Cooperativa Paulista de Dança tem nova direção

A dança paulista vem conquistando avanços importantes. Mais organizada, a classe influiu decisivamente na criação da Lei Municipal de Fomento à Dança, que em 2006 tornou-se o principal meio de subvenção a grupos e projetos da área na cidade. Outra conquista importante nos últimos cinco anos foi a estruturação da Cooperativa Paulista de Dança (CPD), que passou a oferecer serviços administrativos e jurídicos para os profissionais que antes acabavam recorrendo à Cooperativa Paulista de Teatro.

Agora sob nova direção, a CPD promete intensificar sua atuação para fazer da dança uma expressão mais participativa e influente no mercado artístico de trabalho e também na geração das políticas culturais necessárias ao país. Desde 1º de março de 2011 os coreógrafos Sandro Borelli e Gal Martins respondem respectivamente pela presidência e vice-presidência da CPD. “O principal desafio desta nova gestão é criar um projeto institucional efetivo e de impacto, que fortaleça a representatividade da dança paulista nos níveis municipal, estadual e nacional”, declararam os dois artistas no comunicado que informou a mudança de gestão. Até então, os responsáveis pela CPD eram os bailarinos e coreógrafos Carmem Gomide e Raymundo Costa.

Uma das ações prioritárias que a nova direção da CPD pretende colocar em prática são os encontros permanentes para discutir e formatar uma nova lei municipal e/ou estadual, que possa trazer continuidade de trabalho a grupos estáveis. Também está na pauta da CPD a busca de aprimoramento para o Programa Municipal de Fomento à Dança e ainda a articulação de intercâmbios com produtores, gestores e governos de cidades do interior para que a difusão e circulação de espetáculos se expandam pelo Estado de São Paulo.

Retomar projetos como o CooperativaEmCena, realizar encontros de formação, seminários, mostras, residências artísticas, são outros objetivos destacados pelos novos diretores, que ainda pretendem ampliar os benefícios aos cooperados.

Experiência para levar desafios adiante é o que não falta aos novos diretores. Sandro Borelli, depois de dançar no Balé Teatro Guaíra de Curitiba e no Balé da Cidade de São Paulo, tornou-se artista independente no início da década de 1990. A partir de então, conseguiu manter elenco próprio e firmar-se como um dos coreógrafos mais expressivos de sua geração, durante um período em que a dança paulista quase não contava com subvenções financeiras do setor público ou privado.

Já a dançarina, atriz, coreógrafa e diretora de teatro Gal Martins chama atenção hoje pelas atividades da companhia de dança Sansacroma, que ela fundou em 2002 em Capão Redondo, bairro periférico que conseguiu reverter a fama de região com um dos maiores índices de violência de São Paulo. É lá que Gal e seu elenco construíram sua sede, o Ninho Sansacroma, que desde sua inauguração, em 2009, vem promovendo uma programação artística singular, voltada para os bairros do extremo sul paulistano, como Jardim Ângela, Jardim São Luiz, Campo Limpo, além do próprio Capão Redondo. Com isso, o Sansacroma está preenchendo o vácuo cultural local e também promovendo a descentralização e a difusão da dança na cidade.

À frente da CPD, Sandro e Gal se dispõem de agora em diante a representar a classe de dança em todas as suas linguagens e dentro de uma diversidade que inclui as expressões contemporâneas, clássicas e populares. “A nova CPD quer concretizar um projeto amplo e democrático, que tenha o diálogo e a articulação como pontos fortes de sua atuação”, diz a dupla.