11º Múltipla Dança oferece oficinas gratuitas com certificação

Focado na dança como experiência produtora de conhecimentos e acontecimentos, dedicado a promover a criação e difusão da dança contemporânea, tecido na articulação entre artistas profissionais, convidados, pesquisadores e o público, o 11º Múltipla Dança – Festival Internacional de Dança Contemporânea entre os dias 24 e 30 de maio, inteiramente on-line, oferece quatro oficinas ministradas por cinco profissionais entre os dias 25 e 30 de maio, em diferentes horários.

Com certificados, inscrições gratuitas e 25 vagas (100 no total) condicionadas a um processo seletivo com o envio de um breve currículo, as aulas asseguram distintos públicos e abordagens. O festival é viabilizado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Apoio à Cultura – 2020.

Foto: Anderson Stevens
Orun Santana

Sankofa – a Dança como Presente está sob a responsabilidade de Orun Santana (PE), Múltiplas Críticas é ministrada por Néri Pedroso (SC), Dança em Palavras: Experiência com Audiodescrição por Lilian Vilela (SP) e os bailarinos Denise Namura e Michael Bugdahn, da Cie. À Fleur de Peau (França), propõem Dançar Nossas Histórias, cujo resultado ganha uma mostra de apresentação.

Orun Santana, artista, bailarino, capoeirista, professor, pesquisador em dança e cultura afro de Recife (PE), estrutura o conceito da oficina na sua pesquisa em dança intitulada Ancestralidade do Presente, na qual usa os princípios da dança dos orixás e da técnica Acogny de danças africanas como método investigativo do corpo em sankofa, que retrata um pássaro firme no chão, a cabeça para trás, e simboliza a necessidade de olhar o passado, acessar a história vivida para aprender. Corpo ancestral, dança primordial que emerge na construção de uma relação com o tempo, o professor bailarino quer alunos com idade acima de 16 anos porque propõe uma experiência prática de dança. “Mover o tempo dentro de nós, construir novos presentes para nós mesmos”, explica Santana para quem o mover ancestral ancora-se no tempo, cria conexão do passado presente no corpo, constrói novos futuros.

Foto: Franzoi

A oficina Múltiplas Críticas atende estudantes, artistas, pesquisadores, professores, espectadores, formadores de opinião e interessados na prática de um texto crítico. À luz da era da comunicação, a partir de uma reflexão teórica sobre o papel da crítica, aproxima crítica e criação na emergência de um repertório em sintonia com a dança contemporânea. Cada encontro de duas horas é ministrado pela jornalista Néri Pedroso, também uma das articuladoras e assessora de imprensa do Múltipla Dança. Ela quer compartilhar sua experiência em jornalismo cultural no papel de editora e coordenadora de cadernos nos quais sempre manteve um elenco de críticos, pois entende que a produção artística pede legitimação e análises criteriosas que permitam pensar a criação sob outra ótica, além de intermediar olhares entre artistas e espectadores, bem como produzir memória sobre obras e eventos.

Um diferencial do 11º Múltipla Dança é enfatizar o desejo de textos críticos. Os participantes são convidados à experimentação, podem produzir um texto sobre o 11º Múltipla Dança com foco em um espetáculo, oficina, diálogo, conferência, qualquer uma das ações ou sobre o festival por inteiro. Do conjunto, apreciado por um comitê editorial, cinco textos serão pagos – R$ 300,00 – e ganham publicação nos sites Midiateca de Dança e Conectdance. Além de Néri Pedroso, o comitê conta com a crítica Sandra Meyer.

Sandra Meyer é artista e pesquisadora. Professora titular do Centro de Artes (Ceart) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), lecionou entre 1989 e 2016, dança e técnicas corporais no curso de licenciatura em teatro e no Programa de Pós-Graduação em Teatro. Doutora em comunicação e semiótica, autora de livros sobre dança. Atuou como crítica de dança do caderno cultural Anexo do jornal A Notícia (Joinville/SC). Dirigiu o documentário Limiares (2014), foi curadora do Festival Internacional de Dança de Recife (2009/10) e membro do Conselho Artístico do Festival de Dança de Joinville (2008/10). Foi membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Florianópolis, como representante da área de dança (2008/10). Integra o coletivo Corpo, Tempo e Movimento e preside o Instituto Meyer Filho.

Acima dos 60 anos

A Cie. À Fleur de Peau, constituída por Denise Namura e Michael Bugdahn (França), tem como público alvo pessoas acima de 60 anos com motivação e desejo de participação assídua numa oficina de dança-teatro, cujo principal objetivo é a prática do movimento lúdico, tratada com humor e sensibilidade. A partir do prazer da dança, querem desenvolver o exercício de memória e liberar o imaginário, ou seja, como se expressar com o corpo e dançar inspirando-se em seus próprios gestos, histórias e lembranças. Denise e Michael têm o humano no centro da prática artística, o desenvolvimento da relação dos indivíduos dentro de um grupo e criação de um espaço de liberdade. Em razão da pandemia, por meio de uma tela, no espaço virtual, os participantes criam alguns módulos dançados a partir de certas indicações, utilizam elementos dos espaços onde estão em isolamento social e/ou ligados às suas próprias histórias. Os coreógrafos, que consideram o ensino e a transmissão como aspectos essenciais de sua pesquisa, também sugerem o aprendizado de algumas sequências dançadas.  O resultado da oficina ganha uma mostra de processo criativo, nos dias 29 e 30 de maio, às 18h, no Youtube. Denise é brasileira, Michael é alemão. Eles vivem em Paris desde 1979, onde fundaram a companhia em 1989. Desenvolvem peças coreográficas híbridas, com o gesto carregado de sentido, uma escritura poética e um humor tragicômico.

Acessibilidade e interação

A oficina Dança em Palavras: Experiência com Audiodescrição instiga experiências com a audiodescrição, recurso de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, baixa visão, entre outros. Atividade de mediação linguística que transforma informações visuais em verbais, a técnica possibilita maior participação e interação das pessoas no mundo das artes. A professora Lilian Vilela alerta que não é necessário conhecimento prévio sobre o recurso de audiodescrição, basta estar interessado em participar. A oficina propõe elaborar frases de movimentos escritas e adentrar em histórias dançadas com a intenção de compartilhar experiências com e sem o uso do sentido da visão. Professora nos cursos de bacharelado e licenciatura em artes cênicas, e do programa de Pós-graduação em Artes no Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Paulo. É graduada em dança, mestre em educação motora e doutora em educação. Intérprete e criadora em dança com a Balangandança Cia., Grupo Saia Rodada e outros grupos com os quais fez apresentações em diferentes Estados do Brasil, Portugal, Finlândia e Austrália. Audiodescritora e consultora de dança em trabalhos audiodescritos (AD) com atuações como roteirista e narradora em mostras e espetáculos de teatro e dança.

FICHA TÉCNICA DO MÚLTIPLA DANÇA

Direção, coordenação de programação e curadoria: Jussara Xavier e Marta Cesar

Produção executiva:  Gisele Martins

Design gráfico e mídia eletrônica: Paula Albuquerque

Assessoria de imprensa: Néri Pedroso

Fotografia e vídeo: Cristiano Prim

Operação de streaming: Casarinha

Tradução e interpretação em Libras: Danielle Sousa e José Ednilson Gomes de Souza Júnior

Articuladoras: Jussara Xavier, Marta Cesar, Néri Pedroso e Paula Albuquerque

Ilustração: Fabio Dudas, sobre fotografia de Arnaldo J. G. Torres (Miriam Druwe – Cia. Druw).

Agradecimentos: Ana Francisca Ponzio, Elke Siedler, Regina Levy e Sandra Meyer

SERVIÇO

11º Múltipla Dança – Festival Internacional de Dança Contemporânea

Quando: 24 a 30 de maio/2021, diariamente

Onde: Zoom, Meet, YouTube, Instagram, Facebook

Inscrições: https://multipladanca.wixsite.com/multipla-danca/oficinas

Quanto: gratuito (todas as ações)

Classificação: livre para todos os públicos