasser Díaz. Duração: 28 minutos.

Transe (estreia mundial) – Concepção e coreografia: Clébio Oliveira. Música original: Matresanch. Desenho de luz: Mirella Brandi. Figurino: João Pimenta. Visagismo: Tiça Carmargo. Número de intérpretes: 17. Elenco: Alyne Mach, Ana Beatriz Nunes, Bruno Gregório, Bruno Rodrigues, Camila Ribeiro, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Harrison Gavlar, Leonardo Silveira, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel Anselmé, Renata Bardazzi, Uátila Coutinho, Victor Hugo Vila Nova, Victoria Oggiam. Duração: 30 minutos.

Onde:
Theatro Municipal de São Paulo
Quando:
25 a 28 de fevereiro de 2021
Quinta a sábado, 20h
Domingo, 17h
Quanto:
R$ 80 (inteira) e R$ 30 (meia)
Info:

Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Centro, São Paulo (SP). Estações de metrô: Anhangabaú e República.

Duração total do espetáculo: 60 minutos, aproximadamente

Classificação etária: livre

As apresentações presenciais no Theatro Municipal de São Paulo seguem todos os protocolos de segurança e prevenção à propagação do Coronavírus (Covid-19) e as orientações do Plano São Paulo e da Prefeitura Municipal de São Paulo para retomada consciente das atividades. Ao público espectador presente na Sala de Espetáculos, é necessário seguir os protocolos de segurança estipulados no Manual do Espectador, disponível no site https://theatromunicipal.org.br/pt-br/manualdoespectador/

Atenção: não será permitida a entrada de público após o início do espetáculo.

Bilheteria: em função da pandemia de COVID-19 a bilheteria do Theatro Municipal de São Paulo está fechada por tempo indeterminado. A venda de ingressos está sendo feita exclusivamente pelo site do Theatro Municipal de São Paulo – https://theatromunicipal.org.br/pt-br/.

Transmissões ao vivo pela internet:

A coreografia A Casa, de Marisa Bucoff, será transmitida gratuitamente ao vivo no dia 27, sábado, às 20h, pelo canal de YouTube do Theatro Municipal. Transe, de Clébio Oliveira, terá transmissão ao vivo no dia 28, domingo.