Balé da Cidade de São Paulo abre temporada de 2020 com ‘A Biblioteca de Babel’

O Balé da Cidade de São Paulo inaugura sua temporada de 2020, no Theatro Municipal, com o espetáculo A Biblioteca de Babel, que a companhia estreou em 2019.

A inspiração do espetáculo é o conto A Biblioteca de Babel, do escritor argentino Jorge Luis Borges.

Em cena, os corpos são compreendidos como um livro em sua própria exclusividade, um documento das nossas vidas e existência. Em uma das primeiras cenas, o público presencia os bailarinos arquivados em uma prateleira como se fossem livros, isolados, “encaixotados”, cada um no seu mundo. A ideia e o conceito são assinados pelo diretor artístico da companhia, Ismael Ivo (que também coreografou o espetáculo), e pelo cenógrafo Marcel Kaskeline.

Foto: Fabiana Stig

A Biblioteca de Babel discute os princípios da comunicação, a evolução e o entendimento entre os homens. Ismael Ivo explica que quando os bailarinos “arquivados” quebram as prateleiras, acontece a ruptura que faz alusão ao livro individual cujo conteúdo será descoberto – “pois ali estão impressos todos os aspectos e informações: qualidades, defeitos, talentos, ajustes, desajustes e infinitas vivências do homem”.

Nesta “ruptura” se estabelece um confronto de ideias e a produção passa a discutir questões de aceitação, inclusão e tolerância entre os homens. O balé evolui para uma alusão ao mito da “Torre de Babel”, em que uma ventania derrubou a torre e espalhou os cidadãos com idiomas diferentes pelo mundo, os quais precisavam conviver e aceitar as diferenças.

Foto: Fabiana Stig

Para a construção da produção, os 34 bailarinos da companhia tiveram que estudar a teoria da evolução da espécie humana, de Charles Darwin, e mergulharam no trabalho do fotógrafo Eadweard Muybridge, que se especializou em captar os movimentos de locomoção dos homens e dos animais. A Biblioteca de Babel é a concretização de uma pesquisa realizada anteriormente por Ismael Ivo, que resultou na produção Biblioteca del Corpo, também inspirada no conto do escritor argentino Jorge Luis Borges. Durante sete anos Biblioteca del Corpo foi apresentada por 25 integrantes do projeto L´Arsenale della Danza , na Bienal de Dança de Veneza, na Itália, que teve Ivo como diretor.

Ficha técnica de A Biblioteca de BabelIdeia e conceito: Ismael Ivo e Marcel Kaskeline. Coreografia: Ismael Ivo. Cenografia: Marcel Kaskeline. Figurinos: Gabriele Frauendorf. Desenho de luz: Marco Policastro. Assistentes de coreografia: Valentina Schisa e Elisabetta Violante.

Foto: Fabiana Stig

Escola de Dança de São Paulo na abertura

Antes de Biblioteca de Babel, alunos da Escola de Dança de São Paulo, que pertence à Fundação do Theatro Municipal de São Paulo, apresentarão a coreografia Como um Soproda bailarina, professora e pesquisadora de dança, bacharelada pela Escola Nacional da Grécia, Christiana Sarasidou.

A Escola de Dança de São Paulo completa 80 anos em 2020. Segundo o seu coordenador artístico, Luiz Fernando Bongiovanni, esta ação faz parte de uma parceria com o Balé da Cidade para proporcionar aos jovens talentos a vivência profissional necessária. “Nosso desejo, como escola de formação, é poder oferecer aos alunos um programa de qualidade e excelência”, afirma Bongiovanni.

O elenco da Escola de Dança de São Paulo reúne os seguintes bailarinos: Alanis Aiko Oliveira Tamashiro, Ana Carolina Isso Campos de Oliveira, Bianca Elias de Arruda, Camila Barbosa dos Santos, Eloise de Oliveira Pateti, Fernanda Martins, Giovannah Silva Marre, Kauane Barbosa dos Santos Claro, Lídia Lima dos Santos, Lucas da Silva Santos , Marcella Mori Arone da Silva, Maria Fernanda Poloni, Sthefanny Isabela Sousa da Silva e Valéria Leite de Almeida.

Onde:
Theatro Municipal de São Paulo
Quando:
7 a 9 e 11 a 13 de fevereiro/2020
Sexta, sábado, terça, quarta e quinta às 20h
Domingo às 18h
Quanto:
R$ 60; R$ 30; R$ 15
Info:

Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Centro, São Paulo (SP). Estações de metrô: República e Anhangabaú.

Duração aproximada: 70 minutos.

Classificação etária: 14 anos.