Juca Ferreira quer construir política de dança para São Paulo junto com os profissionais da área

Em reunião realizada na manhã de quinta-feira, 22/8/13, em seu gabinete, o atual Secretário de Cultura do Município de São Paulo, Juca Ferreira, afirmou que deseja construir uma política de dança na cidade, junto com os profissionais da área. Para tanto, solicitou que a classe apresente propostas o quanto antes, para que já possam ser discutidas e cogitadas para o orçamento de 2014. Segundo demonstrou Ferreira, a dança pode contar com um canal de diálogo e troca de ideias na Secretaria, para que suas demandas sejam atendidas.

A reunião com Juca Ferreira com profissionais de dança de São Paulo foi marcada após solicitação da Cooperativa Paulista de Dança (CPD), cujo atual presidente é o coreógrafo Sandro Borelli. Compareceram à reunião, além de Borelli, integrantes do movimento A Dança se Move, Sofia Cavalcante e José Maria Carvalho, o representante da dança escolhido pela classe para o Conselho da Cidade, Daniel Kairoz, e o coreógrafo Wellington Duarte. Também participaram os produtores Penha Silva e Anderson Lago, e ainda Júnior Cecon e Patrícia Rodriguez (respectivamente, secretário financeiro e integrante da comissão política da CPD).

Na pauta de assuntos apresentada pelos profissionais de dança, estava o projeto de lei, já em tramitação na Câmara de Vereadores de São Paulo, que permitirá ao Programa Municipal de Fomento à Dança, instituído em 2006, a concessão de recursos financeiros durante dois anos, para cada projeto artístico aprovado. Atualmente, os editais da lei do Fomento concedem prazo máximo de um ano para a realização dos trabalhos artísticos, que com isto enfrentam o risco de serem interrompidos, caso não sejam novamente selecionados no edital seguinte.

Segundo o vereador José Américo, atual presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo, que esteve presente na reunião, é certo que será aprovado neste semestre o projeto de lei que prolonga para dois anos os recursos da lei do Fomento, o que permitirá a implantação desta nova possibilidade em 2014. Em 2006, quando a Lei do Fomento à Dança foi aprovada, José Américo, junto com mais dois vereadores, Nabil Bonduki e Tita Dias, foram os interlocutores dos profissionais de dança na Câmara Municipal. “Hoje José Américo é o nosso grande aliado para que a atual lei passe para até dois anos, com o consequente aumento da verba”, diz Borelli.

A Virada Cultural de 2013 também foi questionada na reunião. “A dança teve os menores cachês do evento”, protestou Borelli. O presidente da Cooperativa Paulista de Dança também propôs ao Secretário que espaços públicos ociosos sejam ocupados por grupos de dança para que realizem seus trabalhos.

A recente polêmica gerada pela escolha da coreógrafa Deborah Colker, do Rio de Janeiro, convidada pela Prefeitura para representar a dança de São Paulo no Conselho da Cidade foi outro assunto abordado. “Queremos deixar claro que não temos nada contra Deborah, pelo contrário”, observou  José Maria Carvalho. O problema, segundo enfatizou Carvalho,  foi a não inclusão de um profissional de São Paulo num conselho que pretende lidar com as demandas específicas da cidade.

Depois da repercussão causada pela escolha de Colker, foi divulgada a informação de que o Prefeito havia aberto mais uma vaga para um profissional da cidade. Porém, segundo Borelli, até agora não foi oficializado o nome de Daniel Kairoz, escolhido em eleição promovida pela classe para representar a dança paulista no Conselho. Juca Ferreira disse que a oficialização ocorrerá em breve e reiterou que não participou da escolha de Colker para o Conselho.

“Estamos mostrando aos gestores públicos que a dança paulistana está cada vez mais politizada e fortalecida politicamente. Não queremos quinhão, queremos ser ouvidos”, avaliou Borelli sobre a reunião com o Secretário.