Dança é destaque na MITsp 2020: ‘Multidão’ (‘Crowd’), da francesa Gisèle Vienne, abre a mostra

A dança abrirá a programação de 2020 da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, e continuará tendo destaque no decorrer do evento, que neste ano realiza sua sétima edição consecutiva, de 5 a 15 de março.

Multidão (Crowd), espetáculo de 2017 de Gisèle Vienne, uma das figuras centrais da dança contemporânea francesa, inaugura a MITsp de 2020 no dia 5 de março (20h, na cerimônia de abertura, para convidados), com apresentações também nos dias 6 e 7 (21h), no Auditório Ibirapuera.

O coreógrafo português João Fiadeiro, com o espetáculo O que fazer daqui para trás, também está na programação internacional de dança, assim como Sábado Descontraído (Samedi Détente), da ruandense Dorothée Munyaneza, e a instalação vídeomusical Orlando, da suíça Julie Beauvais (veja agenda abaixo).

João Fiadeiro é o Pedagogo em Foco da MITsp 2020 e, além de apresentar O que fazer daqui para trás, fará um intercâmbio artístico com artistas brasileiros e participará de uma Conversa Performática.

A Artista em Foco da MITsp 2020 é Andreia Pires, brasileira que atua em dança e teatro e que apresentará na mostra duas criações: Fortaleza 2040, trabalho de pesquisa com outros artistas, e Pra Frente o Pior, com a Inquieta Cia. Andreia Pires é professora do curso técnico em dança e professora substituta dos cursos de bacharelado e licenciatura em dança da Universidade Federal do Ceará. Além de seu trabalho de investigação solo, com a cearense Inquieta Cia., investe em criações colaborativas e em trabalhos capazes de mobilizar o meio artístico e a sociedade, com enfoques na singularidade e na diversidade dos corpos.

A 7ª edição da MITsp apresenta espetáculos, atividades reflexivas e pedagógicas, em vários espaços da cidade de São Paulo. A programação reúne 12 montagens internacionais com artistas de países como Alemanha, Chile, França, Portugal, Reino Unido, Suíça, entre outros, a instalação vídeomusical de Julie Beauvais e 12 produções brasileiras, além de uma ampla grade de oficinas, debates, conversas, lançamentos de livros, ao longo dos dez dias da mostra.

Antonio Araújo (Teatro da Vertigem) e Guilherme Marques (Ecum – Encontro Mundial das Artes Cênicas), idealizadores da MITsp – diretor artístico e diretor geral de produção, respectivamente – mantêm a ideia original de reunir em um festival espetáculos que buscam a experimentação e a investigação da linguagem cênica. Os eixos Mostra de Espetáculos, Ações Pedagógicas, Olhares Críticos e MITbr – Plataforma Brasil seguem privilegiando novos olhares para a cena e diálogos a partir das questões que movimentam o campo artístico.

Agenda de Dança da MITsp 2020:

Foto: Estelle Hanania
Multidão (Crowd), de Gisèle Vienne.

Multidão (Crowd | 2017) – de Gisèle Vienne

Duração: 90 minutos | Recomendação: 12 anos |

5 de março, quinta-feira, às 20h, cerimônia de abertura; 21h: espetáculo (para convidados)

6 e 7 de março, sexta e sábado, 21h. Local: Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer.

Sinopse: No espetáculo Multidão (Crowd), da artista franco-austríaca Gisèle Vienne, 15 jovens vivem uma montanha-russa de emoções durante uma festa techno. Guiados por uma seleção musical que reúne artistas de renome na história da dance music, como DJ Rolando, Global Communication e Jeff Mills, os dançarinos vivenciam situações intensas e alcançam estados alterados de seus sentidos. Fazem isso manipulando a velocidade dos movimentos de seus corpos em momentos predominantemente coletivos, mas que não excluem as narrativas individuais pelas quais cada um passa naquela noite. Vienne, cujos trabalhos investigam a relação entre o artístico e o religioso – esbarrando em questões complexas do comportamento humano, como o erotismo e a violência –, cria aqui um jogo de ritmos que provoca a impressão de distorção do tempo, remetendo a uma sensação alucinógena, hipnótica.

Ficha técnica – Concepção, coreografia e cenografia: Gisèle Vienne. Assistência: Anja Röttgerkamp e Nuria Guiu Sagarra. Designer de luz: Patrick Riou. Dramaturgia: Gisèle Vienne e Denis Cooper. Seleção musical: Underground Resistance, KTL, Vapour Space, DJ Rolando, Drexciya, The Martian, Choice, Jeff Mills, Peter Rehberg, Manuel Göttsching, Sun Electric e Global Communication. Edição e seleção de playlist: Peter Rehberg. Supervisor: Stephen O’Malley. Performers: Lucas Bassereau, Philip Berlin, Marine Chesnais, Sylvain Decloitre, Sophie Demeyer, Vincent Dupuy, Massimo Fusco, Rehin Hollant, Georges Labbat, Theo Livesey, Katia Petrowick, Linn Ragnarsson, Jonathan Schatz, Henrietta Wallberg e Tyra Wigg. Figurinos: Gisèle Vienne em colaboração com Camille Queval e os performers. Engenheiro de som: Mareike Trillhaas. Diretor técnico: Richard Pierre. Diretor de palco: Antoine Hordé. Operador de luz: Arnaud Lavisse. Agradecimentos: Louise Bentkowski, Dominique Brun, Patric Chiha, Zac Farley, Uta Gebert, Margret Sara Guðjónsdóttir, Isabelle Piechaczyk, Arco Renz, Jean-Paul Vienne e Dorothéa Vienne-Pollak. Produção e divulgação: Alma Office, Anne-Lise Gobin, Alix Sarrade, Camille Queval & Andrea Kerr. Administração: Etienne Hunsinger & Giovanna Rua. Produtor executivo: DACM. Coprodução: Nanterre-Amandiers, centre dramatique national/Maillon, Théâtre de Strasbourg – Scène européenne / Wiener Festwochen / manège, scène nationale – reims / Théâtre national de Bretagne / Centre Dramatique National Orléans/Loiret/Centre/La Filature, Scène nationale – Mulhouse / BIT Teatergarasjen, Bergen. Suporte: CCN2 – Centre Chorégraphique national de Grenoble / CND Centre national de la danse. A companhia Gisèle Vienne é apoiada pelo Ministério da Cultura e da Comunicação da França – Direção Regional de Assuntos Culturais Grande Leste, pela Região Grande Leste e pela cidade de Estrasburgo. Para turnês internacionais, o grupo tem apoio do Institut Français Paris. Gisèle Vienne é artista associada no Nanterre-Amandiers, centro dramático nacional, e no Théâtre National de Bretagne, dirigido por Arthur Nauzyciel.

Foto: Patricia Almeida
O que fazer daqui para trás, de João Fiadeiro

O que Fazer Daqui pra Trás (2015) – João Fiadeiro

Duração: 60 minutos | Recomendação: 12 anos |

7 a 9 de março, sábado a segunda-feira, às 19h. Local: Teatro Cacilda Becker.

 Sinopse: Em O que fazer daqui para trás, João Fiadeiro explora o tempo – sua duração, suspensão ou intervalo – ao “mesmo tempo” que foca a sua atenção naquilo que fica, no que foi esquecido, no resto. É a prova da ausência de uma presença. Ou melhor, é a presença de uma ausência. É no “resto” que vamos encontrar os traços e os rastros para darmos início à impossível tarefa de reconstruir o mundo, uma e outra vez. O resto é também o que está entre o corpo e “a presença do outro no corpo”, uma fuga permanente para coisas que ainda não são, para o que as coisas podem. “O que fazer daqui para trás” posiciona-se entre a dúvida e a possibilidade. Onde o não-dito é mais importante do que aquilo que se diz, onde a ausência se sobrepõe à presença e onde o drama não vem do teatro mas daquilo que os corpos – dos performers e dos espectadores – podem (e têm e trazem). A sombra indica-nos a presença da luz, o silêncio a presença do som e a ausência a presença do acontecido. Da sombra, do silêncio e da ausência, eis – para quem se pergunta – aquilo que esta peça trata.

Ficha Técnica – Concepção e direção: João Fiadeiro. Codireção: Carolina Campos. Performance e cocriação: Adaline Anobile, Carolina Campos, Márcia Lança, Iván Haidar e Daniel Pizamiglio. Desenho de luz: Colin Legran. Direção técnica: Leticia Skrycky.

Foto: Jose Caldeira
Sábado Descontraído, de Dorothée Munyaneza

Sábado Descontraído (Samedi Détente | 2014) – Dorothée Munyaneza

Duração: 1h15 min | Recomendação: 16 anos.

6 e 8 de março às 21h, sexta-feira e domingo;  8 de março, domingo, às 18h. Local: Sesc Avenida Paulista.

Sinopse: Por meio de suas lembranças de infância, a ruandense Dorothée Munyaneza reconta a guerra civil que assolou seu país em 1994, levando ao genocídio de 800 mil pessoas. A artista estava prestes a completar 12 anos quando se viu em meio aos conflitos, e desde então não conseguiu mais ouvir Samedi Détente (algo como Sábado Descontraído, em francês), um programa de rádio que embalava toda a população do país, com músicas de várias partes do mundo. Mas as canções daquela época ainda hoje ressurgem na mente e no corpo da artista, trazendo à tona as lembranças de amigos e da família. No espetáculo, espécie de testemunho cênico, Munyaneza tenta dar conta dos horrores do conflito através dessas memórias afetivas. Narra as histórias de guerra mesclando linguagens do teatro, da dança e da música e trazendo elementos que remetem à jornada de conflitos, como mesas e lonas (que serviam de abrigos contra os tiroteios) e camadas diversas de roupas (seus escudos).

Ficha Técnica – Concepção, coreografia e direção: Dorothée Munyaneza. Elenco: Nadia Beugré, Kamal Hamadache e Dorothée Munyaneza. Provocador: Mathurin Bolze. Desenho de luz: Christian Dubet. Cenário: Vincent Gadras. Figurino: Tifenn Morvan. Direção de palco: Frédérique Melin. Direção de som: Camille Frachet. Produção: Compagnie Kadidi, Anahi Production. Direção de produção: Emmanuel Magis, Anahi. Assistente de produção: Leslie Fefeu. Coprodução: Théâtre de Nîmes – Scène Conventionnée pour la Danse, Théâtre La Passerelle – Scène Nationale de Gap et des Alpes du Sud, Bois de l’Aune-Aix-en-Provence, Théâtre des Salins – Scène Nationale de Martigues, L’Onde – Théâtre Centre d’Art de Vélizy-Villacoublay, Pôle Sud – CDCN Strasbourg, Théâtre Jacques Prévert – Aulnay-sous-Bois, Le Parvis – Scène Nationale de Tarbes, Théâtre Garonne – Toulouse, Réseau Open Latitudes 2. Apoio cultural: European Programme, Théâtre de Liège, Théâtre de la Ville – Paris, BIT Teatergarasjen – Bergen. Com apoio do Théâtre Le Monfort–Paris, do Friche Belle de Mai–Marseille, da Direção Regional de Assuntos Culturais PACA – Ministério da Cultura e Comunicação, do SACD, Association Beaumarchais, Arcadi Île-de-France, ADAMI e Prefeitura de Paris.

Foto: Horace Lundd
Orlando, de Julie Beauvais

Orlando (Instalação vídeo-musical | 2017) – Julie Beauvais 

Duração: 60 minutos | Recomendação: livre.

7 e 8 de março, sábado e domingo, 16h e 18h. Local: Teatro Sérgio Cardoso.

Após a sessão, os artistas farão uma conversa com o público.

Sinopse: Romance de Virginia Woolf sobre um personagem andrógino, que flui entre o feminino e o masculino, Orlando é o ponto de partida desta vídeoinstalação que combina imagens projetadas e música ao vivo, dentro de um cenário imersivo, pelo qual o público pode circular. O trabalho, dirigido pela suíça Julie Beauvais, investiga os temas tratados no livro, como gênero e identidade, e questiona quais seriam os Orlandos de hoje, habitantes de um mundo imerso no paradigma pós-binário. Sobre as sete telas que contornam a instalação, são projetados lado a lado personagens de Berlim, Kinshasa, Marfa, Londres, Belo Horizonte, Lisboa, Chandolin e Patagônia, todos filmados por Horace Lundd em cenários externos e etéreos, explorando o horizonte de várias regiões do mundo.

Ficha Técnica – Direção artística e coreografia: Julie Beauvais. Direção: Julie Beauvais e Horace Lundd. Direção de arte, direção de fotografia e vídeos: Horace Lundd. Composição musical e sonora: Christophe Fellay. Cenário:  Sibylle Kössler e Wynd van der Woude; criado por Michael John Harper, Orakle Ngoy, Winsome Brown, Carolyn Cowan, Nyima, Diego Bagagal, August Schaltenbrand, Natalia Chami, Valentina Bordenave e Frans W.M. Franssens. Produção: BadNewsFromTheStars* e Horace Lundd.

 

Plataforma Brasil:

Foto: Renato Mangolin
Fortaleza 2040, de Andreia Pires

Fortaleza 2040 (2019) | Andréia Pires| CE

Duração: 45 minutos | Recomendação: 16 anos.

12 de março, quinta-feira, às 19h. Local: Itaú Cultural – sala Multiuso. 

Sinopse: Partindo de estudos sobre a Constituição Brasileira, a bailarina Andréia Pires elabora neste espetáculo o que chama de Constituição Coreográfica Criminosa. A artista investiga de que modo o crime pode ser percebido como prática política discursiva, assegurado por certos regimes de poder e como o corpo, na produção de coreografia, intervém nessa construção. A obra compreende que a questão do crime emerge de uma estrutura de poder e convivência de um determinado grupo de pessoas, de uma matéria que não é metafísica nem antropológica, mas histórica e civilizatória. Com orientação de Alejandro Ahmed, do grupo Cena 11, o trabalho, que leva o nome de um plano de desenvolvimento para a cidade de Fortaleza, mostra um corpo sufocado, que se movimenta de forma incessante e contundente junto a um som metálico. A “coreografia criminosa” se posiciona diante de regras de comportamento e de esquemas de ordem e de progresso levantados por meio da censura e do medo.

Ficha Técnica – Concepção, direção e performance: Andréia Pires, Geane Albuquerque e Honório Félix. Interlocução, iluminação e intervenção sonora: Alejandro Ahmed. Produção: Fortaleza 2040. Fotos: Renato Mangolin.

Foto: Igor Cavalcante Moura
Pra frente o pior, de Inquieta Cia.

Pra Frente o Pior (2016) | Inquieta Cia (CE)

Duração: 50 minutos | Recomendação: 16 anos.

13 de março, sexta-feira, às 21h; 14 de março, sábado, às 20h. Local: Centro Cultural São Paulo – espaço cênico Ademar Guerra.

 Sinopse: Pra Frente o Pior traça um percurso vertiginoso sobre o que significa conviver em sociedade, em especial no atual momento sociopolítico do Brasil e do mundo. De mãos dadas, os seis intérpretes movimentam-se cada um a seu modo, formando uma massa amorfa, sempre unida, porém desorientada e desconexa. É como se quisessem caminhar adiante e juntos, mesmo que não cheguem a um destino ou não suportem mais o percurso. Uma espécie de fim de festa, um fim de esperança, mas que não causa paralisia, pelo contrário: no desespero, tenta-se sempre reagir, ainda que se esteja apenas cavando o próprio fim. Fruto do diálogo entre a Inquieta Cia. e os artistas Marcelo Evelin e Thereza Rocha, o espetáculo transita entre linguagens (teatro, dança e performance) e parte de estudos sobre a dramaturgia que nasce do corpo, de seus gestos e expressões, e ressoa além dele.

Ficha Técnica – Performers: Andréia Pires, Andrei Bessa, Geane Albuquerque, Gyl Giffony, Lucas Galvino, Wellington Fonseca. Interlocução: Marcelo Evelin. Colaboração dramatúrgica: Thereza Rocha. Som: Uirá dos Reis. Cenografia: Inquieta Cia. e Caroline Holanda. Figurino: Isac Sobrinho e Mallkon Araújo. Iluminação: Inquieta Cia. e Walter Façanha. Projeto gráfico: Andrei Bessa. Fotos: Chun, Igor Cavalcante Moura, Éden Barbosa, Rômulo Juracy e Thiago Sabino. Produção: Inquieta Cia.

Foto: João F. Tavares
Entrelinhas, de Coletivo Ponto Art

Entrelinhas (2012) | Coletivo Ponto Art (BA)

Duração: 35 min | Recomendação: 18 anos.

14 de março, sábado, às 19h, 15 de março, domingo, às 16h. Local: Teatro Cacilda Becker.

*No dia do espetáculo, a bilheteria será aberta com 2h de antecedência. 10% dos ingressos serão vendidos no dia do espetáculo.

Sinopse: Num diálogo entre o passado e o presente, o espetáculo discute a violência contra a mulher e evidencia como a voz feminina (em especial a da mulher negra) é historicamente silenciada dentro de uma sociedade machista e de mentalidade escravocrata. A coreógrafa e intérprete Jaqueline Elesbão costura uma narrativa essencialmente visual, quase sem palavras, que apresenta uma série de imagens e referências históricas. Em cena, a artista traz objetos como uma máscara de flandres – usada durante o período de escravidão brasileiro, para impedir que servos ingerissem alimentos e bebidas, e lembrada na imagem da serva Anastácia, submetida a sessões de tortura enquanto o artefato lhe cobria a boca. Alternando-se entre as figuras de vítima e algoz, Elesbão também expõe elementos religiosos e indumentárias femininas, como o sutiã e o salto alto, símbolos de liberdade e amarra do corpo da mulher.

Ficha Técnica – Coreógrafa e intérprete: Jaqueline Elesbão. Produção: Nai Meneses. Sonoplastia: Anderson Gavião. Iluminação: Robson Poeta. Confecção de figurino: Luiz Santana.

Foto: Livia Neves
Meia-Noite, de Orun Santana

Meia-Noite (2018) | Orun Santana (PE)

Duração: 60 minutos | Recomendação: livre.

11 de março, quarta-feira, 21h; 12 de março, quinta-feira, 16h. Local: Teatro Alfredo Mesquita. 

Sinopse: No espetáculo, a capoeira é tratada como elemento criador e motivador do movimento e também como um ponto de partida para se pensar a memória do corpo negro que dança. Para tanto, o bailarino Orun Santana se inspira na vivência com seu pai, o mestre Meia-Noite, cofundador do Centro de Educação e cultura Daruê Malungo, na periferia do Recife, espaço onde o intérprete cresceu e onde desenvolve trabalhos. Em cena, Santana faz um paralelo entre dois universos. Um, pessoal, de sua relação familiar, entre pai e filho, mestre e discípulo. Outro, social e cultural, dos movimentos e do imaginário político-poético do corpo negro na cena. Dessa forma, o intérprete costura imagens e memórias da dança negra, de danças populares do Nordeste e do corpo brincante, assim como aspectos de sua própria ancestralidade.

Ficha Técnica – Intérprete-criador e diretor: Orun Santana. Consultoria artística: Gabriela Santana. Assistente de direção: Domingos Júnior. Trilha sonora: Vitor Maia. Iluminação: Natalie Revorêdo. Cenografia e figurino: Victor Lima. Produção: Danilo Carias (Criativo Soluções).

Foto: Dayane Ros
Recolon, do Coletivo Mona

Recolon (2016) | Coletivo Mona (AM)

Duração: 45 minutos | Recomendação: 12 anos.

14 e 15 de março, sábado e domingo, 17h. Local: Vila Itororó.

*No dia do espetáculo, a bilheteria será aberta com 1h de antecedência para retirada de ingressos.

Sinopse: Os impactos ambientais e humanos causados pelas construções de usinas hidrelétricas na bacia do Rio Madeira, em Rondônia, foram o ponto de partida para o artista manauara Leonardo Scantbelruy criar o solo, primeiro trabalho do Coletivo Mona. O performer manipula elementos simbólicos e regionais para investigar o risco da vida na Amazônia, marcadas por ciclos de colonização. Inspirado pelo trabalho do pintor e escultor Olivier de Sagazan e da coreógrafa Elisa Schmidt, o intérprete utiliza uma pasta de mandioca para se desconfigurar gradativamente e investigar por meio de metáforas corporais o estado emocional e psicológico de um corpo atravessado por um choque ambiental que viola inúmeros direitos.

Ficha Técnica – Concepção, direção e performance: Leonardo Scantbelruy. Interlocução: Gilca Lobo e Elisa Schmidt. Assistência de direção: Francisco Rider. Iluminação e sonoplastia: Daniel Braz. Figurino: Preta Scantbelruy. Apoio: Coletivo Mona, Movimento Levante MAO e Coletivo Difusão.

Foto: Mauricio Pokemon
tReta, de Original Bomber Crew

tReta (2018) | Original Bomber Crew (PI)

Duração: 50 min | Recomendação: 16 anos.

13 e 14 de março, sexta e sábado, 20h. Local: Tendal da Lapa.

*No dia do espetáculo, a bilheteria será aberta com 1h de antecedência para retirada de ingressos.

Sinopse: As várias “tretas” enfrentadas diariamente por jovens periféricos, refugiados e minorias em geral foram a base de trabalho do grupo Original Bomber Crew. “Tretas” da política, do patriarcado, do colonialismo e da batalha de breaking que geram embates pela sobrevivência. Os breakdancers, músicos, skatistas e artistas visuais, que criaram e performam o espetáculo, dançam próximo ao público, acompanhados de uma sonoridade metálica, densa e urbana. A violência do Brasil e a realidade de corpos considerados descartáveis mundo afora são expressas nos movimentos com elementos do breaking e do hip-hop. A peça é um conflito, uma explosão, um ato premeditado para envolver o outro.

Ficha Técnica – Concepção: Allexandre Santos e Cesar Costa. Direção: Allexandre Santos. Criação e performance: Allexandre Santos, Cesar Costa, Javé Montuchô, Malcom Jefferson, Maurício Pokemon e Phillip Marinho. Concepção musical: César Costa e Javé Montuchô. Coordenação técnica e desenho de luz: Javé Montuchô. Fotografia: Maurício Pokemon. Assistência administrativa: Humilde Alves. Direção de produção: Regina Veloso/CAMPO Arte Contemporânea. Agradecimentos: Artur, Cleydinha, Neném, Fedó, Jell, Pangu, Pangulim, WG, Gui Fontineles e Marcelo Evelin.  Obra elaborada em Teresina (PI) durante residências de pesquisa e criação na Casa de Hip Hop (2017 e 2018), Espaço Balde (2018) e CAMPO Arte Contemporânea (2017 e 2018).

ZOO (2018) | Macaquinhos (SP)

Duração: 60 minutos | Recomendação: 18 anos.

14 de março, sábado, 19h; 15 de março, domingo, 17h. Local: Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo (CRDSP).

* No dia do espetáculo, a bilheteria será aberta com uma hora de antecedência para retirada de ingressos.

Sinopse: Uma festa mal acabada, rastros de intimidade pelo espaço e trechos de uma suruba musical carregam o ambiente. O mais recente trabalho do Macaquinhos é uma instalação performativa que desencanta os zoológicos humanos realizados em países colonizadores da Europa durante o século 20. O coletivo continua sua pesquisa que fricciona corpo, política e os limites de linguagens estéticas contemporâneas e utiliza como provocação a pergunta “O que há de Norte em cada um de nós?”. Convidado a criar o trabalho pelo Künstlerhaus Mousonturm e pelo Festival I*mpossible Bodies, na Alemanha, o grupo propõe uma experiência de ressaca colonial compartilhada entre performers e visitantes. É um ambiente sensorial carregado de cheiros e sons, um lugar para expectativas que questiona o que é doméstico e o que é espetacular.

Ficha Técnica – Criação, direção e performance: Andrez Lean Ghizze, Caio, Danib.a.r.r.a, Feliz, Kupalua, Luiz Gustavo, Marine Sigaut e Rosangela Sulidade. Colaboração artística: Carol Mendonça, Elisa Liepsch e Kontouriotis. Produção executiva: Corpo Rastreado. Coprodução: Künstlerhaus Mousonturm Frankfurt. Apoio: Programa de Residência Artística Obras em Construção, Casa das Caldeiras, Residência Artística Instituto Terra Luminous, Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo e Frankfurt LAB. Agradecimentos: Alessandra Domingues, Guilherme Godoy, François Pisapia, José Fernando Peixoto, Marcelo Evelin, Teresa Moura Neves, Yuri Tripodi e todxs xs participantes do Experimento Milgrau.

 

INTERCÂMBIO ARTÍSTICO

João Fiadeiro (Portugal) – Como não saber juntos: que fazer daqui para trás _in situ

5 a 7 e 10 a 13 de março, quinta a sábado e terça a quinta-feira, das 10h às 13h.

Apresentação do experimento cênico: 12 de março, segunda-feira, das 10h às 13h, com bate-papo na sequência.

Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade – salas 3 e 11.

Inscrições: de 8 a 22 de fevereiro.

Como explorar o corpo em perigo, os lugares de colisão e as fronteiras do colapso? Como esse corpo reage? Que narrativas emergem dos fragmentos de convívio e de presença? O artista português e pedagogo em foco João Fiadeiro propõe, como se fosse um processo de desmontagem de seu espetáculo O Que Fazer Daqui para Trás, uma intensa investigação performativa sobre o tempo presente e o espaço material, em que diferentes níveis de encontro serão experimentados. Haverá dois grupos de participantes: 16 pessoas já familiarizadas com as artes da cena e 10 pedagogos-observadores, que serão responsáveis pela tessitura narrativa (dramatúrgica, discursiva ou cênica) do processo. No quinto* dia da atividade, o grupo apresentará um experimento cênico.

 

CONVERSA PERFORMÁTICA

O QUE EU SOU NÃO FUI SOZINHO

Com João Fiadeiro (Portugal) e Maria Fernanda Vomero (Brasil).

9 de março, segunda-feira, das 11h às 13h. Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Sala Cine Clube.

Trata-se de uma conversa a dois, num formato que se assemelha ao talk-show, pontualmente interrompida por desvios que impedem a sua progressão e adiam sua conclusão. Esses desvios (shows), que se fazem e desfazem à medida que a conversa (talk) se desenrola, geram novos espaços de percepção e relação com o fio condutor do acontecimento, obrigando o espectador a “ir e vir” entre o sentido da conversa e a direção da performance.

 

OFICINAS

 

Sob os escombros: introdução ao material de Multidão | Gisèle Vienne (França).

10 de março, terça-feira, das 10h às 13h. Local: Centro Cultural São Paulo – Sala de Ensaio 2.

Inscrições: 8 de fevereiro a 1 de março.

Como reage o corpo e qual é sua disponibilidade depois de uma festa alucinante, guiada pela euforia coletiva e pelo desejo lancinante de romper barreiras físicas? Como sustentar uma fisicalidade líquida e ondulante? Nesta oficina intensiva, os participantes poderão experimentar o método da artista Gisèle Vienne por meio do trabalho com o material coreográfico de seu espetáculo Multidão.

 

Investigações para a selvageria do corpo | Andreia Pires (Brasil)

9 e 10 de março, segunda e terça-feira, das 9h às 13h. Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Sala Anexo.

Inscrições: 8 de fevereiro a 2 de março.

No Brasil, enquanto os tucanos dançam, os cavalos correm e os macacos saltam, a flora grita. Aqui, todos agem. Selvageria Abaporu nessa bossa do planalto central do país. Imitação ou fuga? Instinto ou plano? Vale entender os sinais e então seguir. Vale sabotar a armadilha e então avançar. Com base nas práticas de invenção e desgaste das técnicas corporais, os participantes reunirão procedimentos de ação, repetição e composição para, então, descobrir enunciados para o trabalho que estão além da superfície.

 

O futuro é fluido | Julie Beauvais (Suíça)

2 e 3 de março, segunda e terça-feira, das 9h às 13h. Local: Teatro Sérgio Cardoso.

4 de março, quarta-feira, das 7h às 11h, Parque Trianon (Rua Peixoto Gomide, 949 – Cerqueira César, SP).

Inscrições: 4 a 23 de fevereiro.

A proposta da artista e diretora atualmente baseada na Suíça, guia-se por uma abordagem que vai além das divisões tradicionais em especialidades (performance, ativismo ambiental), mídia (movimento, música, performance e novas mídias), temas (paradigmas antigos ou novos, espaços, temporalidades, performáticas e não formas performáticas) ou métodos (trabalhos de estúdio, experimentos ao ar livre, iniciativas coletivas ou individuais). Trata-se de um laboratório de experiências biocêntricas, em que se combinam escuta profunda, movimento consciente e vivência do crepúsculo. O primeiro é em sala. Depois, ao ar livre, uma experiência de escuta profunda das composições de Pauline Oliveros com os participantes. A Escuta Profunda permite a abertura para um estado elevado de consciência e se conecta a tudo o que existe.

 

Suspeito: Coreografias performáticas de enfrentamentos cotidianos – com os artistas de Original Bomber Crew (Piauí)

10 e 11 de março, terça e quarta-feira, das 10h às 14h. Local: Tendal da Lapa.

Inscrições: 13 de fevereiro a 5 de março. Divulgação de resultados: 8 de março.

Público alvo: atividade para 20 participantes. Parte das vagas será destinada a pessoas egressas de comunidade carcerária e a integrantes de coletivos autônomos das várias regiões da cidade. Os demais interessadxs, com experiência ou não em dança: maiores de 18 anos. Haverá seleção.

Corpo periférico, corpo índio, corpo quilombola, corpo marginal. Quem não é de cima nem do centro nem “do eixo”, vive sob suspeita. Suspeita de expor a ferida aberta de uma sociedade racista e excludente. Suspeita de desafiar o status quo e os privilégios instituídos. Suspeita de abalar o conformismo cômodo da população. Tomando como inspiração a realidade dos povos invadidos, explorados, colonizados e assassinados no Brasil, no ontem e no hoje, a oficina propõe uma experiência de dança que é quase nada: espasmos que se coreografam por meio do olhar do outro e dos movimentos quebrados do breaking. Suspeito é o desdobramento da pesquisa iniciada com tReta, em sua investigação do corpo, do gesto e dos movimentos de enfrentamentos cotidianos das juventudes em condição de resistência.

 

Artista em Foco

Entrevista pública com Andreia Pires

12 de março, quinta-feira, das 20h às 22h. Local: Itaú Cultural – Sala Multiuso

Entrevistadores: Soraya Portela e Clarice Lima (SP).

Soraya Portela, artista da dança de Teresina, ligada ao Núcleo do Dirceu, e o coreógrafo português João Fiadeiro, Pedagogo em Foco da MITsp, entrevistam a bailarina e coreógrafa Andreia Pires, artista em foco da MITbr – Plataforma Brasil. 

 

Endereços: 

Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer: Av. Pedro Álvares Cabral, Portão 2, Parque Ibirapuera, São Paulo (SP).

Centro Cultural São Paulo: Rua Vergueiro, 1.000, Paraíso, São Paulo (SP). Estação de metrô: Vergueiro.

Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo – CRDSP: Galeria Formosa, Baixos do Viaduto do Chá, s/nº, Centro, São Paulo (SP). Estação de metrô: Anhangabaú.

Itaú Cultural: Avenida Paulista, 149, Bela Vista, São Paulo (SP). Estação de metrô: Brigadeiro.

Oficina Cultural Oswald de Andrade: Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo (SP). Estação de metrô: Tiradentes.

Parque Trianon: Rua Peixoto Gomide, 949, Cerqueira César, São Paulo (SP). Estação de metrô: Trianon-Masp.

Sesc Avenida Paulista: Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo (SP). Estação de metrô: Brigadeiro.

Teatro Alfredo Mesquita: Avenida Santos Dumont, 1.770, Santana, São Paulo (SP). Estação de metrô: Carandiru.

Teatro Cacilda Becker: Rua Tito, 295, Lapa, São Paulo (SP).

Teatro Sérgio Cardoso: Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, São Paulo (SP).

Tendal da Lapa: Rua Guaicurus, 1.100, Lapa, São Paulo (SP).

Vila Itororó: Rua Pedroso, 238, Bela Vista, São Paulo (SP).

INGRESSOS