12º Festival Contemporâneo de Dança apresenta criações de Ligia Lewis e Panaibra Gabriel Canda

Sob direção artística de Adriana Grechi e direção geral de Amaury Cacciacarro, o Festival Contemporâneo de Dança (FCD) apresenta duas criações em sua 12ª edição, em 2019: minor matter, da coreógrafa e dançarina Ligia Lewis, e Tempo e Espaço: Os Solos da Marrabenta, de Panaibra Gabriel Canda.

Nascida em Santo Domingo, República Dominicana, Ligia Lewis vive na Alemanha, em Berlim. Panaibra Gabriel Canda nasceu em Maputo, capital de Moçambique, onde vive até hoje.

A versão enxuta do festival também inclui palestras, conversas, pitch sessions e encontros entre público, artistas e programadores da European Dancehouse Network (EDN).

Em tempos cada vez mais adversos para as artes e para toda a diversidade da vida no Brasil, o festival apresenta trabalhos criados por coreógrafos de países e contextos diversos, que investigam em seus corpos práticas sensíveis de partilha e multiplicidades poéticas, que oferecem formas de resistência e reinvenção. Ligia Lewis e Panaibra Gabriel Canda realizam obras que ativam os afetos, provocam encontros que possibilitam os deslocamentos, as transformações, desestabilizando os lugares fixos. Ambas as obras procuram partilhar experiências plenas de vitalidade questionadora, alargando parâmetros para as artes contemporâneas.

Foto: Arthur Fink
Tempo e Espaço: Os Solos da Marrabenta, de Panaibra Gabriel Canda

A coreógrafa e dançarina Ligia Lewis apresentará seu trabalho pela primeira vez no Brasil. Lewis foi descrita pela revista The New Yorker como uma “experimentalista americana”. Seu espetáculo minor matter foi premiado em 2017 com o importante Bessie Award para produção de excelência.

Panaibra Gabriel Canda é um dos precursores da dança contemporânea em Moçambique, onde atua há 25 anos. Seus trabalhos foram apresentados em diversos países e receberam importantes prêmios.

Após a apresentação de Panaibra Canda, o Coletivo ERER + realizará uma conversa com o coreógrafo aberta ao público. O coletivo é formado por estudantes da Escola Estadual Dr. Américo Marco Antônio (localizada em Osasco) e orientado por T. Angel, especialista em modificação corporal, performer e profissional da educação. O trabalho do Coletivo ERER + tem como foco a educação para as relações étnico-raciais e outros marcadores das diferenças sociais.

Nesta edição, o Festival Contemporâneo de Dança organizou um encontro público sobre os programas realizados por cinco Casas de Dança participantes da European Dancehouse Network (EDN), sediadas na Irlanda, França, Portugal, Finlândia e República Tcheca. A EDN é a rede de trabalho das Casas de Dança da Europa, teatros que apresentam, promovem e coproduzem dança contemporânea. O FCD promoverá também uma série de encontros (Pitch Sessions e ensaios abertos) entre os programadores da EDN e os seguintes artistas que trabalham em São Paulo: Cristian Duarte, Eduardo Fukushima, Clarissa Sacchelli, Elisa Ohtake, Leandro de Souza, Beatriz Sano, Elisabete Finger, Marta Soares, Eliana de Santana, Daniel Kairoz e Pedro Galiza.

 

Foto: Arthur Fink
Panaibra Gabriel Canda

PROGRAMAÇÃO das atividades abertas ao público:

Tempo e Espaço: Os Solos da Marrabenta
Panaibra Gabriel Canda (Moçambique)
6 e 7 de novembro | Quarta e quinta às 20h
Local: Itaú Cultural | Duração: 60 minutos | Classificação Indicativa: 12 anos
Ingresso: Gratuito. Na bilheteria do teatro no dia da apresentação, abre 1h antes.
Lotação da sala: 224 lugares

Tempo e Espaço: Os Solos da Marrabenta investiga identidade, desmontando a ideia de corpo colonizado, descontruindo as representações culturais de um corpo considerado “puro” africano, em particular o corpo moçambicano. Desde a independência, em 1975, Moçambique tem sido uma terra de transformações sociais e políticas, onde um modelo inflexível comunista abriu caminho gradualmente para uma frágil democracia. Panaibra Gabriel Canda cria um auto-questionamento dançado.  A performance investiga um corpo africano de hoje: pós-colonial, um corpo plural que absorveu ideais de nacionalismo, modernidade, socialismo e liberdade de expressão. Um corpo que reflete a fragmentação do país, as biografias, os anseios. Canda é acompanhado pelo guitarrista Jorge Domingos, que explora a música Marrabenta, uma forma musical nascida na década de 1950 a partir de uma mistura de influências locais e européias.

Panaibra Gabriel Canda – O moçambicano de Maputo estudou teatro, dança e música em Moçambique e Portugal. Realizou parte de sua formação em dança contemporânea com apoio do programa Danças na Cidade em Lisboa, onde trabalhou com artistas como Vera Mantero, Frans Poelstra e Meg Stuart. Desde 1993, desenvolve seus próprios projetos artísticos. Em 1998 fundou a CulturArte, organização que promove o desenvolvimento de projetos artísticos, workshops e práticas para dançarinos e coreógrafos africanos. Canda trabalha há 25 anos como dançarino e coreógrafo, apresentou suas obras em diversos países e recebeu importantes prêmios.

FICHA TÉCNICA – Coreografia, dança e texto: Panaibra Gabriel Canda I Música: Jorge Domingos I Desenho de Luz: Myers Godwin I Adaptação de Luz: Aude Dierkens I Operação de Luz: Caldino Alberto I Figurino: Mama Africa & Lucia Pinto I Suporte Administrativo: Jeremias Canda I Adereços: Panaibra Gabriel Canda com o apoio de Gonçalo Mabunda I Produção: CulturArte (Maputo) I Coprodução: Sylt Quelle Cultural Awards for Southern Africa 2009 – Goethe Institut Joanesburgo I Apoio: Kunstenfestivaldesarts, Bates Festival, Festival Panorama, VSArtsNM I Agradecimentos especiais: Jesse Manno, Dan Minzer, Leah Wilks, Cynthia Oliver, Elsa Mulungo, Timotio Canda e Jorge Canda

Foto: Julieta Cervantes
minor matter, de Ligia Lewis

minor matter
Ligia Lewis (República Dominicana/ EUA/ Alemanha)
9 e 10 de novembro | Sábado às 21h, domingo às 18h
Local: Sesc Avenida Paulista | Duração: 60 minutos | Classificação indicativa: 14 anos
Ingresso: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada), R$ 12,00 (credencial plena SESC).
Venda de ingressos: Na bilheteria do Teatro.
Lotação da sala: 65 lugares

Segunda parte da trilogia AZUL, VERMELHO, BRANCO, minor matter coloca em jogo dois dispositivos discursivos – blackness e a caixa preta. Neste trabalho, Lewis recorre à cor vermelha para materializar pensamentos entre amor e raiva. O trabalho se desdobra multidirecionalmente, criando uma poética da dissonância a partir da qual emergem questões de representação, apresentação, abstração e limites da significação. Ao longo da coreografia, os performers empurram seus corpos contra os limites do palco, enquanto simultaneamente demonstram uma relação humilde entre seus corpos e o espaço que os encapsula. Os artistas ficam exaustos enquanto seus corpos despem o palco de sua mística formal para abordar sua matéria/questão – negra. Em minor matter, o som atravessa épocas musicais para chegar à uma poética do presente íntimo. Com uma lógica de interdependência, as partes do teatro –  luz, som, imagem e arquitetura – se enredam nos três performers, dando vida a um vibrante espaço social e poético.

Ligia Lewis é dançarina e coreógrafa. O seu trabalho foi apresentado em múltiplos contextos, incluindo teatros, museus e galerias. Dialogando com o afeto, a empatia e o sensível, a sua coreografia leva em consideração as inscrições sociais do corpo, ao mesmo tempo que evoca suas potencialidades. Em 2017, Lewis recebeu os prêmios Bessie por minor matter e Prix Jardin d’Europe por Sorrow Swag. Seu trabalho tem sido apresentado em diversos festivais e programas: Abrons Art Center/American Realness (NYC), Flax/Fahrenheit (LA), Palais de Tokyo (Paris), TATE Modern (Londres), Stedelijk Museum/Julidans Festival (Amsterdã), REDCAT/Pacific Standard Time (LA), Tanz im August / HAU Hebbel am Ufer (Berlim). Como performer, Lewis trabalhou com Ariel Efraim Ashbel, Mette Ingvartsen e Eszter Salamon. Colaborou com Wu Tsang, Twin Shadow e o coletivo de DJ NON Worldwide.

FICHA TÉCNICA – Concepção e coreografia: Ligia Lewis I Performance: Keyon Gaskin, Corey-Scott-Gilbert, Ligia Lewis, Tiran Willemse (desenvolvida com: Jonathan Gonzalez, Hector Thami Manekehla) I Dramaturgia musical: Michal Libera, Ligia Lewis I Styling: Alona Rodeh I Desenho de Som: Jassem Hindi I Técnica de Som: Neda Sanai I Desenho de Luz: Andreas Harder I Técnico de Luz: Joseph Wegmann I Dramaturgia: Ariel Efraim Ashbel I Assistência: Martha Glenn I Produção Executiva e Difusão: HAU Artist Office/ Sabine Seifert/ Nicole Schuchardt. Produção: Ligia Lewis I Coprodução: HAU Hebbel am Ufer I Financiado por: Berlin Senate Department for Culture and Europe, Fonds Darstellende Künste e.V. I Apoio a residências: FD-13, PACT Zollverein, 8:tension/Life Long Burning, collective address.

 

Apresentação pública sobre EDN e cinco Casas de Dança participantes da rede

8 de novembro
Sexta, das 14h às 17h
Local: Centro Cultural São Paulo – Sala de ensaio
Ingresso: Gratuito.
Sujeito a lotação do espaço.

A European Dancehouse Network (EDN) é uma rede internacional para a dança contemporânea, formada em 2004 e atualmente cofinanciada pelo programa Europa Criativa da União Europeia (2017-2021), uma associação crescente de 40 membros. A EDN é a rede de trabalho das Casas de Dança da Europa (teatros que apresentam, promovem e coproduzem dança contemporânea). A rede fomenta a confiança e a cooperação entre as Casas de Dança, compartilhando uma visão comum sobre o desenvolvimento da arte da dança através das fronteiras.

A EDN tem como missão cooperar na garantia de um futuro sustentável para o setor da dança e aprimorar a relevância da diversidade da dança na sociedade.

Apresentação dos Programas das seguintes Casas de Dança: Tanssin Talo – Helsinque (Finlândia), DeVIR/CAPa – Faro (Portugal), Tanec – Praga (República Tcheca), KLAP – Marselha (França), Dance Ireland – Dublin (Irlanda).

 

Onde:
Itaú Cultural
Sesc Avenida Paulista
Centro Cultural São Paulo
Quando:
6 a 10 de novembro/2019
Quanto:
Grátis / R$ 40, R$ 20, R$ 12
Info:

Itaú Cultural: av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo (SP). Estação de metrô: Brigadeiro
SESC Avenida Paulista: av. Paulista, 119 – Bela Vista, São Paulo (SP). Estação de metrô: Brigadeiro
Centro Cultural São Paulo: rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo (SP). Estação de metrô: Vergueiro.