Cooperativa Paulista de Dança lança prêmio Denilto Gomes

A festa de premiação já está marcada: dia 4 de dezembro, às 20h, na Sala Paissandu do Centro de Dança Umberto da Silva da Galeria Olido. O prêmio Denilto Gomes, que a Cooperativa Paulista de Dança (CPD) acaba de lançar, contemplará profissionais nas categorias de coreografia, direção, interpretação, iluminação, cenografia, figurino e trilha sonora. Também serão premiados os destaques em espetáculo, solo de dança, concepção de dança para crianças, iniciativa política na dança e cobertura jornalística. Com a proposta de ser anual, o prêmio ainda incluirá, a cada edição, uma homenagem a uma personalidade da dança.

            A comissão que escolherá os premiados de 2013 é formada pela jornalista Elaine Calux, pela produtora Monica Bammann e a arte-educadora Cilô Lacava.

            “O objetivo da CPD é implantar o prêmio considerando os modos de entender a dança que está inserida no Estado de São Paulo. Com isso, queremos jogar luz sobre suas especifidades e ainda favorecer uma compreensão mais ampla sobre suas abrangências”, diz Sandro Borelli, atual presidente da CPD, que teve a iniciativa de lançar a premiação. Segundo Borelli, a CPD entende que há pouco espaço nos meios de comunicação para os assuntos relativos à dança. Por isso, “considera essencial investir em ações contundentes e engajadas, que levem também a uma ampla discussão no campo artístico e político”.

            A premiação também presta justo tributo a Denilto Gomes (1953-1994). Nascido em Sorocaba (SP), onde morreu prematuramente aos 41 anos, Denilto começou a destacar-se na cena paulistana em 1976, quando ganhou o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como bailarino revelação.

            À sua formação com Janice Vieira e Maria Duschenes, Denilto somou a influência de Takao Kusuno (1945-2001), com quem começou a trabalhar em 1979, no espetáculo Quando Antes for Depois. Na década de 1980, sua intensa atuação incluiu espetáculos como Fedra, no qual dividiu a cena com Juliana Carneiro da Cunha, sob a direção de Emilie Chamie e Jorge Takla, participações em criações de José Possi Neto (como Tratar com Murdock e Lilith, a Lua Negra), além de trabalhos no grupo experimental formado por Klauss Vianna no Balé da Cidade de São Paulo.

            Sua pesquisa de linguagem, que associava o universo rural brasileiro aos ritos ancestrais, resultou em espetáculos como Serra dos Órgãos (1990) e Sáfara (ciranda para uma lua e meia), de 1992, cujo elenco, além dele mesmo, contou com Emilie Sugai e José Maria Carvalho.