Ângelo Madureira celebra 20 anos do solo ‘Delírio’ em apresentações na Biblioteca Mário de Andrade (SP)

As quatro apresentações de Delírio na Biblioteca Mário de Andrade celebram os 20 anos deste solo emblemático de Ângelo Madureira.

Concebido por Ângelo em 1999, este espetáculo solo realizado com direção de Ana Catarina Vieira se viabilizou após um processo com bolsa de pesquisa da Rede Stagium, em 1998.

O livro Frevo, Capoeira e Passo, do teatrólogo Valdemar de Oliveira (1900-1977), foi fonte inicial de pesquisa para a concepção de Delírio. Um conceito contido nesta obra – “o frevo é a música e o passo é a dança” – estimulou o desenvolvimento do “solo de bateria”, no qual Ângelo substituiu a música do frevo pelo som do rock progressivo. No processo de criação, também foi fundamental o seguinte questionamento: “se tirar a música do frevo, o que se dança?”. Em suma, Delírio reflete o desejo de explorar representações cênicas da dança popular.

@lairton_fotografia

É sempre difícil identificar o começo de uma história. Para Ângelo Madureira, Delírio pode ter nascido sete anos antes da estreia, em um aniversário do Balé Popular do Recife, com a música que dá nome ao solo (composta por seu tataravô Tonheca Dantas) e também com um personagem criado por seu próprio pai. Mas também poderia ter sido em uma madrugada solitária, um ano depois do bailarino se mudar para São Paulo, durante a leitura da carta de recomendação escrita pelo pai, que guardava no verso da página a fábula de um curumim que, após retornar à tribo de origem, não conseguia mais se reconhecer. São referências afetivas que se encontram presentes no trabalho, também produto das experiências de Ângelo com Ana Catarina Vieira, bailarina e coreógrafa com a qual manteve profícua parceria.

Membro de uma família tradicional de artistas de Recife (PE), Ângelo Madureira iniciou sua formação em dança aos três anos de idade. Conviveu intensamente com artistas populares e durante sete anos foi solista do Balé Popular do Recife, além de diretor e coreógrafo do grupo. Em 1997 mudou-se para São Paulo, onde integrou o Grupo XPTO e estabeleceu, em seguida, sua parceria com Ana Catarina Vieira, que vinha do balé clássico. Juntos, passaram a desenvolver uma pesquisa própria de linguagem e criaram quase uma dezena de obras.

Foto: Rogério Ortiz

No solo Delírio, Ângelo também expressa as inquietações que permeiam suas pesquisas de linguagem a partir dos encontros entre as culturas clássica e popular. “A dança se organiza a partir de um banco de passos, ou a pesquisa pode desdobrá-los recriando-se corporalmente uma historiografia das primeiras formas? Como escapar das classificações que não admitem os ‘entre-lugares’? Como sobreviver fora do lastro das etiquetas que garantem a circulação em mercados específicos?”.

Ficha técnica de DelírioCriação e interpretação: Ângelo Madureira. Direção: Ana Catarina Vieira. Iluminação: Juliana Augusta Vieira. Assistente de direção: Luiz Anastácio. MúsicasMatinada, Valsa para Bilu, Biu do Pífano, Caldo de Cana, Maracatu Indiano, Mourama, Laursa, Cocão, Kuarupe e A Cobra (de  Ántulio Madureira), Relembrando o Norte (de Severino Araújo). Produção: Corpo Rastreado.

DELIRIO, ANGELO MADUREIRA, Panorama SESI de Dança 2010
Onde:
Biblioteca Mário de Andrade
Auditório Rubens Borba de Morais
Quando:
3, 10, 15 e 17 de fevereiro/2020
Segundas-feiras e sábado, 19h
Quanto:
Grátis
Info:

Rua da Consolação, 94, República, São Paulo (SP), tel. (11) 3775-0020.

Duração: 60 minutos.

Classificação etária: livre.

Lotação: 120 lugares.

Acesso para portadores de necessidades especiais.

Ingressos grátis: senhas individuais retiradas a partir de 1h antes da apresentação.