SescTV apresenta 13 programas na nova temporada da série Dança Contemporânea

O SescTV disponibiliza on demand, no dia 18 de junho, os episódios inéditos da série Dança Contemporânea.

Exibida pelo canal desde maio de 2009, com direção geral de Antonio Carlos Rebesco, a nova temporada da série aborda a cena da dança no entorno da cidade de São Paulo, abarcando as produções da periferia e suas questões.

Nos dias 18 e 25 de junho, quintas-feiras, às 20h, o canal exibe respectivamente os espetáculos de dança contemporânea Sons D’Oeste, interpretado pela Trupe Benkady e Mensagens de Moçambique, da Taanteatro Companhia.

A nova temporada da série Dança Contemporânea é composta por 13 programas, com duração de 52 minutos cada. São eles: Encruzilhada – Fragmento Urbano; Arquivo Negro – Passos Largos em Caminhos Estreitos – Cia Pé no Mundo; Noite de Solos composto pelas apresentações Depoimentos para Fissurar a Pele – Núcleo Djalma Moura e Corredeira – Nave Gris Cia Cênica; Filhos da Porra Toda – Coletivo Calcâneos; Herança Sagrada – A Corte de Oxalá, com o Balé Folclórico da Bahia; Cria – Cia. Suave ; Eles Fazem Dança Contemporânea -interpretado por Leandro Souza; Anonimato; Subterrâneo – Gumboot Dance Brasil; 5 Passos para não Cair no Abismo – Cia Urbana de Dança; Mulheres do Àse.- com Edileusa Santos; Sons D’Oeste -Trupe Benkady e Mensagens de Moçambique – Taanteatro Companhia.

As novas produções, que têm curadoria da artista da dança, arte educadora e gestora cultural Gal Martins, além de seguirem a mesma proposta das edições anteriores, também estimulam reflexões sobre os rumos estéticos e conceituais da dança contemporânea na televisão. Além disso, revelam as técnicas aplicadas na elaboração de um espetáculo de dança.

Segundo Gal Martins, a nova temporada do Dança Contemporânea protagoniza uma trama diversa, na qual periferias e centros encontram-se, chocam-se e retroalimentam-se, construindo um território que é multifacetado no que diz respeito aos percursos de concepção, pesquisa e criação em dança. “Por isso propus pensar o plural, como forma de encontrar diversos caminhos que contemplem o corpo negro, o corpo feminino, o corpo periférico e o corpo gordo”, explica Gal.

Sobre as criações:

Foto: Alex Ribeiro
Sons D'Oeste

O espetáculo Sons D’Oeste foi gravado no Sesc Belenzinho, sob direção de Flávia Mazal. A apresentação alia dança africana a pesquisa de ritmos matemáticos, fazendo uso de instrumentos tradicionais como o balafon, os dununs, djembês, kalimbas e berimbaus. “Sons D’Oeste articula memórias, ritmos ancestrais, unindo dança, música, ritmo e corpo”, explica a diretora.  Segundo Flávia, Sons D’ Oeste nasceu com a proposta de unir timbres diferentes porque os espetáculos africanos utilizam o tambor o tempo todo. “Fazemos uma pesquisa de ritmos e outros tons na música, fazendo inclusive uma comparação de situações sociais do que acontece no Brasil e, igualmente, em Guiné, na Costa Oeste da África”, afirma.

Foto: Divulgação
Mensagem de Moçambique

Em Mensagens de Moçambique, o diretor, dramaturgo, cenógrafo e figurinista Wolfgang Pannek, da Taateatro Companhia, explica que a aproximação entre ele e o bailarino Jorge Ndlozy foi uma colaboração frutífera por afinidades artísticas que, ao mesmo tempo, trazem experiências sociais e históricas diferenciadas. “A companhia trabalha com a mitologia pessoal dos artistas envolvidos, no caso do Jorge, um moçambicano realizando um trabalho poético e político”, diz o diretor. Segundo Wolfgang é desenvolvido um diálogo sobre que é relevante para o público, de acordo com as experiências de cada um.

Jorge Ndlozy conta que o trabalho da Taanteatro Companhia reúne três continentes diferentes como Europa, África e América. “A coreografia de Mensagens de Moçambique é inspirada na moçambicanidade, costumes de Moçambique e de outras partes do mundo, como consequências do período colonial na África”, explica Jorge. Wolfgang Pannek assina concepção e direção de Mensagens de Moçambique. A direção musical é de Maura Baiocchi. Jorge Nodlozy é o intérprete e também toca timbila e tambor.

Foto: Divulgação
Herança Sagrada - A Corte de Oxalá

Em Herança Sagrada – A Corte de Oxalá, do Balé Folclórico da Bahia, os bailarinos reproduzem com fidelidade sequências de movimentos de alguns dos mais importantes rituais do candomblé, numa coreografia baseada em danças do culto afro-brasileiro. O espetáculo, que já fez sucesso nos Estados Unidos, Europa, Caribe, Oceania e África, conta com direção geral de Walson (Vavá) Botelho e direção artística de José Carlos Santos (Zebrinha). A segunda parte do espetáculo reúne coreografias clássicas do repertório do Balé, que traduzem as mais importantes manifestações folclóricas baianas, em Puxada de Rede, Capoeira e Samba de Roda, além de Afixirê, coreografia inspirada na influência dos escravos africanos na cultura brasileira.

Foto: Divulgação
Encruzilhada

Encruzilhada transita entre as danças urbanas e manifestações artísticas brasileiras, criando um diálogo com a atualidade que ressignifica a ancestralidade.  A apresentação é interpretada pelo grupo Fragmento Urbano, ancorado na circulação pelos mais variados espaços da zona urbana, vivenciando, em cada um deles um público distinto. Nessa concepção, Encruzilhada fomenta a pesquisa continuada, que busca encontrar na heterogeneidade social, étnica e cultural, estímulo e inspiração para suas criações.

“Quando o falar de si é tratar de contextos periféricos que se relacionam com a afro-diáspora, com os ameríndios e que dialogam com a ancestralidade e memórias pouco celebradas, o corpo também ganha voz. Dançar se torna palavra. Dançar a contra-história nos faz renascer. O que permite compartilharmos e vivenciarmos o mundo transformado em nossa encruzilhada”, afirma Douglas Iesus, diretor do espetáculo.

Foto: Divulgação
Anonimato

Anonimato, de João Nascimento, é um espetáculo de dança negra da Cia. Treme Terra, que revela situações do cotidiano brasileiro, e aspectos ligados ao soterramento e aniquilamento das memórias negras no seio de uma sociedade eurocentrada. De maneira poética, a obra aborda o genocídio étnico-cultural e suas consequências na vida social urbana.

Foto: Divulgação
Arquivo Negro – Passos Largos em Caminhos Estreitos

A trajetória de personalidades negras como João Cândido, Maria Firmina dos Reis, Luiz Gama, Carolina Maria de Jesus, Abdias do Nascimento e Aleijadinho inspiraram o espetáculo Arquivo Negro – Passos Largos em Caminhos Estreitos. A montagem resgata e reapresenta arquivos históricos sobre uma cultura afro-brasileira que não nos foi verdadeiramente contada. “Com a Cia Pé no Mundo, os bailarinos subvertem a lógica e propõem processos de investigação que pautam as questões contemporâneas que atravessam seus corpos, fazendo alusão a grandes personalidades negras e suas contribuições para a sociedade”, explica a curadora Gal Martins. A direção e a coreografia de Arquivo Negro – Passos Largos em Caminhos Estreitos é de Cláudia Nwabasili e Roges Doglas.

Foto: Divulgação
Arquivo Negro – Passos Largos em Caminhos Estreitos

Cria, dirigido por Alice Ripolli, investiga a noção de criação e suas possibilidades, como a dança da vida na favela, uma corda bamba onde cada instante é valorizado. O espetáculo retrata uma comunidade e as suas relações com os movimentos e a dança, que transformam a violência do atual contexto brasileiro em potência criativa.

Cria é o segundo espetáculo da Cia. Suave e nasceu inspirado na dancinha, estilo derivado do passinho, através do entrelaçamento do funk com a dança contemporânea e de uma potente pesquisa sonora.

Foto: Divulgação
Eles Fazem Dança Contemporânea

O intérprete Leandro Souza foi buscar na performance e nas artes visuais a inspiração para a criação de Eles Fazem Dança Contemporânea. Em um cenário que reproduz o tradicional cubo branco de galerias de arte, o bailarino busca a relação entre o seu corpo, a fala e um objeto cênico. A apresentação acontece a partir de uma lógica da repetição, sobreposição e transformação de ações, movimentos e produção de imagens. A voz do bailarino, repetindo as mesmas frases (em inglês e português), cria uma espécie de ritmo para a cena, além de uma sensação de quase hipnose junto ao público, enquanto ele executa movimentos que fogem dos sinais codificados da dança.

Foto: Divulgação
Filhos da Porra Toda

Em uma sociedade que historicamente considera a agressão como algo normal, o espetáculo Filhos da Porra Toda, encenado pelo coletivo Calcâneos, tem a intenção de transpor as dores dos corpos dos moradores da periferia, que sofrem com os altos índices de preconceitos sociais. A montagem manifesta-se na pretensão de instigar questões crítico-reflexivas por intermédio de uma obra artística em dança sobre o “ser periférico”, na reverberação dos contextos de opressor e oprimido, a partir das relações que circundam essas atuações, dando corpo a assuntos polêmicos. A direção do espetáculo é de Joelma Souza, Victor Almeida e Vinicius Longuinho.

Foto: Divulgação
Depoimentos para Fissurar a Pele

Noites de Solos – Depoimentos para Fissurar a Pele, de Djalma Moura, investiga os arquétipos do orixá Iansã, através de uma coreografia que intenciona criar fissuras no tempo e espaço, a partir das memórias do corpo negro. Iansã é o Orixá que dá corpo para o trabalho. Inserida diretamente nas coreografias, os movimentos de palco concentram-se em seus arquétipos e analogias em relação à natureza — sejam elas dentro do aspecto animal ou de tempo — como os ventos, as tempestades, os raios, o búfalo. Todos esses elementos são utilizados como disparadores do processo criativo das danças.

Foto: Divulgação
Corredeira

Concebido e dançado por Kanzelumuka, o espetáculo solo Noites de Solos – Corredeira nasce da percepção das águas que correm para o mar e da relação entre a ancestralidade, às águas e o corpo feminino. A corporeidade levada à cena tem sua origem nas tradições e saberes banto, em especial nas danças presentes em manifestações religiosas de matrizes africanas. É também um exercício de reflexão em torno do corpo negro que dança. Corredeira é dança mergulhada nas formas de representação próprias das culturas negras de origem banto. 

Foto: Divulgação
5 Passos Para Não Cair No Abismo

Em 5 Passos Para Não Cair No Abismo, a coreógrafa Sonia Destri Lie e os dançarinos da Companhia Urbana de Dança desenvolveram a apresentação inspirados no texto de Caio Fernando Abreu, Vórtice, voragem, vertigem, que, de acordo com Sonia, deveria ter se chamado “voragem” – aquilo que sorve ou devora”. É assim que a companhia se sente, tanto no abismo dos perigos de ser periférico, quanto os de estrelas falsas e de beijos e desejos. “O espetáculo reflete sobre como lidamos com nossos próprios abismos e propõe uma discussão acerca da realidade vivida pelos integrantes do grupo, que driblam suas realidades dentro do contexto social periférico.

Foto: Divulgação
Subterrâneo

Traçando um paralelo entre a experiência dos mineiros africanos do século 19 e a luta e sobrevivência da população negra e periférica das grandes cidades brasileiras, o espetáculo Subterrâneo, do grupo Gumboot Dance Brasil, propõe uma explanação em forma de dança e música, sobre as memórias soterradas de personagens suburbanos, vítimas de um regime de extermínio que avança sistematicamente. A direção e coreografia é de Rubens Oliveira.

Foto: Divulgação
Mulheres do Asè

Mulheres do Asè, espetáculo dirigido e concebido por Edileusa Santos, reúne performance e depoimentos de personalidades do candomblé da Bahia, em que a dança contemporânea, música, poesia e religiosidade afro estão em cena. Segundo a curadora Gal Martins, o espetáculo é uma performance ritual que nos embala e revela crença, sentimentos e resistências das mulheres que atuam nas religiões de matrizes africanas. “É um espetáculo que evidencia a celebração, percepção, personalidade, fé e àse pelos orixás, inquices, voduns e caboclos, cuja valorização se manifesta na plasticidade da cena e no corpo maduro das intérpretes”, explica.

Sobre a curadora: 

Gal Martins é artista da dança, atriz, arte educadora, gestora cultural e futura cientista social. Ela pesquisa a dança negra e diaspórica há 20 anos. Criou a Cia Sansacroma, grupo paulistano de dança contemporânea preta. Atuou como produtora cultural e coordenadora do Núcleo de Artes do Corpo e Música da Fábrica de Criatividade, e coordenou o projeto Educar Dançando, do Balé da Cidade de São Paulo. Em 2011 atuou como vice-presidente da Cooperativa Paulista de Dança. Em 2012 coordenou o Programa de Cultura e Lazer da Ação Comunitária do Brasil. Atualmente, além do trabalho com a Cia Sansacroma, atua na Zona AGBARA – projeto que idealizou e é destinado à produção em dança de mulheres pretas e gordas. É supervisora artístico pedagógica do Programa Fábricas de Cultura e membro do Fórum Danças Contemporâneas: Corporalidades Plurais. 

Sobre o SescTV:

O SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua programação é constituída por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com variadas expressões da música e da dança contemporânea. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira em conexão com temas universais. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras linguagens artísticas também estão presentes na programação.

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Para sintonizar o SescTV:

Canal 128, da Oi TV

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