Morre Yellê Bittencourt, um mestre da dança clássica

Para muitos bailarinos é motivo de orgulho exibir no currículo que já foi aluno de Yellê Bittencourt. Em São Paulo, ele se destacou entre as décadas de 1970 e 1980 como bailarino e professor do Corpo de Baile Municipal, como era chamado na época o Balé da Cidade de São Paulo. Com o tempo, passou a dedicar-se mais ao ensino. Chegou a lecionar inclusive na Europa, para companhias como o Ballet du Grand Théâtre de Genève, da Suíça. Apesar de sua importância, Yellê foi um artista discreto, cuja biografia não possui os registros merecidos. Pouco se sabia dele nos últimos tempos. A notícia de sua morte, no último dia 9 de agosto, no Rio de Janeiro, foi pouco divulgada. Sabe-se que ele lutava contra um câncer e que morreu em decorrência de complicações da doença.

A estreia de Yellê como bailarino foi no Rio de Janeiro, no Conjunto Coreográfico Brasileiro, companhia que existiu de 1944 a 1950. O diretor, coreógrafo e fundador do grupo era Vaslav Veltchek (1896-1967), proeminente artista tcheco que mudou-se para o Brasil na década de 1930 para aqui se fixar e contribuir para a evolução do balé no País.

Yellê estudou com Veltchek e depois de dançar no Conjunto Coreográfico Brasileiro, ingressou no elenco do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Mais tarde transferiu-se para os Estados Unidos. Entre outras companhias, dançou no Ballet Russe de Monte Carlo.

Contudo, no decorrer de sua carreira Yellê tornou-se sinônimo de professor emérito. Suas aulas de balé clássico sempre foram disputadas, inclusive por dançarinos de linguagem contemporânea.