‘Balada da Virgem – em nome de Deus’, de Sandro Borelli: de volta à cena com novos intérpretes

Em 2018 Sandro Borelli estreou o solo Balada da Virgem – em nome de Deus, inspirado na heroína francesa Joana D’Arc.

O espetáculo volta agora ao cartaz com três bailarinos se revezando na interpretação: Renata Aspesi, Alex Merino e Rafael Carrion. Ótima oportunidade para ver este solo vigoroso que, depois de associado à personalidade de Sandro Borelli, ganha diferentes nuances por meio das presenças cênicas igualmente marcantes dos três intérpretes convidados.

De autoria de Sandro Borelli, o espetáculo investiga a figura emblemática da heroína francesa Joana D’Arc (1412-1431). Oriunda de uma família de camponeses pobres, analfabeta e religiosa, tornou-se figura lendária por sua coragem e determinação ao ter comandado as tropas francesas na Guerra dos 100 anos. Sob o comando de mensageiros dos céus (como afirmava), lutou pela libertação da França contra o domínio da Inglaterra.

Foto: Junior Cecon
Renata Aspesi

Joana D’Arc foi capturada pelo exército inglês e condenada à fogueira em 1431 pela igreja católica, acusada pelo crime de heresia. Ironicamente, quase 500 anos depois de sua morte, foi canonizada pela própria instituição religiosa que a executou, tornando-se santa e padroeira da França.

Balada da Virgem – em nome de Deus alimenta-se da força, da fragilidade física e espiritual e das possíveis contradições políticas e religiosas contidas na personalidade dessa mulher. Suas dores, angústias e perturbações, movidas por uma convicção irrefreável de fé, foram transformadas em uma tensão corporal permanente, numa liturgia coreográfica  que busca um estado físico de dramaticidade cênica.

Dentre os tantos significados e subjetividades que a arte contemporânea permite em suas gestações, a criação converteu o palco em um cárcere privado, lugar de privações de todo tipo, onde o apego à vida se esvaiu por completo. “O mito em suas últimas horas de vida. Assim surgiu Balada da Virgem – em nome de Deus”, afirma Borelli.

Foto: Junior Cecon
Rafael Carrion

A nova temporada do espetáculo integra as ações do projeto Corpo: protagonista perpétuo das dores do mundo, contemplado pela 26ª edição do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo. O projeto é uma realização da Cia. Carne Agonizante, dirigida por Sandro Borelli.

Foto: Junior Cecon
Alex Merino

Ficha Técnica – Concepção, coreografia, direção e luz: Sandro Borelli. Intérpretes: Renata Aspesi ou Alex Merino ou Rafael Carrion. Assistência coreográfica: Rafael Carrion. Trilha sonora: Gustavo Domingues*. Luz: Sandro Borelli. Figurino e cenário: criação coletiva do grupo. Arte gráfica: Gustavo Domingues. Fotografia: Júnior Cecon. Preparação corporal: Sandro Borelli, Vanessa Macedo e Mário Nascimento. Direção de produção: Júnior Cecon.

* A trilha sonora contém trechos das obras de Olafur Arnalds e Levon Minassian & Armand Amar.

Onde:
Kasulo Espaço de Cultura e Arte
Quando:
29 de novembro a 15 de dezembro/2019
Sextas e sábados às 20h
Domingos às 18h
Quanto:
R$ 20
Info:

Rua Souza Lima, 300, Barra Funda, São Paulo (SP).

Datas das apresentações de cada intérprete:

Renata Aspesi – dias 29, 30/11; 1, 7 e 14/12
Alex Merino – dias 6 e 15/12
Rafael Carrion – dias 8 e 13/12

Nos dias 29 e 30/11 e 1º/12 a entrada é um quilo de alimento não perecível que será destinado para instituições filantrópicas com atuação no bairro da Barra Funda. Para as demais apresentações o ingresso de R$ 20 (inteira) poderá ser adquiridos a partir de 30 minutos antes de cada apresentação.

 

Duração: 45 minutos.

Recomendação etária: livre.