Anderson do Carmo
Primeiro Ensaio sobre a Retórica

Por Néri Pedroso

 

Foto: Cassiana dos Reis Lopes
Anderson do Carmo

 O bailarino Anderson do Carmo faz, desde o dia 28 de junho, uma residência no Memorial Meyer Filho, no centro de Florianópolis. O resultado de sua pesquisa Primeiro Ensaio sobre a Retórica estará aberto ao público nos dias 21 e 22 de julho, às 18h30. A proposta encaminhada para a etapa seletiva do Memorial originalmente chamava-se Saber, dizer, fazer: tudo aquilo que sucede de modo invisível ao dançar. Mas, no processo da investigação, o nome do trabalho mudou. A ideia bem aberta, explica o artista, “consistiria em dedicar tempo ao fazer dança, escrever, falar, saber, entender dança e todas as atividades que estão em jogo naquilo que exerço atualmente e que pretendo exercer num futuro próximo”.

Anderson do Carmo neste momento define-se no atravessamento de diferentes atuações. Vive ainda a ressonância de intérprete de uma companhia, o Grupo Cena 11 Cia. de Dança, em que atuou entre 2012 até abril de 2016, além de mover-se como pesquisador no mestrado, produtor de textos para jornal, sites e projetos experimentais, como a plataforma Múltiplas Escritas que realiza dentro do Múltipla Dança – Festival Internacional de Dança Contemporânea, numa abordagem que relaciona a escrita e a dança. Fora isso, será o dramaturgista do solo Peso Bruto, de Jussara Belchior, e diretor do solo Frágil, de Letícia de Souza, projeto em parceria com a bailarina que vive em Joinville e com a qual conquistou o Prêmio Klauss Vianna 2014. A execução neste segundo semestre abarca as cidades de Joinville e Florianópolis.

Caminho intenso e transversal, como pesquisador ele quis “entender o que seria possível fazer com isso tudo”. Na residência, dentro do espaço do Memorial Meyer Filho, primeiro considerou a possibilidade de oferecer aulas mas logo percebeu que a ideia não criava sentido. Então, consciente e em busca de reverberações no próprio corpo, pois tem estado num movimento muito de dentro para fora (olha outras danças, fala e escreve sobre elas), optou por fazer um caminho mais coerente, não necessariamente fácil. Sozinho, sem parcerias, mergulhou na criação. Em certos momentos, criou pequenos grupos para mostrar o que ele denomina como “coisa” que se aproxima de um formato de solo.

A abertura pública, além de Primeiro Ensaio sobre a Retórica, que terá cerca de 30 minutos, prevê uma conversa sobre o processo resultante de um bailarino dentro de cubo branco só com caderninho, o computador e o corpo.

Primeiro Ensaio sobre a Retórica – Uma sinopse

Uma palestra. Uma performance. Uma peça. Um pedaço. Um destroço. Um dejeto. Um desejo. Primeiro Ensaio sobre a Retórica é o resultado de uma residência que ocupou o Memorial Meyer Filho. É uma coleção de gestos, um inventário de sons, uma lista de imagens que pretende encontrar, invadir e habitar o espaço quase invisível que existe entre as palavras e as coisas. Em que momento os significados se grudam nos sons? Em que lugar as letras se juntam aos sentidos? E todos aqueles que sequer sabem que podem falar? E quem jamais foi escutado? O que dizer sobre quem está silenciado? O que dessas bocas sairia para em ouvidos alheios adentrar? Este corpo quer escutar o que outros corpos têm a dizer. Este corpo vai continuar falando mesmo sem ser compreendido. Este corpo não sairá daqui até conseguir conversar.

 

Onde:
Memorial Meyer Filho
Quando:
21 e 22 de julho/2016
Quinta e sexta-feira, 18h30
Quanto:
Grátis
Info:

Praça 15, n° 180, Centro, Florianópolis (SC), tel.

http://www.institutomeyerfilho.org.br/